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	<title>Vou vivendo... &#187; Gestão de mudança</title>
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	<description>Gestão do conhecimento dá samba...</description>
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		<title>5ª Disciplina, samba e o “recall” dos parlamentares</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Dec 2010 17:47:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Barreiras à intelig coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[Gestão de mudança]]></category>
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		<description><![CDATA[Assisti ontem ao vídeo “O Mestre da Vida” . Um velho artista ensina um jovem a olhar. Lembrou-me de um artigo de crítica cinematográfica que dizia que a função do cinema é a educação do olhar. Saramago falava de “olhar com olhos de ver”. NÓS NÃO SABEMOS OLHAR. O ano passado viu o 20º aniversário [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assisti ontem ao vídeo <a href="http://filmow.com/filme/5709/o-mestre-da-vida/">“O Mestre da Vida”</a> . Um velho artista ensina um jovem a olhar. Lembrou-me de um artigo de crítica cinematográfica que dizia que a função do cinema é a educação do olhar. Saramago falava de “olhar com olhos de ver”. <strong>NÓS NÃO SABEMOS OLHAR.</strong></p>
<p>O ano passado viu o 20º aniversário do livro “A Quinta Disciplina – a Arte e a Prática das Organizações que Aprendem”, de Peter Senge. Não é um aniversário qualquer: o número 20º me evoca coisas monumentais, como o XX Congresso do PCUS, em 1956, quando os crimes de Stalin foram denunciados, pela primeira vez.  Para tudo pode haver uma primeira vez. O Ficha Limpa teve a sua primeira vez. A invasão do complexo do Alemão foi a primeira vez.</p>
<p>O que há de especial com a Quinta Disciplina? <strong>É a disciplina de olhar e ver sistemas.</strong> Embora visto como pioneiro no conceito das “organizações que aprendem” – e expandem continuamente a capacidade para criar o seu futuro &#8211;  Senge foi pioneiro mesmo ao trazer à luz a Quinta das cinco disciplinas (<a href="http://www.softwarepublico.gov.br/file/16685703/quintasenge.pdf ">veja aqui as cinco</a>) com que ele caracterizou essas organizações: o <strong>raciocínio sistêmico.</strong></p>
<p><strong><a href="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/transporte1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-349" title="transporte1" src="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/transporte1-300x115.jpg" alt="" width="300" height="115" /></a><a href="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/transporte2.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-346" title="transporte2" src="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/transporte2-300x216.jpg" alt="" width="300" height="216" /></a><br />
</strong></p>
<p style="text-align: left;">Respire fundo e engate a primeira marcha só por 15 segundos (depois você relaxa), pronunciando palavra por palavra: segundo a Quinta Disciplina, o raciocínio sistêmico é a técnica de modelagem e simulação de sistemas com ciclos de causalidade não-linear e com feedback retardado.</p>
<p><a href="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/Diagrama-de-ciclos-de-causalidade.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-350" title="Diagrama de ciclos de causalidade" src="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/Diagrama-de-ciclos-de-causalidade.png" alt="" width="656" height="353" /></a></p>
<p>Complicado? Não.  Só um pouquinho pedante:-)</p>
<p>Fica fácil de entender se lembrarmos o movimento de sanfona que acontece num congestionamento: quando o semáforo abre e fecha, a fila espicha e encurta, fazendo os apressadinhos buzinarem. O acontecimento da buzina ( um evento) é conseqüência do ciclo do semáforo (um fato estrutural) mais o tipo de buzinas que nenhum legislador ainda lembrou de proibir (outro fato estrutural), através de um efeito reflexo que todos conhecemos: se demora mais que 2 segundos para andar, um apressadinho já buzina (é um padrão de comportamento: a estatística garante que, na distribuição normal, sempre haverá no entorno um dos 5,78% de estressados (as) que agem desta forma predatória).  Sacou? O raciocínio sistêmico levará você a não revidar com a buzina, nem xingar, e talvez a bolar uma campanha para os estressadinhos. Se você for bem sistêmico mesmo, poderá lançar no Facebook não um inócuo “sou contra isso ou aquilo”, mas um “apóie um projeto de lei de iniciativa popular para regulamentar as buzinas”, ou algo semelhante.</p>
<p>A Quinta Disciplina ensina a distinguir eventos, padrões comportamentais e estruturas que os determinam. Não é coisa só para nerds nem para matemáticos. <strong>HÁ POETAS QUE VÊEM SISTEMAS</strong>:  “Ao rio que tudo arrasta se diz violento; mas ninguém diz violentas as margens que o oprimem” (Bertold Brecht).  Lição de casa: lembre você de sambas que vêem sistemas.</p>
<p><strong><span style="font-size: small;">Eventos, padrões e estruturas<br />
</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/Iceberg_patterns_structures_events.jpg"><img class="size-full wp-image-324 aligncenter" title="Iceberg_patterns_structures_events" src="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/Iceberg_patterns_structures_events.jpg" alt="" /></a></p>
<p>É isso: <strong>VER SISTEMAS EMPODERA.</strong> E dá para equacionar problemas de enorme complexidade.</p>
<p>Embora tão antiga – 20 anos, ou 40, ou 50 (pois o primeiro paper de Forrester sobre dinâmica de sistemas é de 1961) – a Quinta Disciplina é bem pouco assimilada. E é assim mesmo, pois na história da aprendizagem as fichas não caem, elas descem, devagarinho: cognição tem viscosidade. Ótimo! Pois estou promovendo o curso “Revisitando o olhar sistêmico da Quinta Disciplina”, com Niraldo Nascimento, pesquisador do CEFTRU &#8211; Centro Interdisciplinar de Estudos em Transportes, da UnB, e novo presidente da seção brasileira da System Dynamics Society. Será em 23/2. 25/2. Ainda não está no site, mas você pode reservar desde já no <a href="http://www.contentdigital.com.br/database/contato.asp">Fale Conosco</a>. <strong>Empodere os líderes de sua empresa com a capacidade de VER SISTEMAS.</strong></p>
<p>Por que celebrar o 20º aniversário da Quinta Disciplina? Ora, como diz o meu frei sistêmico Leonardo Boff:  “todo ponto de vista é a vista, de um ponto” (<a href="http://www.ebooksevangelicos.com/Evangelicos/Leonardo%20Boff/Leonardo%20Boff%20-%20a%20%E1guia%20e%20a%20galinha.pdf">“A águia e a galinha”</a>).</p>
<p>O meu ponto de vista brota de uma semente plantada há 20+20 anos, na minha encarnação de estudante de engenharia, pelo professor Claus Warschauer, de Programação e Controle da Produção. Vi em sua aula pela primeira vez, em 1971, o que viria a ser o Jogo da Cerveja, que hoje, com as maravilhas da tecnologia, tornou-se  um tremendo artefato no treinamento de executivos para o raciocínio sistêmico. Você poderá ver isso no curso do Niraldo, e levá-lo também para dentro de sua empresa.</p>
<p>Pois então celebro, seguindo o conselho do meu rabino sistêmico, <a href="http://www.peaceworkmagazine.org/praying-their-feet-remembering-abraham-joshua-heschel-and-martin-luther-king">Abraham Heschel </a>(que dizia &#8220;orar com os pés&#8221; quando marchava com Luther King na Marcha dos Direitos Civis), cuja alma vem me sussurar: “Ingale (menininho, em ídishe):  celebrar é contemplar a singularidade do momento e realçar a singularidade do ser. O que foi não voltará a ser novamente. Celebração é um estado ativo, um ato de expressar reverência ou apreciação. Celebração é uma confrontação, que dá atenção ao significado transcendental das tuas ações.”</p>
<p>Se pensar na árvore genealógica das idéias que me formaram, vejo Peter Senge como um de meus pais intelectuais, ao lado de Erich Fromm (minha fonte para Marx e Freud), Herman Hesse, Paulo Freire e Fritjof Capra. Celebro portanto o jeito de pensar baseado nos modelos e arquétipos da dinâmica dos sistemas criada por Forrester. O jeito de VER SISTEMAS.</p>
<p><a href="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/Genealogia-Sergio.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-347" title="Genealogia Sergio" src="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/Genealogia-Sergio-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>VER SISTEMAS! Ao escrever, descobri este ótimo artigo sobre <a href="http://www.estherderby.com/2010/10/curing-system-blindnes.html">“Curando a cegueira em relação a sistemas”</a>.</p>
<p>Você talvez goste de saber um tiquinho mais da pré-história da Quinta Disciplina. História é legal, pois ajuda a ligar os pontos (veja a palestra de Steve Jobs, “How to live before you die”, onde ele conta um incidente que 10 anos depois resultou no MacIntosh). Ouça. Do “Industrial Dynamics” Forrester partiu para o “Urban Dynamics” e depois para o algo arrogante “World Dynamics”. Foi assim que o raciocínio sistêmico contribuiu com o Clube de Roma, um <em>think tank</em> de intelectuais e empresários, que produziu na época o primeiro precursor do filme “Uma Verdade Inconveniente”, de Al Gore: a pesquisa “Limits to Growth” (“Limites ao Crescimento”), em que as simulações de Forrester mostraram o embrião da consciência da sustentabilidade, que naquela época ainda não tinha nome.</p>
<p><strong>Bem. Hoje eu vejo a Quinta Disciplina como indispensável à inteligência coletiva,</strong> ao aprendizado e inferência aos quais as práticas convencionais de gestão do conhecimento ainda são alheias. Ela se aplica desde a identificação de intervenções para melhorar o processo de desenvolvimento de software numa empresa, até o planejamento da guerra do Afeganistão (e, claro, na melhoria de nossos sistemas de saúde, de segurança pública, do judiciário etc).</p>
<p>Mas voltemos agora àquele gancho lá do início, quando eu disse que 20º aniversário é um bom momento para fazer pela primeira vez alguma coisa.  Apliquemos o raciocínio sistêmico da Quinta Disciplina à política brasileira. De novo os poetas, agora Caetano, que tal? “Viva a bossa, sassá, eu vou lançar um <strong>movimento no Planalto Central do país.</strong>”</p>
<p>Pense, por exemplo, no <strong>aumento de 62%</strong> auto-concedido pelos nossos valorosos parlamentares, inclusive, para meu espanto, pelo deputado federal a quem dei meu precioso voto. O que conseguimos enxergar? <strong>Sem o olhar sistêmico</strong> veremos os efeitos de primeira ordem: remunerações que, nos casos de boa parte desses cidadãos, nada têm a ver com o valor que agregam para nossa sociedade.</p>
<p>Mas a <strong>Dinâmica de Sistemas apontaria mais do que isso</strong>: o aumento brutal do desequilíbrio entre esses salários e os de juízes, policiais, professores, médicos e outros servidores públicos que, com razão, irão reivindicar justas equiparações que, por sua vez, trarão desequilíbrios orçamentários gigantescos, pois o gasto público é majoritariamente formado por salários. Ou seja, redução na capacidade de investimento do Estado, a não ser que a Dilma faça um arrocho na taxa de juros. O cobertor é curto, como todos sabemos, mas o deputado que elegi certamente não pensou nisso quando deu o voto ao seu próprio aumento.</p>
<p>Tá certo? Não. A memória do povo é curta, como todos sabemos, e todos já se esqueceram dessa manchete dos 62% de algumas semanas atrás. Mais uma que passou. Outras virão, e disso as manchetes haverão de viver, pois coisas chatas como reforma política não dão ibope.</p>
<p>Mas os 62% podem nos motivar a <strong>não ficar parados. </strong>Outro poeta, agora Vandré, também já falava sobre conhecimento: “Vem, vamos embora, que <strong>esperar não é saber</strong>. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.</p>
<p><strong>Teremos novas eleições em 2012. Há o que fazer desde já.</strong></p>
<p>Em 2012, dependendo de ser aprovada em 2011 uma lei de iniciativa popular (como foi a da Ficha Limpa), poderemos então, talvez,<a href="http://www.causes.com/causes/564513-recall-dos-parlamentares"> <strong>deseleger (“recall”)</strong></a> parlamentares que não tenham se desempenhado à altura da representação que receberam. Mais importante que a questão do salário ter mais ou menos 62% é o papel alavancador que esses personagens têm, ou deixam de ter, na elaboração e definição de estruturas que condicionam a nossa qualidade de vida. Eles produzem sim, por exemplo, a aprovação do Código de Processo Penal, que finalmente cria condições para desafogar o nosso Judiciário. Isso merece um bom salário, mas não para todos. <strong>Meritocracia neles. Dá para ter isso.</strong></p>
<p>Veja os estudos do <a href="http://blogdoprofessorpeixoto.blogspot.com/2010/12/projeot-de-lei-de-iniciativa-popular.html">professor Marcos Peixoto, </a>de Direito Constitucional. Ele tem a experiência de ter fundado em 1989 a Associação pela Iniciativa Popular, que fez a campanha (sem internet&#8230;) que resultou na primeira Emenda Constitucional, de iniciativa popular. Teremos que ter cerca de 1.300.000 assinaturas para poder tramitar projeto de lei em 2011 para termos o <strong>“recall”</strong> em 2012. <a href="http://www.causes.com/causes/564513-recall-dos-parlamentares/about?m=b9e0f8dd">stamos começando a esquentar no Facebook, </a>ok?</p>
<p>Falando de aniversários, proporemos uma meta da campanha para a comemoração dos <a href="http://opiniaoenoticia.com.br/opiniao/artigos/a-danca-do-elefantinho/">5 anos da Dança do Elefantinho </a>no plenário da Câmara com a absolvição dos mensaleiros em 22/3/2006. Ora, eles sambam, nós também sambamos. Vamos, na base do samba, com humor, mas com confiança de que teremos capacidade de construir uma democracia em que o &#8220;todos são iguais perante a lei&#8221; não seja apenas declaração de intenção. É  construir História.</p>
<p>Sistemicamente. Yes, we can&#8230;</p>
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		<title>Pensamentogrupal, &#8220;A Onda&#8221; e Cesar Maia</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Aug 2009 23:50:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nos desafios para criação de ambientes para a inteligência organizacional, um dos temas que mais me fascinam é a irracionalidade e cegueira comuns no comportamento em grupos, e o fenômeno da dissonância cognitiva, que faz que as pessoas ajustem seu pensamento para validar o que fazem e sentem na prática. Um conceito que me marcou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">Nos desafios para criação de ambientes para a inteligência organizacional, um dos temas que mais me fascinam é a irracionalidade e cegueira comuns no comportamento em grupos, e o fenômeno da dissonância cognitiva, que faz que as pessoas ajustem seu pensamento para validar o que fazem e sentem na prática.</p>
<p class="MsoNormal">Um conceito que me marcou muito é o de <strong>pensamentogrupal</strong> (assim mesmo:  seria sacanagem traduzir <a href=" http://psysr.org/about/pubs_resources/groupthink%20overview.htm " target="_blank">Groupthink</a> para &#8220;pensamento grupal&#8221;). Vivo com freqüência os paradoxos deste fenômeno, desde o bullying nos tempos de escola até a visão das torcidas depredando bancas de jornal na Av. Paulista após o jogo.</p>
<p class="MsoNormal">Perco a calma ao ver aflorar a <strong>dobradinha prepotência- conformismo</strong> em reuniões de equipes <strong>hegemonizadas pelas entregas do PMBOK</strong>, ou até mesmo em grupos pacifistas que se tornaram internamente belicistas. Pressão do grupo contra visões que divergem do pensamento único dominante, autocensura (“fica quieto quem tem juízo”), exclusão, estigmatização, paranóia.  Dei um nome feio ao resultado disso para a inteligência coletiva:  <strong>“efeito esfíncter”</strong>, pois estreita os fluxos de idéias e de feedbacks, e asfixia a aprendizagem.  O<span> </span>blog da SocialText, um dos grandes players em ambientes para wikis corporativos, tem um texto muito bacana sobre isso: <a href="http://www.socialtext.net/mit-cci-hci/index.cgi?what_factors_inhibit_collective_intelligence" target="_blank">&#8220;Que fatores inibem a inteligência coletiva&#8221;</a> (em inglês),  do Prof. Thomas Malone do MIT,  que vem aí pela HSM.</p>
<p>O <span> </span>GroupThink pode ser dramático, como mostra <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Essence_of_Decision" target="_blank">“Essence of Decision: &#8211; Explaining the Cuban Missile Crisis”</a> (Graham Allison, 1971 e 1999). Tragédias nacionais e corporativas podem ser associadas à teimosia e arrogância de líderes e à conformidade (palavra tão na moda &#8211; &#8220;compliance&#8221;, hehehe) de suas equipes. Vale a pena ler o clássico<a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/82532/marcha+da+insensatez:+de+troia+ao+vietna?franq=262069" target="_blank"> &#8220;Marcha da Insensatez: de Tróia ao Vietnã&#8221;</a>,  de Barbara Tuchman (a Submarino não tem mas sua resenha é ótima). Suas lições aplicam-se ao mundo PMI e BSC levados a ferro e fogo.</p>
<div id="attachment_255" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-255" title="grooupthink1" src="http://sergiostorch.com/wp-content/arquivos/grooupthink1-300x223.jpg" alt="Por que nos preocuparmos com o pensamentogrupal?" width="300" height="223" /><p class="wp-caption-text">Por que nos preocuparmos com o pensamentogrupal?</p></div>
<p class="MsoNormal">Pois então. Assisti nesta semana o imperdível “<a href="http://www.seguindoaonda.blogspot.com/" target="_blank">A Onda”</a> (bem comentado também <a href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm" target="_blank">aqui</a>. E hoje li o artigo “Transformismo”, do Cesar Maia.<span> </span></p>
<p class="MsoNormal">“A Onda” é um filme situado numa cidade alemã, mas baseado numa história que realmente aconteceu nos Estados Unidos. Um professor jovem e alegre, amigão de seus alunos, recebe a incumbência de dar um curso de uma semana sobre autocracia. Tem a genial idéia de simular um ambiente autocrático de fato. O filme me lembra o que estudei em psicologia social sobre as experiências de <a href="http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2009/06/experimentos-em-psicologia-stanley-milgram-e-o-choque-de-autoridade.html" target="_blank">Stanley Milgram com a predisposição à tortura</a> (o blog do Rodolfo Araújo é um tesouro de relatos saborosos desse tipo de experiências  &#8211; veja também seu  post sobre  <a href="http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2009/07/experimentos-em-psicologia-phil-zimbardo-e-o-efeito-lucifer.html" target="_blank">Phil Zimbardo</a>.  <span>Em &#8220;A Onda&#8221;, </span>a experiência com os alunos gera um clima com efeitos para fora da escola que o professor não consegue mais controlar. É nitidamente um caso de aprendiz de feiticeiro. O filme revela a dinâmica do desencadeamento de emoções e identificações patológicas, das neuras autoritárias que cada um carrega, e até mesmo das rupturas de lealdades entre namorados, no campo de forças polarizado entre quem está conosco e quem está contra nós.<span> </span>Freud explica, nas crônicas do <a href="http://contardocalligaris.blogspot.com/2004_05_01_archive.html" target="_blank">Contardo Calligaris</a>.</p>
<p class="MsoNormal">Ao passarmos dos grupos para níveis superiores de organização social, essa irracionalidade se torna mais complexa. Nas organizações, valores e normas explícitas ou tácitas influenciam de forma decisiva o comportamento. E aí chegamos aos <a href="http://sergiostorch.com/referencias/burocracia-eduardo-galeano/" target="_blank">paradoxos kafkianos</a> tão comuns às organizações burocráticas.  Considere o efeito que tem sobre os executivos a trimestralidade dos resultados para o mercado, ou o destaque dado a indicadores tradicionais em detrimento de outros, menos tangíveis (vamos combinar: a inovação do <span> </span>Balanced Scorecard, que introduz metas e indicadores não financeiros, nem sempre é tratado a sério. Se na sua empresa as metas de aprendizagem são para valer, me traga o caso, pois é exceção).</p>
<p class="MsoNormal">No nível societal, mais um complicador: as instituições que dão forma aos jogos de poder. Veja o artigo de hoje, <a href="http://arquivoetc.blogspot.com/2009/08/transformismo-cesar-maia.html " target="_blank">“Transformismo”, <span> </span>de Cesar Maia</a> .  Ele comenta o livro “Mussolini e a Ascensão do Fascismo” de Donald Sassoon, mostrando a verossimilhança de uma virada fascista num país com sistema político bem parecidinho com o nosso, e faz pensar como podemos estar a poucos graus de distância de um golpe<span> </span>como o de Mussolini. Tendo ganho 6,5% dos votos em maio de 1921, Mussolini, parte minoritária da então “base aliada”, entra em Roma em outubro de 1922 numa marcha encenada, e no dia seguinte é nomeado primeiro ministro, “ocupando o vácuo criado pela despolitização “transformista”.</p>
<p class="MsoNormal">Bem preocupante, em tempos de mensalões e &#8220;governabilidade&#8221; à la Sarney.</p>
<p class="MsoNormal">Nos grupos, nas organizações e na sociedade, o que entra em cena é o chamado poder do contexto. Não somos racionais. Nos transformamos, conforme o contexto em que estamos. <span> </span>Malcolm Gladwell, em “O Ponto da Virada”, traz o paradoxo da queda abrupta da violência urbana em Nova Iorque nos anos 90, quando a Prefeitura e a Polícia adotaram a “teoria das janelas quebradas”: consertar tudo que estava quebrado ou pixado, para reverter o contexto de abandono que eles viam como base para a violência. Deu certo. Foi a famosa “Tolerância Zero” (interpretada de forma deturpada nas campanhas do Maluf), acompanhada por ações semelhantes ao que vem sendo feito em Bogotá e na favela de Heliópolis, ao plantar bibliotecas e centros de cultura. Pois então: os criminosos não foram embora de Nova Iorque, mas a criminalidade diminuiu.<span> </span>Transformação de acordo com o contexto.</p>
<p class="MsoNormal">Você poderá fazer o conhecimento em sua organização fluir, se ela tem<span> </span>um contexto gerador do efeito esfíncter?</p>
<p class="MsoNormal">Não há gestão do conhecimento que não passe pelo planejamento e gestão da mudança do contexto: mudar o processo decisório, mudar formas de reconhecimento e premiação, diluir barreiras culturais à livre expressão, coaching para mudar a cabeça de gerentes.</p>
<p class="MsoNormal">Quer explorar mais sobre o poder do contexto? Leia alguns capítulos de “O Ponto da Virada”, do Malcolm Gladwell, ou leia as resenhas no <a href="http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/" target="_blank">blog do Rodolfo</a>.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Trata-se, em suma, nos grupos, organizações e sociedades, do efeito perverso da obediência e da conformidade com a pressão grupal.  Dado o contexto favorável, todos nós somos suscetíveis. como mostram &#8220;A Onda&#8221; e essas experiências. Mais a respeito disso? Sugiro ler também <a href="http://contardocalligaris.blogspot.com/2009/02/trotes-de-calouros.html" target="_blank">&#8220;Trote de calouros&#8221;</a> e <a href="http://contardocalligaris.blogspot.com/2004/05/os-tarados-de-abu-ghraib.html" target="_blank">&#8220;Os tarados de Abu Ghraib&#8221;</a>, do Contardo Calligaris, e<a href="http://azel.blogspot.com/2007/04/o-monstro-interior.html" target="_blank"> &#8220;O monstro interior&#8221;</a>, no blog do Rodrigo, que achei no Google.</p>
<p>Bem, como dizia o grande Júlio Gouveia no seu Teatro da Juventude da TV Tupi dos domingos na década de 50: &#8220;entrou por uma porta, saiu pela outra, quem quiser que conte outra&#8221;.</p>
<p>Até a próxima!</p>
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