<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Vou vivendo... &#187; Inteligência societal</title>
	<atom:link href="http://sergiostorch.com/category/inteligencia-coletiva/inteligencia-societal/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://sergiostorch.com</link>
	<description>Gestão do conhecimento dá samba...</description>
	<lastBuildDate>Thu, 19 Apr 2012 19:00:05 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.1.3</generator>
		<item>
		<title>A oportunidade à nossa frente: adotar Israel e Palestina</title>
		<link>http://sergiostorch.com/a-oportunidade-a-nossa-frente-adotar-israel-e-palestina/</link>
		<comments>http://sergiostorch.com/a-oportunidade-a-nossa-frente-adotar-israel-e-palestina/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 27 Jun 2011 21:40:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Inteligência societal]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://sergiostorch.com/?p=423</guid>
		<description><![CDATA[Andei estudando. Retomo minha proposta de desenvolvimento de uma diplomacia brasileira para a questão Israel-Palestina, baseada na noção de sociedade em rede. É uma diplomacia não restrita ao que convencionalmente se entende por esse termo (a relação oficial entre governos). Neste post, o penúltimo  da minissérie, darei um breve panorama do processo de resolução do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Andei estudando. Retomo minha proposta de desenvolvimento de uma diplomacia brasileira para a questão Israel-Palestina, baseada na noção de sociedade em rede. É uma diplomacia não restrita ao que convencionalmente se entende por esse termo (a relação oficial entre governos).</p>
<p>Neste post, o penúltimo  da minissérie, darei um breve panorama do processo de resolução do conflito (nada é eterno!), tratarei dos contornos gerais da proposta de diplomacia em rede e direi como vejo essa oportunidade para o Brasil e por que entendo que é &#8220;para o nosso bico&#8221;. No próximo e último post, &#8220;Garrafas ao Mar&#8221;, apresentarei ideias que podem compor essa diplomacia da sociedade em rede e nos posicionar como parceiros de israelenses e palestinos na nova etapa de suas histórias.</p>
<p>Mas antes de entrar na diplomacia: há uma dissonância, não? <strong>Como assim, adotar Israel e  Palestina? Não são inimigos? </strong>Não, amigo, pode faltar pouco para que isso seja coisa do passado. Veja este <a href="http://www.geneva-accord.org/">site de duas ONGs, uma israelense e outra palestina.</a> Pode haver um revertério, mas o presidente Obama não desejará ter tal fiasco ao enfrentar as urnas em 2012. E o tempo corre.</p>
<p>Agora a diplomacia da sociedade em rede. Este é o momento em que tudo é possível, desde a paz definitiva até a explosão de uma terceira intifada e um banho de sangue, que atores como o Irã podem estar torcendo para acontecer&#8230;</p>
<p>Depende da somatória de pequenos movimentos, um pra lá, dois pra cá&#8230; um passinho da oposição israelense, um passinho da França, um passinho de uma ONG norteamericana, um gesto&#8230;</p>
<p>Podemos entrar nesse ballet, e aí vem a proposta. É uma diplomacia <strong>não entre os governos </strong>(embora possa inclui-los), e sim entre pessoas, pessoas em rede, nas sociedades brasileira, israelense e palestina. E por que não em outras  engajadas no mesmo propósito? Talvez, sem perceber, você já a esteja fazendo: para começar é só  convidar um amigo para <a href="http://www.justvision.org/home?quicktabs_1=1">assistir em casa um filme, por exemplo, &#8220;Budrus&#8221;. </a>Repare a  rede: essa ONG, <a href="http://www.justvision.org/">Just Vision</a>, formada por israelenses e uma brasileira,  fez o filme. Assisti e vi no site que há uma estratégia (e até um manual) para sua  utilização. Comprei a ideia, pus no meu Facebook, pus neste post. Você  leu, comprou o filme, e contaminou mais um amigo com uma nova  compreensão da dinâmica desse conflito e da humanidade de seus  personagens. Agora vamos multiplicar isso, e haverá a emergência de  novos tipos de ações, e palestras, e exibições em escolas, e divulgação  na rede de funcionários da multinacional XYZ, de repente o Roberto Carlos que vai pra lá em agosto, e gente se conhecendo, e  negócios surgindo&#8230; esta é a diplomacia em rede.</p>
<p>E por que<strong> da sociedade </strong>em rede?  Porque em dados momentos esse processo deixa de ser apenas entre  indivíduos e passa a envolver instituições: ao ler o jornal (uma  instituição)  as pessoas já terão outros filtros; a diretoria de uma  instituição pode ser pressionada para assumir outras posições; uma empresa multinacional pode integrar esse debate em seu programa de responsabilidade social, já que tem colaboradores em Israel e em países árabes. Na hora de uma enquete ou de uma eleição, maiorias  viram minorias, e minorias viram maiorias.</p>
<p>Ou seja, podemos ter uma diplomacia construída por uma  <strong>pluralidade de atores individuais e coletivos da sociedade brasileira,  em conexão com atores individuais e coletivos das sociedades israelense e  palestina. </strong>A força de tal diplomacia pode agregar força à  diplomacia feita institucionalmente, nos momentos em  que elas se articulem.  Não estou inventando, e sim aplicando conceitos que hoje borbulham na chamada <a href="http://escoladeredes.ning.com/video/o-poder-dos-seis-graus-1">ciência das redes </a>e nas novas teorias organizacionais (Clay Shirky, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=sPQViNNOAkw&amp;feature=related"><strong>“Institutions and Collaboration”</strong></a>,  2005).</p>
<h2>Por que isso é uma oportunidade para o Brasil?</h2>
<p>O motivador da proposta é a minha percepção de uma janela de oportunidade para nós, brasileiros, termos um protagonismo diferenciado, compreendendo nossas empresas, governos e Terceiro Setor. Ela se dá no contexto de 3 a 18 meses, neste momento <strong>do processo de pacificação entre Israel e Palestina </strong>que, embora esteja muito próximo de um final feliz, empaca em <strong>impasses e riscos que requerem pressões externas</strong>. Várias <a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/05/personalidades-israelenses-exortam-europa-a-reconhecer-estado-palestino.html"><strong>lideranças da sociedade israelense  têm feito manifestações </strong></a>apelando para a pressão internacional , uma vez que o governo Netanyahu tem se mostrado inapto para finalizar as negociações que levarão à criação do Estado Palestino. <strong>A sociedade israelense está cindida. </strong>O governo nacionalista vem procrastinando as negociações para o estabelecimento do Estado Palestino, e os palestinos provavelmente recorrerão à Assembléia Geral da ONU, em setembro. Mas 48% da população da população israelense apóia a criação do Estado Palestino antes de setembro. Em abril uma frente de lideranças políticas e intelectuais, incluindo militares de alta patente, lançou, à revelia do governo, a <a href="http://israelipeaceinitiative.com/israeli-peace-initiative-english/the-israeli-peace-initiative-english/">Iniciativa israelense de Paz </a>, ecoando a Iniciativa Árabe de Paz lançada em 2002 e reafirmada em 2007 (o plano saudita).</p>
<p>O fator que vem retardando o desenlace pacífico dessa história de 63 anos de conflitos é a inflexibilidade do governo Netanyahu em relação à suspensão da construção de moradias nos territórios ocupados. Seu comportamento é ostensivo: na véspera da visita do presidente Shimon Peres à Casa Branca, o<a href="http://www.nytimes.com/2011/04/05/world/middleeast/05mideast.html"> governo anunciou novo lote de construções </a>, e exatamente em Jerusalém Oriental, um dos pontos mais nevrálgicos nas negociações.</p>
<h2>Mas por que nós?</h2>
<p>Mas por que nós, brasileiros, que temos tantos problemas domésticos mal resolvidos, podemos achar que temos algo a contribuir naquele lugar tão complicado? Minha resposta a esta pergunta freqüente e fundamental começa por propor um olhar positivo para a questão Israel-Palestina, em vez de encará-la como um grande imbróglio insolúvel.</p>
<h2>As oportunidades para o Brasil</h2>
<p>Naquela terrinha do tamanho de Sergipe há um espaço de oportunidades a serem cultivadas para gerar benefícios por muitos anos, para nós e para israelenses e palestinos.</p>
<ol>
<li><strong>Israel</strong>,      esse pequeno país de 7 milhões de habitantes, com algumas das melhores      universidades, hospitais e laboratórios de pesquisa do mundo, nos      interessa. Como sugerem os depoimentos no livro “Nação Empreendedora”  (&#8220;Startup Nation &#8211; The Story of Israel´s Economic Miracle&#8221;, de 2009),      Israel é o lugar onde toda empresa inovadora deve ter um pé. Mais: por ser      pequeno, Israel é também um país aberto ao comércio exterior, e suas      empresas têm o DNA da extroversão para todas as formas de parcerias com      empresas de fora.</li>
<li>A <strong> Palestina</strong>, embora pequena e pobre, também nos interessa, por outros      motivos: os palestinos adquiriram, pela própria tragédia, um glamour único nos mundos árabe e      islâmico , e com isso eles têm o potencial      de serem uma ponte para todo esse mercado de 1 bilhão de habitantes. Os      palestinos se destacam como o povo mais intelectualizado e mais moderno do mundo árabe (talvez até mesmo como fruto da convivência de 100 anos com um povo europeizado). A      diáspora de 7 milhões de palestinos está presente em todos os países      árabes, e nela estão os engenheiros, cientistas e médicos mais valorizados.      Temos aqui um capital humano de 50.000 palestinos, que têm vasos comunicantes com      os que vivem hoje no que será o Estado Palestino. Os empreendedores dessa      sociedade de 3,8 milhões que lá vivem estarão ávidos por parcerias que      tragam conhecimento e gestão para acelerar o amadurecimento de suas      empresas.</li>
<li>As <strong>instituições      do novo Estado Palestino </strong>são um mercado para todas as inovações que temos      feito em nossos governos: Programa Saúde da Família, governo eletrônico,      voto eletrônico, logística de transportes, Declaração de Imposto de Renda, Bolsa Família      etc. Haverá financiamentos mundiais para a construção do novo Estado, cujo caráter democrático é estrategicamente importante para o Ocidente. Esse tratamento preferencial a ser dado ao Estado Palestino propiciará oportunidades de cooperação em que somos bons candidatos para      transmitir e aprender com experiências do lado de lá. E pense: quais são os benchmarks de governo em que eles querem se basear? os sírios? talvez os turcos. Certamente não os americanos. Mas por que não os brasileiros?</li>
<li>As<strong> necessidades de infraestrutura </strong>serão significativas. Vale como exemplo o      projeto do <a href="http://www.globes.co.il/serveen/globes/docview.asp?did=908739">corredor que ligará a faixa de Gaza à Cisjordânia </a>e integrará todas      as suas principais cidades, com investimento estimado pela Rand      Corporation em US$ 33 bilhões em 10 anos. Outras ainda maiores estão no gerenciamento dos recursos hídricos, no sistema educacional etc.</li>
</ol>
<p>Enfim: há um surto de desenvolvimento econômico pela frente. Mas veja o que diz  a <strong>Iniciativa Israelense de Paz </strong>(31/3/11), nos seus Princípios de Desenvolvimento Econômico:</p>
<blockquote><p><em>“Com base em apoio economico significativo provido pela comunidade internacional, as partes implementarão projetos de cooperação regional em larga escala, para assegurar a estabilização, a viabilidade e a prosperidade da região, e paraobter utilização otimizada dos recursos de <strong>energia </strong>e de <strong>água </strong>para o benefício de todas as partes.  Esses projetos melhorarão a infraestrutura de <strong>transportes</strong>, a <strong>agricultura</strong>, a <strong>indústria </strong>e o <strong>turismo regional, </strong>respondendo assim ao perigo crescente de desemprego na região. No futuro, as partes criarão o <strong>Bloco para o Desenvolvimento Econômico do Oriente Médio </strong>(convidando a participação de todos os países do Oriente Médio), com vista a conquistar um status especial junto à União Europeia, aos Estados Unidos e à comunidade internacional”.</em></p></blockquote>
<h2>Mas é para o nosso bico?</h2>
<p>Sem dúvida alguma. Mesmo que os brasileiros enquanto sociedade não tenhamos ainda assimilado a plena compreensão do que já somos, os dados que já existem em <a href="http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI206966-16642,00-A+NOVA+MULTINACIONAL+BRASILEIRA.html">estudos sobre as multinacionais brasileiras </a>são eloqüentes sobre “o nosso bico”.</p>
<p>Além das óbvias Gerdau, Odebrecht, Natura, Petrobras e Vale, há dezenas de outras que vêm se globalizando através de fusões e aquisições, e que hoje operam mundialmente.</p>
<p>Já que falei de infraestrutura trago um exemplo pertinente que conheço de perto: a Logos Engenharia, comprada e associada à holandesa Arcadis, tem hoje 200 funcionários na construção do porto de Omã. A Logos/|Arcadis não poderá ter 10 vezes mais em soluções de engenharia e logística para a Palestina?</p>
<p>E um exemplo em indústria de bens de consumo: uma empresa como a Natura, afiada na gestão de um exército de 1 milhão de revendedoras, tem o tipo de atividade ideal para gerar empregos femininos para mulheres ainda presas ao lar, como deve ser grande parte das mulheres palestinas.</p>
<p>Empresas como essas que citei, ao lado de muitas outras, são “o nosso bico”, além do espaço enorme para pequenas e medias empresas a serem formadas para produzir na Palestina e exportar e importar tirando proveito da forte presença que temos da língua árabe no Brasil, e também para agregar valor às inovações israelenses com brasileiros que falam hebraico.</p>
<p>O Brasil já tem presença forte e concentrada em regiões como os países africanos de língua portuguesa, mas o potencial que existe para nós no Oriente Médio em círculos concêntricos em torno de Israel-Palestina merece ser bem avaliado, porque talvez seja o de melhores oportunidades.</p>
<h2>E então,  o que fazer?</h2>
<p>Podemos atuar para mudar, pouco a pouco, as opiniões nas comunidades envolvidas que estão ao nosso lado, que têm conexões lá no teatro do conflito. No próximo post direi o que penso de algumas estratégias que podem atrair o interesse de empresas, governos e do Terceiro Setor, e nas quais possamos praticar a nossa diplomacia em rede, eu e você.</p>
<p>Mas o primeiro passo é compreender o momento.</p>
<h2>Revisitando uma década de violência</h2>
<p>No ano 2000 o conflito Israel-Palestina poderia ter se encerrado, e esses 11 anos  de violências e sofrimentos teriam sido uma década de paz e prosperidade. O que aconteceu? Foi o último ano do governo Clinton. O líder palestino Yasser Arafat não pôde, ou não quis, aceitar as condições oferecidas por Israel sob a égide dos Estados Unidos em Camp David. E ao final do ano não havia mais tempo, pois foram eleitos Bush nos Estados Unidos e Sharon em Israel. Você que acompanha a mídia sabe o que aconteceu: homens-bomba, invasão de Gaza, caça aos terroristas fazendo vítimas civis, e aos pouquinhos um processo lento de <strong>deslegitimação da existência de Israel. </strong>Nos Estados Unidos, o governo Bush. Acho que a metáfora do sapo na fervura, no meu post <a href="../../gaza-sensemaking-e-inteligencia-coletiva/">&#8220;Gaza, sensemaking e inteligência coletiva&#8221;</a>, de 2009&#8243;, retrata bem a situação.</p>
<p>Em 2011 estamos num outro momento, com oportunidade semelhante, mas com algumas diferenças essenciais:</p>
<ul>
<li><strong>há      mais tempo no calendário eleitoral norteamericano. </strong>Clinton promoveu Camp David às vésperas das eleições que perdeu para Bush. Obama está adiantado em 1 ano. Por outro lado, Israel estava com o partido trabalhista, e agora está com a direita nacionalista, que não hesita em chantagear Obama com o voto de 2012. Obama tem na mão a oportunidade mais favorável de encerrar o conflito, mas não pode perder votos à direita. Há cartas na manga: a França entra em cena, com o plano de Genebra requentado mais uma vez. <strong>E por que não o Brasil também?</strong></li>
<li>pela      primeira vez em 100 anos de convivência entre Israel e os árabes, há a      disposição dos países árabes em reconhecer Israel, formulada na Iniciativa      Árabe de Paz (o plano saudita, apresentado em 2002 e novamente em 2007).</li>
<li>há as incertezas das revoluções da Primavera Árabe. Curioso: Netanyahu as viu como ameaças, mas a outra metade da sociedade israelense a viu de forma positiva.</li>
<li>a frente      formada em 2001 entre os líderes israelenses e palestinos que negociaram o      que veio a ser chamado <a href="http://www.geneva-accord.org/images/file/Moratinos%20document.pdf">Acordo de Taba</a>, em torno das questões mais      sensíveis do conflito: fronteiras, refugiados, Jerusalém. Essa frente      construiu a <a href="http://www.geneva-accord.org/mainmenu/summary">Iniciativa de Genebra</a>, que consolidou esses acordos em 2003, e      que continua unida. Os acordos têm hoje o <a href="http://www.geneva-accord.org/mainmenu/palestinian-public-opinion-survey-comissioned-by-the-geneva-initiative">apoio de 56% da população palestina</a>, e de  <a href="(http://www.geneva-accord.org/mainmenu/israeli-polls/">54% da      população israelense</a>.      Para apoio a partes do pacote de Genebra, os apoios têm percentuais ainda maiores.</li>
<li>A década      passada teve a ascensão do Hamas, facção radical que não se dispõe a      reconhecer Israel. O Hamas venceu eleições e passou a governar a faixa de      Gaza. A popularidade do Hamas está em declínio.</li>
<li>A resistência      palestina contra o ocupante israelense (mas com apoio de setores israelenses anti-ocupação) vem ensaiando e tendo sucesso com a      estratégia de resistência não-violenta (<a href="http://video.nytimes.com/video/2010/07/30/opinion/1247468533917/waiting-for-gandhi.html">&#8220;Waiting for Gandhi&#8221;</a> &#8211; Nicholas Kristof no New York Times, 10 july 2010). Ainda nesta semana tivemos a notícia de uma vitória da aldeia de Bil´in que forçou o Exército israelense a mudar de planos. O filme Budrus é eloquente sobre isso.</li>
<li>setores da sociedade      israelense têm apoiado essas formas de resistência, dessa forma facilitando aproximações pontuais      entre israelenses e palestinos. A cinematografia israelense é abundante em produções que ilustram isso (&#8220;Lemon Tree&#8221;, &#8220;Valsando com Bashir&#8221;, &#8220;Promessas de um novo mundo&#8221;, o já citado &#8220;Budrus&#8221; e muitos outros).</li>
</ul>
<p>Não é mais correto considerar que ser pró-palestino é ser anti-israelense, ou vice versa. Aliás, criou-se um <a href="http://www.jstreet.org/">forte lobby judaico nos Estados Unidos, que destaca a ruptura dessa ideia superada: é pró-israelense, pró-palestino. </a>E esse lobby é assumidamente sionista, em eco com grande parcela da sociedade israelense.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Bem, vamos falar de coisas práticas no próximo post.</p>
<h2>Leia os posts anteriores desta minissérie:</h2>
<ol>
<li><a title="Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede" href="../../empreendedorismo-para-nosso-capital-intelectual-e-o-oriente-medio-0/" target="_blank">&#8220;Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede&#8221;.</a><em> </em></li>
<li><a title="Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades" href="../../empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-2/" target="_blank">“Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades”</a></li>
<li><a title="Um diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender" href="../../empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-3/" target="_blank">“Diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender”</a>.</li>
<li><a href="http://sergiostorch.com/empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-4/">&#8220;Empreendedorismo e sua ancestralidade&#8221;</a></li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://sergiostorch.com/a-oportunidade-a-nossa-frente-adotar-israel-e-palestina/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>10</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Empreendedorismo &#8230; capital intelectual&#8230; Oriente Médio &#8211; 4</title>
		<link>http://sergiostorch.com/empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-4/</link>
		<comments>http://sergiostorch.com/empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-4/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 23 Feb 2011 21:48:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conversações]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência Coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência societal]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://sergiostorch.com/?p=403</guid>
		<description><![CDATA[.. Leia os demais posts desta minissérie: &#8220;Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede&#8221;. &#8220;É um mercado sedento de serviços de alto valor agregado. Nós falamos árabe, nós falamos hebraico. Nós temos o melhor voto eletrônico. Nós ensinamos pipoqueiros a fazerem fluxo de caixa. Nós temos engenharia. Temos também e-business. Nós somos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>..</h3>
<h3>Leia os demais posts desta minissérie:</h3>
<ol>
<li><strong><a title="Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede" href="../../empreendedorismo-para-nosso-capital-intelectual-e-o-oriente-medio-0/" target="_blank">&#8220;Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede&#8221;.</a></strong><em><strong> </strong>&#8220;É um mercado sedento de serviços de alto valor agregado. <strong>Nós </strong>falamos árabe, <strong>nós </strong>falamos hebraico. <strong>Nós</strong> temos o melhor voto eletrônico. <strong>Nós </strong>ensinamos pipoqueiros a fazerem fluxo de caixa. <strong>Nós </strong>temos engenharia. Temos também e-business. <strong>Nós </strong>somos insuspeitos para vendermos paz e democracia, enquanto os outros vendem armas.</em></li>
<li><strong><a title="Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades" href="../../empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-2/" target="_blank">“Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades”</a> </strong>onde  falei da onda de mudanças que varre o Oriente Médio, e da inexistência  de um futuro, que está por ser construído por muitos atores, e a nós  brasileiros, na nossa sociedade em rede, cabe um papel. <strong><em>Qual a parte que nos cabe neste latifúndio?</em></strong></li>
<li><strong><a title="Um diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender" href="../../empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-3/" target="_blank">“Diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender”</a></strong>. Conversando com minha nora sobre as riquezas do Brasil em capital intelectual. As carências no atendimento às necessidades de nossa população não justificam o papel secundário que desempenhamos na exportação de nossa inteligência.</li>
</ol>
<h1>4. Empreendedorismo e sua ancestralidade</h1>
<p>O velhinho que meus filhos aprenderam a chamar de “tio Carlinhos” twittou em 1845 essa frase que viria a ser conhecida como a “quarta tese de Marx sobre Feuerbach”. Dizia isso, sem ultrapassar os 140 caracteres:</p>
<blockquote><p><em><strong>&#8220;Filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diversas maneiras; mas o que importa é transformá-lo&#8221;. </strong></em></p></blockquote>
<p>O Schumpeter recebeu o tweet 100 anos depois, e os seus “curti” e comentários estão lá no GhostBook.</p>
<p>Simples assim. Intelectual não entende de fazer, entende de pensar. <strong>Transformar tem a ver não com intelectuais, mas com empreendedorismo.</strong></p>
<p>Sou meio atrevido e voluntarista. But I´m not the only one. Acredito na antropóloga Margaret Mead:</p>
<p><strong><em>&#8220;  Nunca duvide que um pequeno grupo de pessoas engajadas e comprometidas possa mudar o mundo. De fato, nada mais além disso pode tanto&#8230;&#8221; </em>(Margaret Mead) </strong></p>
<p><strong>_________     pausa    __________<br />
</strong></p>
<h3>Im ein ani li mi li?</h3>
<p>Como Raul Seixas, também nasci há 10.000 anos atrás. Você também, concorda? Habemus historia.  Lá atrás eu aprendi com um sábio judeu , Hilel, o seguinte:</p>
<blockquote><p><strong>“Se não for eu por mim, quem será? </strong><strong>(“Im ein ani li, mi li”) </strong><strong>E se não for agora, então quando?” <span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;">E, se somente por mim, o que eu sou? (começou a história de sustentabilidade). E, se não for agora, quando?”</span></strong></p></blockquote>
<p>Nada mais do que uma encarnação antiga do Vandré:</p>
<p>“Vem, vamos embora,</p>
<p>que esperar não é saber,</p>
<p>Quem sabe faz a hora</p>
<p>Não espera acontecer”.</p>
<p>Hilel era um rabino tão importante que dele se conta a seguinte historinha: chegou a ele um gentio, depois de passar pela loja de um concorrente, um tal de Shamai, por quem o gentio não tinha sido muito bem atendido. Perguntava o gentio ao bom Hilel: “Rabino, tenho pressa. O senhor consegue me explicar em conversa de elevador: o que é o judaísmo”? E respondeu-lhe o mestre, olhando para o marcador dos andares: “Não faças aos outros o que não queres que te façam. Todo o  resto são detalhes”.</p>
<p>Sim, dizem que foi ele. O Shamai, da loja vizinha, detestava o Hilel. Detesta até hoje. Entre outras coisas, porque o Hilel gosta do povo de Gaza (falaremos disso no próximo post).  Hilel gosta de todo mundo. Ele tinha suas partes preferidas da Torá, que falavam da solidariedade aos vizinhos, do amor ao próximo. O Shamai tinha lido outras partes da Torá, em que um Deus vingador mandava matar os inimigos.  O Hilel não dava bola para essas partes.</p>
<p>O Hilel não quer que seus discípulos façam ao povo de Gaza o que não querem que lhes façam. E já que vamos falar de Gaza no próximo post, é bom saber que lá em Israel tem a turma do Hilel e a turma do Shamai. Os do Shamai estão no governo fazendo (e falando &#8211; mas se fosse só falando tava bom&#8230;) bobagens. Os do Hilel fazem sinfônicas e escolas com membros israelenses e palestinos, além de proteger aldeias palestinas das demolições da turma do Shamai .  Os do Hilel gostam de conversa, eles sabem que conversa é a base do aprendizado e do conhecimento. Com os do Shamai, não tem conversa. Veja o premiado documentário <a href="http://www.prweb.com/releases/2011/02/prweb5013264.htm"><em><strong>Budrus</strong></em></a>, dirigido pela brasileira Júlia Bacha (ói nóis, de novo, exportando capital intelectual&#8230;)  Taí, Israel tem dessas coisas que o Irã e a Líbia não têm.  Quer mais sobre <a href="http://www.chazit.com/cybersio/chazal/hilleleshammai.html" target="_blank">Hilel e Shamai</a>?</p>
<p>Pois é: o velho Hilel ensinava, além disso, <strong>empreendedorismo</strong>.   Como o Vandré e o tio Carlinhos.  <em><strong></strong><strong>Se o Hilel fosse explicar o que é empreendedorismo numa conversa de elevador, usaria o “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” do Vandré.</strong></em></p>
<p>Khalil Gibran, o grande poeta do mundo árabe e muçulmano, ensinava coisas parecidas. Podem ser resgatadas. Saindo um pouquinho da história do empreendedorismo (no próximo post voltaremos a ela), faço um comercial: a turma do Hilel no Brasil começou, num evento  da rede <a href="http://judaismohumanista.ning.com/" target="_blank">Judaísmo Humanista </a>que fizemos  6ª feira passada, com a Analu Lacombe, pesquisadora e contadora de histórias  (economia criativa em microempresas: <a href="http://www.fazeconta.art.br/">www.fazeconta.art.br</a> contando histórias da dobradinha Martin Buber (um Hilel moderno)  e Khalil Gibran. E neste domingo a Analu estará num bistrô contando Clarice Lispector.</p>
<p>Bem, espero ter sido convincente lá atrás sobre as potencialidades do <strong>capital intelectual do Brasil nas relações com o Oriente Médio. Para desfrutarmos os benefícios, é necessário empreendedorismo da sociedade brasileira em rede.  SE NÃO AGORA, QUANDO?<br />
</strong></p>
<p><strong>Falta agora dizer: por que o Brasil adotar Gaza?</strong></p>
<p>Vou dizer, mas agora darei um intervalo de 3 dias para que você possa fazer uma viagem &#8220;De Volta ao Futuro&#8221;, e ler <a title="Gaza, sensemaking e a inteligência coletiva" href="http://sergiostorch.com/gaza-sensemaking-e-inteligencia-coletiva/" target="_blank">&#8220;Gaza, sensemaking e inteligência coletiva&#8221;)</a>, que escrevi há 2 anos. É o preâmbulo para o próximo post, e você poderá se distrair com um passeio pela Gestão do Conhecimento.</p>
<p><strong>Não deixe de visitar nessa viagem o filminho que está no post: a turma de Hilel cantando e dançando com a turma do Khalil Gibran. Estão abertas as portas para nosso samba e nossa capoeira em Gaza. O mercado também para nossa economia criativa&#8230;</strong></p>
<p>Bem, se você chegou até aqui, agora aguente firme, pois faltam apenas mais dois posts.</p>
<p>5. “Brasileiros comem pelas beiradas. Vamos adotar Gaza?”</p>
<p>6.  “Jogue também sua garrafa ao mar”</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://sergiostorch.com/empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-4/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>3. Diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender</title>
		<link>http://sergiostorch.com/empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-3/</link>
		<comments>http://sergiostorch.com/empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-3/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 22 Feb 2011 15:23:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Inteligência Coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência societal]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://sergiostorch.com/?p=386</guid>
		<description><![CDATA[Leia os demais posts desta minissérie: &#8220;Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede&#8221;. &#8220;É um mercado sedento de serviços de alto valor agregado. Nós falamos árabe, nós falamos hebraico. Nós temos o melhor voto eletrônico. Nós ensinamos pipoqueiros a fazerem fluxo de caixa. Nós temos engenharia. Temos também e-business. Nós somos insuspeitos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Leia os demais posts desta minissérie:</h3>
<ol>
<li><strong><a title="Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede" href="../../empreendedorismo-para-nosso-capital-intelectual-e-o-oriente-medio-0/" target="_blank">&#8220;Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede&#8221;.</a></strong><em><strong> </strong>&#8220;É um mercado sedento de serviços de alto valor agregado. <strong>Nós </strong>falamos árabe, <strong>nós </strong>falamos hebraico. <strong>Nós</strong> temos o melhor voto eletrônico. <strong>Nós </strong>ensinamos pipoqueiros a fazerem fluxo de caixa. <strong>Nós </strong>temos engenharia. Temos também e-business. <strong>Nós </strong>somos insuspeitos para vendermos paz e democracia, enquanto os outros vendem armas.</em></li>
<li><strong><a title="Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades" href="../../empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-2/" target="_blank">“Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades”</a> </strong>onde falei da onda de mudanças que varre o Oriente Médio, e da inexistência de um futuro, que está por ser construído por muitos atores, e a nós brasileiros, na nossa sociedade em rede, cabe um papel. <strong><em>Qual a parte que nos cabe neste latifúndio?</em></strong></li>
</ol>
<h1>3. Diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender</h1>
<p>Dirão que deliro. Já sei. Porisso, em vez de um jargão que às vezes encobre o nada, resolvi traduzir em miúdos, aproveitando a conversa que tive com minha nora no sábado passado, às 5 da madrugada. Eu a levava com meus netos, da Granja Viana para a despedida no aeroporto. Luiz, de 4 anos, cantando “O orvalho vem caindo” (o bichinho gosta de Noel), curtindo o clarear do dia, o frescor do ar pela janela, e eu conversando com ele sobre as cores mutantes das nuvens com os raios do sol. Momentos de eternidade num diálogo leve e gostoso:</p>
<p>- Tati, estou escrevendo um post dizendo que o Brasil deve adotar Gaza. O Brasil deve ajudar o <strong>povo </strong>de Gaza.</p>
<p>- Sérgio, você já viu a miséria que existe no Brasil, aqui, agora? Como é que você tem essas idéias de que o Brasil deve ajudar outros países? (parêntesis: a Tati não é a única a expressar essa impaciência com minhas “viagens”. Aprendi a conviver e me divertir com a imagem de “desfocado” daquele personagem do  Robin Williams no filme do Woody Allen. Nas baladas com os filhos damos muita risada com  isso).</p>
<p>- Tati, nós temos, por exemplo, o SUS (ver  <a href="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/Licoes-aprendidas-SUS-SUSP.pdf">Licoes aprendidas SUS-SUSP</a>)</p>
<p>- Sérgio, você já precisou alguma vez do SUS? Você já teve que ficar dias na fila para poder agendar uma consulta médica para daqui a alguns meses?</p>
<p>- Tati, o SUS não funciona mesmo. Mas é porque o governo, em vez de contratar médicos, fica acumulando reservas em dólar, o que custa muito caro, e tem aumentado a concentração de renda nas mãos dos 1% mais ricos (ninguém diz isso, mas <a href="http://diplomatique.uol.com.br/editorial.php?edicao=28&amp;PHPSESSID=2992afb2cd65c8594faad2ff286459fc">veja neste artigo do Sílvio Cacciabava, no Diplô)</a>. Com essa grana toda, que os mais ricos então gastam em helicópteros, griffes e na Daslu, poderíamos ter mais e melhores médicos (e melhores professores e policiais mais satisfeitos). O SUS não funciona mesmo, mas não é por causa do SUS. Todo mundo sabe que faltam médicos e a formação deles se deteriorou. Faz parte da dívida social que no tempo dos tucanos os petistas denunciavam. Agora ninguém denuncia a dívida social. Mas por enquanto deixe de lado  a falta de médicos . <strong>O SUS, como sistema, tem muita inteligência, </strong>estrutura, muita gente pensou junta durante muitos anos até conseguirmos ter o SUS. É um dos melhores do mundo. Nós temos isso para dar e vender.</p>
<p>- Sérgio, lá onde a gente mora (Lençóis, na Chapada Diamantina), não tem um médico. Por que eu vim ter a Marina aqui em São Paulo? Como é que o Brasil vai dar ou vender, se não tem nem pra gente?</p>
<p>- Tati, <strong>o Brasil tem inteligência pra dar e vender. </strong>E não é só o SUS. Os povos do Egito, do Iêmen, da Líbia, da Jordânia, da Palestina, e de outros países da região, estão percebendo que precisam de democracia, que podem ter <strong>direito à democracia . O Brasil pode ajudar. </strong>É verdade que ainda não sabemos bem o que é democracia, até o nosso voto é torto, mas em algumas coisas evoluímos bem. Nosso <strong>voto eletrônico </strong>é o melhor do mundo, põe no chinelo os sistemas capengas dos Estados Unidos.</p>
<p>- Tem mais, Tati. O Brasil tem <strong>um dos melhores sistemas de apoio às micro e pequenas empresas do mundo. </strong>Eu li um artigo sobre o desemprego no Egito, que conta como o trânsito no Cairo é um caos pior, e com muito menos carros do que São Paulo, todos buzinando o tempo todo, sem mão e contramão. <strong>Nós temos engenharia de trânsito</strong>. Imagine o <strong>SEBRAE </strong>ir lá e ensinar ao Egito o que levou décadas para aprender sobre o desenvolvimento do <strong>empreendedorismo</strong>. Lembra do Muhammad Yunus, que ganhou o Nobel da Paz por ter criado o <strong>microcrédito </strong>que transformou a vida de milhões de mulheres que eram desempregadas? Funcionou, não funcionou? O Brasil copiou bem, melhorou, e tem isso também pra ensinar.</p>
<p>Bem, a conversa estava ótima, mas tivemos que encerrar para encostar o carro. Meu filho chegava em outro carro, já estavam atrasados para o vôo, e aqueles abraços apertados e beijos, risada com as crianças, e voltei com as saudades já batendo (êta <strong>sentimento bom, tão brasileiro</strong>), pensativo, com sorriso nos lábios o tempo todo, enquanto tocava no rádio <strong>“Tente outra vez”</strong>, de Raul Seixas. Brasileiro tá o tempo todo tentando outra vez.</p>
<p>Saravá, norinha querida, suas perguntas me fizeram explicar para a sua compreensão <strong>o que quer dizer capital intelectual</strong>, sem usar o  jargão dos iniciados. E fiquei feliz em lembrar no caminho de volta a goiana Cora Coralina:</p>
<blockquote><p><strong>Feliz aquele que transfere o que sabe e <em>aprende o que ensina</em>..</strong></p></blockquote>
<p>É isso aí, Tati, isso é tão brasileiro:</p>
<blockquote><p><strong>“Mulher rendeira, tu me ensina a fazer renda, e eu te ensino a namorar”.</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p></blockquote>
<p><strong>Aguarde os próximos capítulos:</strong></p>
<ol>
<li>“Empreendedorismo e sua ancestralidade no Oriente Médio”. Falarei do empreendedorismo desde o sábio Hilel, passando pelo tweet do tio Carlinhos em 1845, raspando por Schumpeter e chegando ao Geraldo Vandré. Gestão do conhecimento tem que dar samba&#8230;</li>
<li>“Brasileiros comem pelas beiradas. Vamos adotar Gaza?”</li>
<li>“Jogue também sua garrafa ao mar”</li>
</ol>
<p><strong>Continue comigo&#8230;<br />
</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://sergiostorch.com/empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-3/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Empreendedorismo &#8230; capital intelectual&#8230; Oriente Médio &#8211; 2</title>
		<link>http://sergiostorch.com/empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-2/</link>
		<comments>http://sergiostorch.com/empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-2/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 19 Feb 2011 02:29:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Inteligência Coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência societal]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça e paz]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[capital intelectual]]></category>
		<category><![CDATA[empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://sergiostorch.com/?p=373</guid>
		<description><![CDATA[Leia os demais posts desta minissérie: &#8220;Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede&#8221; “Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades” “Diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender” “Empreendedorismo e sua ancestralidade no Oriente Médio” “Brasileiros comem pelas beiradas. Vamos adotar Gaza?” “Jogue também sua garrafa ao mar” Oriente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Leia os demais posts desta minissérie:</h3>
<ol>
<li><a title="Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede" href="http://sergiostorch.com/empreendedorismo-para-nosso-capital-intelectual-e-o-oriente-medio-0/" target="_blank">&#8220;Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede&#8221;</a></li>
<li><a title="Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades" href="../../empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-2/" target="_blank">“Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades”</a></li>
<li><a title="Um diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender" href="../../empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-3/" target="_blank">“Diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender”</a></li>
<li>“Empreendedorismo e sua ancestralidade no Oriente Médio”</li>
<li>“Brasileiros comem pelas beiradas. Vamos adotar Gaza?”</li>
<li>“Jogue também sua garrafa ao mar”</li>
</ol>
<h1>Oriente Médio e oportunidades para o Brasil</h1>
<p>Mudanças profundas no Egito após 60 anos do fim do colonialismo britânico. Inicialmente décadas de um nacionalismo escorado na demonização de Israel, o inimigo eleito por Nasser (um Chávez na época em que os Chávez ainda não eram patéticos). Após as derrotas militares em 1967 e 1973, outras décadas de ditaduras  que mantiveram seu povo na miséria, de forma análoga a quase todos os países árabes.</p>
<p>Detalhe significativo da crise do Egito atual: não se falou em Israel.  Não há mais a culpa do outro, aquele que deve ser eliminado. Um salto para a maturidade de um povo que deixa de precisar de um Pai Protetor. Agora é a busca de transformações internas (<a href="http://www.50emais.com.br/2011/02/os-arabes-e-o-fim-da-vitimizacao/">Roger Cohen, “Os árabes e o fim da vitimização”, 4/2/11).</a></p>
<p>Não é aqui o lugar para aprofundarmos essa história. Nem é minha competência. Mas meu guru na ciência das redes, Augusto de Franco, encanta ao dizer que <a href="http://evolucaocriadora.blogspot.com/2010/07/buscadores-polinizadores-3a-versao.html">“eu guardo meu conhecimento nos meus amigos”</a> e porisso não hesito em brindar os leitores com a excelente síntese produzida pelo querido professor <a href="http://sergiostorch.com/referencias/henrique-rattner-fogo-e-tempestade-no-oriente-medio-fev11/">Henrique Rattner – “Fogo e tempestade no mundo árabe”</a>, do qual tomo emprestado o parágrafo a seguir:</p>
<p>“A onda de protestos e manifestações que varre o mundo árabe proporciona ao ocidente a oportunidade de mudar sua atitude de hipocrisia de apoiar com bilhões de US dólares e fornecimento de armas sofisticadas aos regimes claramente obsoletos, necessitando urgentemente de reformas profundas. O pêndulo da História está em pleno movimento, evidenciando ventos de mudança no mundo árabe, inclusive nas monarquias reacionárias da Arábia Saudita, dos Marrocos, da Jordânia e dos Emirados”.</p>
<p>Dezenas de jornalistas, analistas políticos e de relações internacionais nos trarão seus cenários de futuro nas próximas semanas. Mas a sensibilidade dos artistas é portadora do pensamento complexo, que admite o contraditório e rompe com a lógica aristotélica do “Terceiro Excluído” (“ou é isso OU aquilo, não dá para ser isso E aquilo”), com a qual sofremos lavagem cerebral ao passarmos pela escola e crescermos no mundo do trabalho.</p>
<p>E os artistas sabem que “a vida vem em ondas, como o mar” (Lulu Santos). Com todas as análises que receberemos dos analistas, a síntese do que virá no Oriente Médio depende de fatores que somos incapazes de prever.  O mesmo Roger Cohen, do New York Times, avisa que esse Fla-Flu pode dar <a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110209/not_imp677133,0.php">tanto Teerã de 1979 quanto Berlim de 1989 </a>.</p>
<p>Os analistas nada ingênuos da CIA, do Mossad e de outras agências de inteligência produziram milhares de informes nos últimos anos, e apesar dissoos seus governos não estavam preparados para os acontecimentos atuais no Egito e nos demais países para onde a revolução democrática árabe se irradia.  Estamos na era da <strong>economia da atenção. </strong>Inteligência não é ter a informação, é dar atenção à informação relevante. Estava na cara para todo o mundo que ali havia um caldeirão prestes a explodir, mas o que se costuma chamar de “inteligência” mostrou-se incapaz de processar os sinais fracos que estavam à vista para todos. Por que? Pedirei ao amigo Frédéric Donier, expert no assunto, que venha comentar isso aqui com link para seu blog.  É dos bons. Não deixe de ler os comentários, pois também a minha inteligência está nos meus amigos.</p>
<h1>Construindo o futuro</h1>
<p>Futuro não existe. Ele pede para ser construído. Como ele não está escrito nem nas estrelas nem nos informes dos analistas nem nas teses de doutorado, é razoável presumir que neste futuro do Oriente Médio haverá, para os interesses brasileiros, <strong>um espaço ainda a ser construído. </strong>E nós somos atores neste processo. Ou não. Depende não de intelectuais, e sim de empreendedores (no sentido lato de empresas, agências de governo, ONGs, países&#8230; empreendedores).  Bem antes de se criar essa palavra estranha (&#8220;empreendedorismo&#8221;) a quarta tese de Marx sobre Feuerbach (1845) já falava disso:  <strong>&#8220;Filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diversas maneiras; mas o que importa é transformá-lo&#8221;. </strong>O velhinho é atual.<strong><br />
</strong></p>
<p>Falarei no próximo post sobre as oportunidades que vejo para o Brasil na conquista de um mercado para<strong> serviços nobres produzidos pelo nosso capital intelectual. </strong>Ou seja, pego o gancho para desde já recorrer a parte desse capital intelectual: a riqueza da nossa poesia e da nossa música, que perguntam <strong> QUAL É A PARTE QUE NOS CABE NESTE LATIFÚNDIO?</strong></p>
<p><strong>Veremos no próximo capítulo: amanhã mudamos de marcha&#8230;<br />
</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://sergiostorch.com/empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede</title>
		<link>http://sergiostorch.com/empreendedorismo-para-nosso-capital-intelectual-e-o-oriente-medio-0/</link>
		<comments>http://sergiostorch.com/empreendedorismo-para-nosso-capital-intelectual-e-o-oriente-medio-0/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 18 Feb 2011 00:56:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência Coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência societal]]></category>
		<category><![CDATA[oportunidades]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
		<category><![CDATA[sensemaking]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade em rede]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://sergiostorch.com/?p=356</guid>
		<description><![CDATA[. Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede Meus primeiros posts em minissérie. Eram longos. Agora vamos por partes&#8230; estou aprendendo. Aplico à nova conjuntura no Oriente Médio o meu tema de sempre: a inteligência societal. Como podemos fazer sentido (sensemaking) rapidamente das oportunidades que esse novo quadro oferece para o Brasil? [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1>.</h1>
<h1>Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede</h1>
<p>Meus primeiros posts em minissérie. Eram longos. Agora vamos por partes&#8230; estou aprendendo.</p>
<p>Aplico à nova conjuntura no Oriente Médio o meu tema de sempre: a <strong>inteligência societal. </strong>Como podemos <strong>fazer sentido (<em>sensemaking</em>) </strong>rapidamente das oportunidades que esse novo quadro oferece para o Brasil? Como podemos nós formular uma <strong>diplomacia de novo tipo, em rede, </strong>em sintonia com as novas formas de organização da <strong>Sociedade em Rede </strong>possibilitadas pela tecnologia? Como podemos nós, cidadãos, empresas e instituições públicas e privadas no Brasil, tirar partido de nosso <strong>capital intelectual </strong>e de nossos <strong>ativos intangíveis </strong>para disputar mercados? De novo, falarei de samba.</p>
<p>É um mercado sedento de serviços de alto valor agregado. Nós falamos árabe, nós falamos hebraico. Nós temos o melhor voto eletrônico. Nós ensinamos pipoqueiro a fazer fluxo de caixa. Nós temos engenharia. Nós somos insuspeitos para vendermos paz e democracia, enquanto os outros vendem armas. A marca Brasil tem esse diferencial. Mas temos que ser rápidos, pois na política não existe vácuo.</p>
<p>A minissérie tem 5 partes, uma a cada dia. Fique ligado. Divulgue. Veja <strong>qual é a parte que te cabe neste latifúndio. </strong>Aja. Se não puder fazer nada, <strong>jogue também a sua garrafa ao mar.</strong></p>
<ol>
<li>&#8220;Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede&#8221;</li>
<li><a title="Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades" href="http://sergiostorch.com/empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-2/" target="_blank">“Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades”</a></li>
<li><a title="Um diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender" href="http://sergiostorch.com/empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-3/" target="_blank">“Diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender”</a></li>
<li><a href="http://sergiostorch.com/empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-4/" target="_blank">“Empreendedorismo e sua ancestralidade no Oriente Médio”</a></li>
<li><a href="http://sergiostorch.com/a-oportunidade-a-nossa-frente-adotar-israel-e-palestina/">&#8220;A oportunidade à nossa frente: adotar Israel e Palestina&#8221;</a></li>
<li>“Jogue também sua garrafa ao mar”  (ainda matutando)</li>
</ol>
<p>Finalizo com uma pequena célula  do nosso DNA de economia criativa com que podemos chegar ao Egito e a todo o Oriente Médio, comendo pelas beiradas.  A poesia de Chico explica o que os serviços de inteligência não foram capazes de prever:</p>
<p>“A gente quer ter voz ativa<br />
No nosso destino mandar<br />
Mas eis que chega a roda viva<br />
E carrega o destino pra lá<br />
Roda mundo, roda gigante<br />
Roda moinho, roda peão<br />
O tempo rodou num instante<br />
Nas voltas do meu coração”</p>
<p>Amanhã tem mais.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://sergiostorch.com/empreendedorismo-para-nosso-capital-intelectual-e-o-oriente-medio-0/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>9</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>5ª Disciplina, samba e o “recall” dos parlamentares</title>
		<link>http://sergiostorch.com/antes-do-ano-acabar-sarava-peter-senge-pelos-20-anos/</link>
		<comments>http://sergiostorch.com/antes-do-ano-acabar-sarava-peter-senge-pelos-20-anos/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 31 Dec 2010 17:47:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Barreiras à intelig coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[Gestão de mudança]]></category>
		<category><![CDATA[Gestão do Conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência Coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência societal]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[campanhas]]></category>
		<category><![CDATA[dinâmica de sistemas]]></category>
		<category><![CDATA[recall]]></category>
		<category><![CDATA[senge]]></category>
		<category><![CDATA[sistemas]]></category>
		<category><![CDATA[workshops]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://sergiostorch.com/?p=309</guid>
		<description><![CDATA[Assisti ontem ao vídeo “O Mestre da Vida” . Um velho artista ensina um jovem a olhar. Lembrou-me de um artigo de crítica cinematográfica que dizia que a função do cinema é a educação do olhar. Saramago falava de “olhar com olhos de ver”. NÓS NÃO SABEMOS OLHAR. O ano passado viu o 20º aniversário [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assisti ontem ao vídeo <a href="http://filmow.com/filme/5709/o-mestre-da-vida/">“O Mestre da Vida”</a> . Um velho artista ensina um jovem a olhar. Lembrou-me de um artigo de crítica cinematográfica que dizia que a função do cinema é a educação do olhar. Saramago falava de “olhar com olhos de ver”. <strong>NÓS NÃO SABEMOS OLHAR.</strong></p>
<p>O ano passado viu o 20º aniversário do livro “A Quinta Disciplina – a Arte e a Prática das Organizações que Aprendem”, de Peter Senge. Não é um aniversário qualquer: o número 20º me evoca coisas monumentais, como o XX Congresso do PCUS, em 1956, quando os crimes de Stalin foram denunciados, pela primeira vez.  Para tudo pode haver uma primeira vez. O Ficha Limpa teve a sua primeira vez. A invasão do complexo do Alemão foi a primeira vez.</p>
<p>O que há de especial com a Quinta Disciplina? <strong>É a disciplina de olhar e ver sistemas.</strong> Embora visto como pioneiro no conceito das “organizações que aprendem” – e expandem continuamente a capacidade para criar o seu futuro &#8211;  Senge foi pioneiro mesmo ao trazer à luz a Quinta das cinco disciplinas (<a href="http://www.softwarepublico.gov.br/file/16685703/quintasenge.pdf ">veja aqui as cinco</a>) com que ele caracterizou essas organizações: o <strong>raciocínio sistêmico.</strong></p>
<p><strong><a href="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/transporte1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-349" title="transporte1" src="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/transporte1-300x115.jpg" alt="" width="300" height="115" /></a><a href="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/transporte2.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-346" title="transporte2" src="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/transporte2-300x216.jpg" alt="" width="300" height="216" /></a><br />
</strong></p>
<p style="text-align: left;">Respire fundo e engate a primeira marcha só por 15 segundos (depois você relaxa), pronunciando palavra por palavra: segundo a Quinta Disciplina, o raciocínio sistêmico é a técnica de modelagem e simulação de sistemas com ciclos de causalidade não-linear e com feedback retardado.</p>
<p><a href="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/Diagrama-de-ciclos-de-causalidade.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-350" title="Diagrama de ciclos de causalidade" src="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/Diagrama-de-ciclos-de-causalidade.png" alt="" width="656" height="353" /></a></p>
<p>Complicado? Não.  Só um pouquinho pedante:-)</p>
<p>Fica fácil de entender se lembrarmos o movimento de sanfona que acontece num congestionamento: quando o semáforo abre e fecha, a fila espicha e encurta, fazendo os apressadinhos buzinarem. O acontecimento da buzina ( um evento) é conseqüência do ciclo do semáforo (um fato estrutural) mais o tipo de buzinas que nenhum legislador ainda lembrou de proibir (outro fato estrutural), através de um efeito reflexo que todos conhecemos: se demora mais que 2 segundos para andar, um apressadinho já buzina (é um padrão de comportamento: a estatística garante que, na distribuição normal, sempre haverá no entorno um dos 5,78% de estressados (as) que agem desta forma predatória).  Sacou? O raciocínio sistêmico levará você a não revidar com a buzina, nem xingar, e talvez a bolar uma campanha para os estressadinhos. Se você for bem sistêmico mesmo, poderá lançar no Facebook não um inócuo “sou contra isso ou aquilo”, mas um “apóie um projeto de lei de iniciativa popular para regulamentar as buzinas”, ou algo semelhante.</p>
<p>A Quinta Disciplina ensina a distinguir eventos, padrões comportamentais e estruturas que os determinam. Não é coisa só para nerds nem para matemáticos. <strong>HÁ POETAS QUE VÊEM SISTEMAS</strong>:  “Ao rio que tudo arrasta se diz violento; mas ninguém diz violentas as margens que o oprimem” (Bertold Brecht).  Lição de casa: lembre você de sambas que vêem sistemas.</p>
<p><strong><span style="font-size: small;">Eventos, padrões e estruturas<br />
</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/Iceberg_patterns_structures_events.jpg"><img class="size-full wp-image-324 aligncenter" title="Iceberg_patterns_structures_events" src="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/Iceberg_patterns_structures_events.jpg" alt="" /></a></p>
<p>É isso: <strong>VER SISTEMAS EMPODERA.</strong> E dá para equacionar problemas de enorme complexidade.</p>
<p>Embora tão antiga – 20 anos, ou 40, ou 50 (pois o primeiro paper de Forrester sobre dinâmica de sistemas é de 1961) – a Quinta Disciplina é bem pouco assimilada. E é assim mesmo, pois na história da aprendizagem as fichas não caem, elas descem, devagarinho: cognição tem viscosidade. Ótimo! Pois estou promovendo o curso “Revisitando o olhar sistêmico da Quinta Disciplina”, com Niraldo Nascimento, pesquisador do CEFTRU &#8211; Centro Interdisciplinar de Estudos em Transportes, da UnB, e novo presidente da seção brasileira da System Dynamics Society. Será em 23/2. 25/2. Ainda não está no site, mas você pode reservar desde já no <a href="http://www.contentdigital.com.br/database/contato.asp">Fale Conosco</a>. <strong>Empodere os líderes de sua empresa com a capacidade de VER SISTEMAS.</strong></p>
<p>Por que celebrar o 20º aniversário da Quinta Disciplina? Ora, como diz o meu frei sistêmico Leonardo Boff:  “todo ponto de vista é a vista, de um ponto” (<a href="http://www.ebooksevangelicos.com/Evangelicos/Leonardo%20Boff/Leonardo%20Boff%20-%20a%20%E1guia%20e%20a%20galinha.pdf">“A águia e a galinha”</a>).</p>
<p>O meu ponto de vista brota de uma semente plantada há 20+20 anos, na minha encarnação de estudante de engenharia, pelo professor Claus Warschauer, de Programação e Controle da Produção. Vi em sua aula pela primeira vez, em 1971, o que viria a ser o Jogo da Cerveja, que hoje, com as maravilhas da tecnologia, tornou-se  um tremendo artefato no treinamento de executivos para o raciocínio sistêmico. Você poderá ver isso no curso do Niraldo, e levá-lo também para dentro de sua empresa.</p>
<p>Pois então celebro, seguindo o conselho do meu rabino sistêmico, <a href="http://www.peaceworkmagazine.org/praying-their-feet-remembering-abraham-joshua-heschel-and-martin-luther-king">Abraham Heschel </a>(que dizia &#8220;orar com os pés&#8221; quando marchava com Luther King na Marcha dos Direitos Civis), cuja alma vem me sussurar: “Ingale (menininho, em ídishe):  celebrar é contemplar a singularidade do momento e realçar a singularidade do ser. O que foi não voltará a ser novamente. Celebração é um estado ativo, um ato de expressar reverência ou apreciação. Celebração é uma confrontação, que dá atenção ao significado transcendental das tuas ações.”</p>
<p>Se pensar na árvore genealógica das idéias que me formaram, vejo Peter Senge como um de meus pais intelectuais, ao lado de Erich Fromm (minha fonte para Marx e Freud), Herman Hesse, Paulo Freire e Fritjof Capra. Celebro portanto o jeito de pensar baseado nos modelos e arquétipos da dinâmica dos sistemas criada por Forrester. O jeito de VER SISTEMAS.</p>
<p><a href="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/Genealogia-Sergio.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-347" title="Genealogia Sergio" src="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/Genealogia-Sergio-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>VER SISTEMAS! Ao escrever, descobri este ótimo artigo sobre <a href="http://www.estherderby.com/2010/10/curing-system-blindnes.html">“Curando a cegueira em relação a sistemas”</a>.</p>
<p>Você talvez goste de saber um tiquinho mais da pré-história da Quinta Disciplina. História é legal, pois ajuda a ligar os pontos (veja a palestra de Steve Jobs, “How to live before you die”, onde ele conta um incidente que 10 anos depois resultou no MacIntosh). Ouça. Do “Industrial Dynamics” Forrester partiu para o “Urban Dynamics” e depois para o algo arrogante “World Dynamics”. Foi assim que o raciocínio sistêmico contribuiu com o Clube de Roma, um <em>think tank</em> de intelectuais e empresários, que produziu na época o primeiro precursor do filme “Uma Verdade Inconveniente”, de Al Gore: a pesquisa “Limits to Growth” (“Limites ao Crescimento”), em que as simulações de Forrester mostraram o embrião da consciência da sustentabilidade, que naquela época ainda não tinha nome.</p>
<p><strong>Bem. Hoje eu vejo a Quinta Disciplina como indispensável à inteligência coletiva,</strong> ao aprendizado e inferência aos quais as práticas convencionais de gestão do conhecimento ainda são alheias. Ela se aplica desde a identificação de intervenções para melhorar o processo de desenvolvimento de software numa empresa, até o planejamento da guerra do Afeganistão (e, claro, na melhoria de nossos sistemas de saúde, de segurança pública, do judiciário etc).</p>
<p>Mas voltemos agora àquele gancho lá do início, quando eu disse que 20º aniversário é um bom momento para fazer pela primeira vez alguma coisa.  Apliquemos o raciocínio sistêmico da Quinta Disciplina à política brasileira. De novo os poetas, agora Caetano, que tal? “Viva a bossa, sassá, eu vou lançar um <strong>movimento no Planalto Central do país.</strong>”</p>
<p>Pense, por exemplo, no <strong>aumento de 62%</strong> auto-concedido pelos nossos valorosos parlamentares, inclusive, para meu espanto, pelo deputado federal a quem dei meu precioso voto. O que conseguimos enxergar? <strong>Sem o olhar sistêmico</strong> veremos os efeitos de primeira ordem: remunerações que, nos casos de boa parte desses cidadãos, nada têm a ver com o valor que agregam para nossa sociedade.</p>
<p>Mas a <strong>Dinâmica de Sistemas apontaria mais do que isso</strong>: o aumento brutal do desequilíbrio entre esses salários e os de juízes, policiais, professores, médicos e outros servidores públicos que, com razão, irão reivindicar justas equiparações que, por sua vez, trarão desequilíbrios orçamentários gigantescos, pois o gasto público é majoritariamente formado por salários. Ou seja, redução na capacidade de investimento do Estado, a não ser que a Dilma faça um arrocho na taxa de juros. O cobertor é curto, como todos sabemos, mas o deputado que elegi certamente não pensou nisso quando deu o voto ao seu próprio aumento.</p>
<p>Tá certo? Não. A memória do povo é curta, como todos sabemos, e todos já se esqueceram dessa manchete dos 62% de algumas semanas atrás. Mais uma que passou. Outras virão, e disso as manchetes haverão de viver, pois coisas chatas como reforma política não dão ibope.</p>
<p>Mas os 62% podem nos motivar a <strong>não ficar parados. </strong>Outro poeta, agora Vandré, também já falava sobre conhecimento: “Vem, vamos embora, que <strong>esperar não é saber</strong>. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.</p>
<p><strong>Teremos novas eleições em 2012. Há o que fazer desde já.</strong></p>
<p>Em 2012, dependendo de ser aprovada em 2011 uma lei de iniciativa popular (como foi a da Ficha Limpa), poderemos então, talvez,<a href="http://www.causes.com/causes/564513-recall-dos-parlamentares"> <strong>deseleger (“recall”)</strong></a> parlamentares que não tenham se desempenhado à altura da representação que receberam. Mais importante que a questão do salário ter mais ou menos 62% é o papel alavancador que esses personagens têm, ou deixam de ter, na elaboração e definição de estruturas que condicionam a nossa qualidade de vida. Eles produzem sim, por exemplo, a aprovação do Código de Processo Penal, que finalmente cria condições para desafogar o nosso Judiciário. Isso merece um bom salário, mas não para todos. <strong>Meritocracia neles. Dá para ter isso.</strong></p>
<p>Veja os estudos do <a href="http://blogdoprofessorpeixoto.blogspot.com/2010/12/projeot-de-lei-de-iniciativa-popular.html">professor Marcos Peixoto, </a>de Direito Constitucional. Ele tem a experiência de ter fundado em 1989 a Associação pela Iniciativa Popular, que fez a campanha (sem internet&#8230;) que resultou na primeira Emenda Constitucional, de iniciativa popular. Teremos que ter cerca de 1.300.000 assinaturas para poder tramitar projeto de lei em 2011 para termos o <strong>“recall”</strong> em 2012. <a href="http://www.causes.com/causes/564513-recall-dos-parlamentares/about?m=b9e0f8dd">stamos começando a esquentar no Facebook, </a>ok?</p>
<p>Falando de aniversários, proporemos uma meta da campanha para a comemoração dos <a href="http://opiniaoenoticia.com.br/opiniao/artigos/a-danca-do-elefantinho/">5 anos da Dança do Elefantinho </a>no plenário da Câmara com a absolvição dos mensaleiros em 22/3/2006. Ora, eles sambam, nós também sambamos. Vamos, na base do samba, com humor, mas com confiança de que teremos capacidade de construir uma democracia em que o &#8220;todos são iguais perante a lei&#8221; não seja apenas declaração de intenção. É  construir História.</p>
<p>Sistemicamente. Yes, we can&#8230;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://sergiostorch.com/antes-do-ano-acabar-sarava-peter-senge-pelos-20-anos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>13</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Segundo turno e a terceira opção</title>
		<link>http://sergiostorch.com/dilma-ou-serra-a-historia-e-a-terceira-opcao/</link>
		<comments>http://sergiostorch.com/dilma-ou-serra-a-historia-e-a-terceira-opcao/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 10 Oct 2010 20:28:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Inteligência Coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência societal]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://sergiostorch.com/?p=284</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;Nunca duvide que um pequeno grupo de pessoas motivadas e comprometidas possa mudar o mundo. Na verdade é a única coisa que o faz.&#8221;  Margaret Mead Minhas reflexões neste “Vou Vivendo” têm tido um eixo: a transversalização de momentos de vida com os temas da aprendizagem e inteligência coletivas. Chega o momento de trazer à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument> <w:View>Normal</w:View> <w:Zoom>0</w:Zoom> <w:TrackMoves /> <w:TrackFormatting /> <w:HyphenationZone>21</w:HyphenationZone> <w:PunctuationKerning /> <w:ValidateAgainstSchemas /> <w:SaveIfXMLInvalid>false</w:SaveIfXMLInvalid> <w:IgnoreMixedContent>false</w:IgnoreMixedContent> <w:AlwaysShowPlaceholderText>false</w:AlwaysShowPlaceholderText> <w:DoNotPromoteQF /> <w:LidThemeOther>PT-BR</w:LidThemeOther> <w:LidThemeAsian>X-NONE</w:LidThemeAsian> <w:LidThemeComplexScript>X-NONE</w:LidThemeComplexScript> <w:Compatibility> <w:BreakWrappedTables /> <w:SnapToGridInCell /> <w:WrapTextWithPunct /> <w:UseAsianBreakRules /> <w:DontGrowAutofit /> <w:SplitPgBreakAndParaMark /> <w:DontVertAlignCellWithSp /> <w:DontBreakConstrainedForcedTables /> <w:DontVertAlignInTxbx /> <w:Word11KerningPairs /> <w:CachedColBalance /> </w:Compatibility> <w:BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4</w:BrowserLevel> <m:mathPr> <m:mathFont m:val="Cambria Math" /> <m:brkBin m:val="before" /> <m:brkBinSub m:val="&#45;-" /> <m:smallFrac m:val="off" /> <m:dispDef /> <m:lMargin m:val="0" /> <m:rMargin m:val="0" /> <m:defJc m:val="centerGroup" /> <m:wrapIndent m:val="1440" /> <m:intLim m:val="subSup" /> <m:naryLim m:val="undOvr" /> </m:mathPr></w:WordDocument> </xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml> <w:LatentStyles DefLockedState="false" DefUnhideWhenUsed="true"   DefSemiHidden="true" DefQFormat="false" DefPriority="99"   LatentStyleCount="267"> <w:LsdException Locked="false" Priority="0" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Normal" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="9" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="heading 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 7" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 8" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 9" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 7" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 8" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 9" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="35" QFormat="true" Name="caption" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="10" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Title" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="1" Name="Default Paragraph Font" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="11" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Subtitle" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="22" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Strong" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="20" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Emphasis" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="59" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Table Grid" /> <w:LsdException Locked="false" UnhideWhenUsed="false" Name="Placeholder Text" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="1" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="No Spacing" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light List" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light List Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1 Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2 Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1 Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" UnhideWhenUsed="false" Name="Revision" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="34" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="List Paragraph" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="29" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Quote" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="30" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Intense Quote" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2 Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1 Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2 Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3 Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light List Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1 Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2 Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1 Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2 Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1 Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2 Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3 Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light List Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1 Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2 Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1 Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2 Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1 Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2 Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3 Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light List Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1 Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2 Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1 Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2 Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1 Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2 Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3 Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light List Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1 Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2 Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1 Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2 Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1 Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2 Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3 Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light List Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1 Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2 Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1 Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2 Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1 Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2 Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3 Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="19" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Subtle Emphasis" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="21" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Intense Emphasis" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="31" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Subtle Reference" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="32" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Intense Reference" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="33" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Book Title" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="37" Name="Bibliography" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" QFormat="true" Name="TOC Heading" /> </w:LatentStyles> </xml><![endif]--><!--[if gte mso 10]> <mce:style><!   /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-priority:99; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:"Calibri","sans-serif"; 	mso-ascii-font-family:Calibri; 	mso-ascii-theme-font:minor-latin; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-theme-font:minor-fareast; 	mso-hansi-font-family:Calibri; 	mso-hansi-theme-font:minor-latin; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;} --> <!--[endif]--></p>
<blockquote>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;">&#8220;Nunca duvide que <em>um pequeno grupo</em> de pessoas motivadas e comprometidas possa mudar  o mundo. Na verdade é a única coisa que o faz.&#8221;  <em>Margaret Mead</em></p>
</blockquote>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Minhas reflexões neste “Vou Vivendo” têm tido um eixo: a transversalização de momentos de vida com os temas da aprendizagem e inteligência coletivas.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Chega o momento de trazer à tona a dimensão política que às vezes deixo transpirar no Twitter e no Facebook, mas que raramente trago aqui.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;"><br />
</span></p>
<h1><span>Segundo turno: Dilma ou Serra?</span></h1>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Como você, eu olho o hoje e busco o amanhã, com o olhar da minha história. Um breve momento me vem à memória: na participação política  <span> </span>que tive mais intensamente nos primeiros anos da redemocratização, tive grande orgulho em ser figurante no episódio que vou contar. Ulysses (PMDB), meu candidato, tinha sido derrotado no 1º turno das eleições de 89 (assim como Covas do PSDB). No 2º turno (Collor x Lula), ninguém das minhas tribos tinha dúvidas. Embora Ulysses tivesse sido recusado no palanque de Lula (claro, simbolizava para os negacionistas a tal da “farinha do mesmo saco”), mesmo assim um pequeno grupo de PMDBistas articulou no gabinete do então deputado estadual Arnaldo Jardim o Comitê de PMDBistas pró-Lula. Tive a honra de estar na formação desse grupo, e guardo com carinho o livrinho caixa em que registrávamos as contribuições: nomes de muitos amigos queridos (com seus NCr$ 300 a 1000), hoje espalhados em vários partidos ou que, como eu, resolveram exercer sua cidadania fora da política partidária. DISSEMOS NÃO AO NÃO, E APOIAMOS LULA.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Foi nessa campanha que conheci também Ricardo Young, dono do Yázigi, e que um ano depois viria a ser um dos fundadores do PNBE &#8211; Pensamento Nacional das Bases Empresariais. Agora tive a alegria de votar no Ricardo para senador, além do Aloysio (PSDB) e de Paulo Teixeira (PT) e Carlos Neder (PT). E, claro, Marina e Guilherme Leal (este também do PNBE de 1990). </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">História tem fluxos: </span><span style="font-size: 12pt; color: black;">do  PNBE brotaram, nestes 20 anos, lideranças que fundaram entidades e movimentos, inclusive o Instituto Ethos, atualmente  presidido pelo Ricardo, mas também, </span><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">entre outras, a Fundabrinq pelos Direitos da Criança, a Transparência Brasil, o Akatu pelo Consumo Consciente, o Forum Social Mundial, a Rede Nossa São Paulo e a Rede Brasileira de Cidades Sustentáveis.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Ou seja, tive a bênção de ver nascer há 20 anos um futuro de sociedade na qual a política se dignifica e se recupera da corrosão de legitimidade promovida por um sistema político doente e por lideranças sem grandeza. Tenho certeza de que foi esta coalizão de empresários e militantes de movimentos sociais que trouxe 20% dos votos a Marina Silva no primeiro turno (não foi o PV, partido que segue a lógica tradicional dos partidos políticos do século 20, e  que agora se apressa em aderir a Serra).</span></p>
<p><strong><span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;amp;amp; color: black;"><br />
</span></strong></p>
<h1><span>Negacionismo</span></h1>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Hoje amigos me dizem: nossa, o Serra é centralizador, autoritário, trata os professores na porrada, vai querer privatizar tudo, já imaginou? Olha só a privatização desordenada da educação superior no governo FHC, com a desregulação na criação de novas universidades&#8230; É a volta do neoliberalismo&#8230; E essa turma do DEM que vem com ele? Olha o retrocesso de Serra/Kassab na Prefeitura de São Paulo com as tentativas de desmonte do Plano Diretor que a Marta fez&#8230; </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">E eu digo: é, é mesmo. Mas este <strong>NÃO </strong>me chega de forma desconfortável.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Outros amigos dizem:<span> </span>nossa, Dilma é o lulismo, nem é mais o PT, e com essa maioria no Congresso será uma mexicanização, teremos um PRI que fará o que quiser&#8230; E o país vai agüentar essa carga tributária? Vai agüentar uma dívida pública maior ainda? E a cooptação que o Lula já fez de todas as Centrais Sindicais? Aí alguns evocam até o cenário de uma inflexão para baixo da curva econômica (um dia acontece&#8230;), a busca de bodes expiatórios, e um neoperonismo apontando os “inimigos do povo”, os que “torcem contra o país&#8230; Se aconteceu numa Argentina até então civilizada, por que não poderá acontecer no Brasil?” </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">E eu digo: é, é mesmo. Mas este <strong>NÃO </strong>à Dilma também me incomoda.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Apesar de que, sabe-se lá, pessoas mudam, chegam outras pessoas&#8230; Aí vem até a minha paranóia judaica de quem conhece bem a história de um cara eleito democraticamente em 1933, em maioria simples, por um eleitorado que tinha esquecido de “Mein Kampf” para depois ter que lembrar. Hitler, Mussolini, Perón, Getúlio, Nasser, Chavez, Ahmadinejad&#8230; </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Mas faz parte de minha história pessoal também uma imersão na questão da paz no Oriente Médio, que foi onde incorporei o termo “negacionismo” ao meu vernáculo. No conflito do Oriente Médio, o <strong>negacionismo</strong> é a classe de atitudes que acometem o Hamas, o Hizbollah, a Al Qaeda, <strong>que não aceitam o outro. Que recusam o diálogo, a empatia, a escuta. </strong>Acomete também ministros de Israel e colonos da ultra-direita israelense, que não reconhecem a legitimidade dos interesses e a humanidade dos palestinos. <strong>NÃOS </strong>que são úteis somente para a geopolítica do Irã e da China, ao aumentarem seus espaços de influência. Mas que têm resultados trágicos nos bombardeios de Gaza e  nas famílias israelenses e palestinas privadas de seus filhos mortos ou reféns. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Em Gestão do Conhecimento, usamos o conceito de <strong>Modelos Mentais </strong>trazido por Peter Senge em “A Quinta Disciplina”. Então, o modelo mental acima caracteriza-se por privilegiar o “nós” versus “eles” (característica que tanto assemelhou FHC e Lula, e que está tão presente nesta campanha tão rebaixada no nível ide despolitização que nos faz pensar se não estamos, todos, regredindo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">E como pode ser que a essa altura do campeonato estejamos de novo “nós” contra “eles”, seja com Dilma ou com Serra? <strong>Vítimas indefesas deste <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mental_models">modelo mental</a>?</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;"><strong><br />
</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;"> </span></p>
<h1><span>Lula, Dilma e Serra: o homem e sua circunstância</span></h1>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">De que Dilma estamos falando? E de que Serra? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">O jogo leva alguns a estereotipar o Serra como neoliberal. Mas Serra foi o cavaleiro do SUS que foi trazido à Constituinte pelos comunistas do PCB, que o trouxeram do PC Italiano, e que depois ajudaram a implantá-lo com Sérgio Arouca no Ministério da Saúde de Lula. Parênteses: como evidência de que as coisas não são tão simples, o Dr. Adib Jatene (homem íntegro do partido de Maluf) foi também importante cavaleiro deste SUS, muito mais democrático e justo do que aquele modelo que o Partido Republicano impede o Obama de implantar na grande democracia do Norte. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">O Lula da Carta aos Brasileiros era o Lula da <strong>NEGAÇÃO</strong> da parceria para derrotar a ditadura no Colégio Eleitoral? Não. Era outro Lula. E o Lula da <strong>NEGAÇÃO </strong>do Plano Real? E o Lula do “nunca antes na história desse país” era o Lula da Carta aos Brasileiros? Também não. O Lula dos SIMs a Sarney, Collor, Maluf e Tiririca é o Lula de todos aqueles NÃOs? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Não, o Lula foi o produto que resultou a cada momento de um sistema político deformado e deformante (nem por isso deve merecer nossa complacência). Poderia ter sido um estadista, mas Gandhis e Mandelas não se fazem todos os dias. Definitivamente, o Lula que deu camisa da Seleção para o companheiro Ahmadinejad não foi o Lula da carta que fiz à minha filha de 2 anos, que apertou os botões da urna eletrônica em 2001 (para que leia quando for votar de verdade em 2015).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Mas é correto vermos o aparelhamento de Lula e Zé Dirceu como motivos para estereotipar Dilma como cavalo de Tróia de uma República Sindical? Não poderá ser uma outra Dilma? E faz sentido desqualificá-la como inexperiente? Faz sentido recorrer ao <strong>aborto </strong>na baixaria da campanha eleitoral, usando a estratégia dos marketeiros do Jânio com a maconha para derrotar FHC em 85? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;"><strong>O homem é o homem e sua circunstância. </strong>O que serão Dilma ou Serra depende menos de ser um ou outro do que do jogo que estiverem jogando. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Então, acho que a questão é a seguinte: <strong>Dilma e Serra dos próximos anos são ambos grandes riscos que os bastidores das campanhas não revelam. Ambos são</strong> <strong>roleta russa. E temos que fazer hedge.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;"><strong><br />
</strong></span></p>
<h1><span>Sim, estamos cativos do “Dilema do Prisioneiro”</span></h1>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Quando vejo Aloysio Nunes e Roberto Freire simplificando sua mensagem unilateral (e são ambos da tribo dos SIMs que eu vi fazendo a transição para a democracia), e quando vejo <a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17028">Leonardo Boff </a>(meu guru cristão, par do meu rabino Heschel e  da minha monja  budista Coen) e amigos muito próximos estereotiparem a candidatura Serra, fico a pensar: este <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mental_models"><strong>modelo mental </strong></a>não é parecido com aquele produzido pelo Dilema do Prisioneiro?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Explico: <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dilema_do_prisioneiro"><strong>Dilema do Prisioneiro </strong></a>é uma situação analisada na Teoria dos Jogos, muito utilizada na Ciência Política, nas teorias sobre negociação e em estratégia competitiva, para ilustrar como pessoas lidam com a incerteza quando não podem se comunicar com os seus pares.<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Temos que aceitar este jogo? Ou podemos mudar o jogo?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Afinal, em outro contexto, nos anos 70 em que eu lia o Serra em livro clandestino publicado em espanhol no Chile sobre o milagro brasileño, ou lia seu livro com a Maria da Conceição Tavares (PT), guru de todos nós, ele votaria na Dilma. E naqueles dias a Dilma votaria no Serra. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Mas muita água rolou, e ambos tiveram sua cota de responsabilidade nessa distribuição torta de renda em que os mais pobres receberam o Bolsa Família e os mais ricos ganharam a Bolsa Banqueiro, várias<span> </span>vezes maior, através da taxa de juros mais alta do mundo. Quem perdeu? Na pizza da renda, a classe média, mas o mais grave é o não-investimento nos serviços públicos essenciais que são a forma mais eficaz de distribuição de renda: educação e saúde públicas de qualidade, transporte público, segurança pública etc. Ou seja, numa visão sistêmica, a distribuição de renda do Bolsa Família é uma farsa e uma miragem de curto prazo, pois continuamos depredando o capital humano que é o principal componente do patrimônio da nação (a partir deste ano as empresas de capital aberto precisam apresentar no seu balanço o seu capital intelectual. E as contas públicas?).</span></p>
<p><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">“Moça, abre a janela&#8230;”  Vivemos num mundo cheio de oportunidades, como diz o cartaz do HSBC nos aeroportos&#8230; </span></p>
<p><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;"><br />
</span></p>
<h1><span>Uma terceira opção: a inteligência</span></h1>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;"><strong>SIM</strong>. Há possibilidade de mudar o jogo com uma t<strong>erceira opção, que supere a dicotomia cartesiana e excludente Dilma x Serra. </strong>Uma terceira opção, inclusiva, que vale tanto para o caso da vitória de um quanto para a vitória da outra (ver sobre  a <strong>Lógica do Terceiro Incluído </strong>em <a href="http://www.sociologia.org.br/tex/ap40.htm">&#8220;A transdisciplinaridade e a modernidade</a>!). </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Não me conformo em aceitar um jogo que impõe esta escolha na base do “ou esse ou aquela”, especialmente na base do medo.</span> “A ideologia da direita é o medo”, já nos ensinava Simone de Beauvoir (crédito a Rodrigo Vianna, em “<a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17037">O círculo da direita se fecha: teocracia, censura nas redações, ideologia do medo”, </a>na Carta Maior, sobre a demissão de Maria Rita Kehl na &#8220;liberal&#8221; Folha ).</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Mais que isso. Tenho convicção de que, <strong>na era do conhecimento, o Brasil não pode se dar ao luxo de imolar lideranças, o recurso intelectual mais escasso, no altar de um sistema político arcaico. Precisamos de Dilma e de Serra.<br />
</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;">Nosso processo eleitoral é BURRO.  Podemos mudar o jogo, mesmo antes de uma reforma política que mude as eleições, assim como <strong>podemos tornar INTELIGENTES todos os processos, </strong>nas empresas, nas cadeias produtivas, nas instituições, na sociedade, no planeta. É o desafio do século 21.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">O segundo turno coloca um desafio para <strong>quem votou para que houvesse segundo turno&#8230; Como construir um hedge (*) para ambos os riscos? </strong><br />
</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Podemos ter apenas Dilma ou apenas Serra no governo, sim, mas podemos ter outra Dilma e outro Serra, se o contexto no qual um ou outro irá governar for outro. O<strong> hedge está na mudança desse contexto. </strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Creio que a chave para isso está na recusa em aceitar, de ambas as partes, a imposição do jogo do plebiscito, da escolha de “nós” contra “eles”. Denunciar as estratégias de comunicação que confundem o eleitor com essa polarização hipócrita.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Trata-se de colocar para ambos <strong>uma agenda positiva de compromissos com mudanças fundamentais. </strong>E, quem sabe, em vez de jogar no par ou ímpar, votar naquele que primeiro aderir&#8230; Quais seriam esses compromissos? Muitos saberão explicitá-los de forma melhor e mais completa do que eu seria capaz de fazer.: que reforma política, que regulação dos poderes (inclusive da mídia), que taxa de investimento sobre o PIB, que modelo de políticas fiscal e monetária, que critérios de sustentabilidade etc. Limito-me aqui a instigar as lideranças, especialmente aquelas em que votei, nos diversos partidos. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Temos a janela de oportunidade no segundo turno, em que o capital político gerado pelos <strong>20% da Marina fazem da sua neutralidade um ativo precioso para o país, </strong>na medida em que um indivíduo (o papel do homem na História) poderá ser ponto de convergência de aspirações de um futuro de sustentabilidade econômica, social, ambiental e política que influenciará aqueles que serão o fiel da balança no dia D da votação.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;"> E tenho certeza de que um movimento neste sentido não termina no dia da votação. É o tiro de partida para uma sociedade que exerça sua inteligência coletiva na promoção de uma reforma política que aprofunde e consolide o jogo democrático com novas instituições à altura das possibilidades do século 21.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;"><br />
</span></p>
<h1 class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><strong>Você também pensa assim? </strong></h1>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; color: black;"><strong>Então aja. </strong>Dizem os cientistas das redes sociais que cada um de nós tem 6 graus de distância de qualquer outra pessoa no país. Lembre quais são as <strong>SUAS 10 conexões </strong>em posições para empurrar essa mudança de jogo. Foi assim que saiu o Ficha Limpa. Em rede. Vamos, temos 20 dias! As redes sociais atingem no mínimo 90% dos municípios do pais, e no mínimo 95% dos eleitores, nem que seja através da padaria mais próxima. Vote num ou noutro, mas também na 3a opção!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; color: black;">Em 2002 foi a Carta aos Brasileiros.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; color: black;">8 anos depois, no mundo 2.0, façamos a <strong>Carta DOS Brasileiros!</strong><br />
</span></p>
<p><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">______________________<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;"> </span></p>
<address class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;"> (*) <strong>Hedge</strong>. </span><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;">Técnica usada em Finanças para neutralizar riscos. Se você assumiu dívida em euros, reduza o risco de perder na queda do euro. Basta trocar ativos em outras moedas por ativos em euros. Vendeu opções de compra de ações da Petrobras? Faça o hedge comprando opções que as equilibrem. Sempre há quem tem o risco inverso, e queira vender). </span></address>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 6pt; text-align: justify; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp; color: black;"> </span></p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">O círculo da direita se fecha: teocracia, censura nas redações, ideologia do medo</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://sergiostorch.com/dilma-ou-serra-a-historia-e-a-terceira-opcao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>12</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Tirando R$ 1,00 da carteira</title>
		<link>http://sergiostorch.com/tirando-r-1-da-carteira/</link>
		<comments>http://sergiostorch.com/tirando-r-1-da-carteira/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 21 Mar 2010 00:14:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Inteligência Coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência societal]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Web e ferramentas sociais]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://sergiostorch.com/?p=260</guid>
		<description><![CDATA[O individualismo míope dos que tentam resolvem seus problemas sozinhos, sem buscar soluções coletivas. Por que saírem 4 carros da garagem para levar as crianças para a mesma escola, nos mesmos 5 minutos? E o equivalente nas empresas?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>___________________________</p>
<p>Fui instigado, e já não é a primeira vez, pelo blog do Rodolfo &#8211; <a title="Blog do Rodolfo" href="  http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2010/03/50-dicas-bemintencionadas-para-uma-monstruosa-cagada.html   " target="_blank">&#8220;Não posso evitar&#8221;</a>. Ele critica de forma contundente uma <a title="50 ações contra o aquecimento global" href="http://site.noticiaproibida.org/50-acoes-contra-o-aquecimento-global.html" target="_blank">prescrição de 50 ações contra o aquecimento global, </a>cujo autor qualifica como sendo simples e que todos nós podemos  ajudar.</p>
<p>Eu às vezes brigo mentalmente  com o Rodolfo, e às vezes levo a briga para nossos blogs. Pode ser que as maneiras não sejam essas 50, mas que há 50 ações em que todos podemos ajudar, e que possam inverter o rumo de muitas coisas em áreas chave como saúde, educação, transporte, segurança, crédito etc., não tenho dúvida de que há.  E resolvi disparar essa, baseada na minha realidade imediata.</p>
<p>Em casa temos um ritual interessante, que a cibernética me levou a criar: tiro 1 Real da carteira para o cofrinho de minha filha, sempre que falo um palavrão. No fim do mês dá pra ela comprar mais uma revistinha,  pois a mesada não é lá essas coisas. E para mim foi a saída para ela me reconhecer o direito de dar vazão a uma indignação de profeta do Velho Testamento quando perdia as estribeiras. Ora, por que não? Até Jesus um dia se descontrolou e expulsou os vendilhões  do templo. E será que não rolou um palavraozinho que os evangelistas depois censuraram?</p>
<p>Funciona. Afinal minha filhota sai ganhando. E eu também. Ganha-ganha ensinado desde o berço.</p>
<p>Bem, vivo falando em QI coletivo: como um conjunto de pessoas individuamente inteligentes pode ter comportamentos coletivos estúpidos. Nada mais fácil para constatar isso do que uma reunião de doutores numa universidade que decide não decidir, ou de gênios numa agência de publicidade, cada um abrigado em seu ego enorme e se recusando a abrir mão de posições que possam levar a soluções mais rápidas e mais generosas.</p>
<p>Vamos ao assunto. A escola de minha filha vive ensinando (ou achando que está ensinando) o blábláblá politicamente correto da proteção do meio ambiente, lixo reciclável etc. Fingem que ensinam, as crianças fingem que aprendem, os pais ficam orgulhosos ao verem os trabalhos da garotada na Feira de Ciências. Nas escolas das redondezas é tudo igualzinho.  E eu, ao observar os carrões que chegam para deixar os filhos na escola ocupando cada um quase 10 metros quadrados de rua, e de vez em quando até apertando aquela buzina em que um sozinho consegue infernizar a vida de todos em redor, fico imaginando o quanto essas escolas estão se autoenganando ou enganando às próprias crianças, o que é muito pior.</p>
<p>Num dia da semana passada, casualmente, observei uma coisa que me levou a pensar na moedinha de 1 Real. 4 carros saindo da garagem no intervalo de 5 minutos, cada um com um pai ou mãe a levar seu pimpolho para a escola. Nos mesmos 5 minutos,  do mesmo lugar, para a mesma escola.</p>
<p>Veja: <strong>SÃO </strong>pessoas bacanas, sorridentes, afáveis, boa gente mesmo, a gente conversa no elevador. Nada contra, individualmente.</p>
<p>Mas ao ver o quarto carro saindo da garagem, tirei a moeda de 1 Real da carteira, e pronunciei um  VÁ PA&#8230; você já adivinhou o resto da frase&#8230;</p>
<p>&#8220;Filhota, toma mais essa moedinha. Você sabe o que é o direito à indignação?&#8221;</p>
<p>Meus leitores, meus clientes no mundo corporativo bem educado:  perdoem meu descontrole. Mas pensem aí com seus botões: será que no prédio de sua  empresa com 5000 funcionários, aí na Berrini superlotada, não tem um bocado de <strong>gente que vem, cada um com o seu carro, do mesmo quarteirão, nos mesmos 15 minutos?</strong></p>
<p>Que tal agregar ao programa de <strong>sustentabilidade </strong>da sua empresa uma ação afirmativa que estimule a carona solidária? É o tipo da coisa que, deixada a cada um, não rola. Mas, com um esforçozinho corporativo que use as suas ferramentas Web 2.0, Sharepoint, Notes, Twitter etc,  para fazer os caronistas aparecerem e ficarem bem na foto, será que não dá para, de repente, mudar essa microsociologia do individualismo indiferente ao resto do mundo&#8230; E de repente isso muda o comportamento de algum vizinho meu que trabalha na sua empresa.</p>
<p>Você imaginou se todas as empresas com programas de sustentabilidade fizessem isso? Imaginou as conseqüências agregadas sobre a parte dos automóveis no PIB? Imaginou um gráfico daqui a 1-2 anos mostrando a queda nas compras de automóveis por parte dos funcionários, comparada com a mesma KPI (indicador chave de desempenho, para os não habituados com o corporatês) de outras empresas que esposam os mesmos princípios?</p>
<p>Porque poucas pessoas param para lembrar que o aumento no tempo que passam no trânsito é diretamente relacionado com o carrão novo que comprou mês passado, somado a todos os carrões comprados por outros consumidores felizes como você.</p>
<p>Daí porque os programas de sustentabilidade das empresas poderiam dar uma estudadazinha nos conceitos de <a title="Felicidade Interna Bruta" href="http://felicidadeinternabruta.blogspot.com/" target="_blank">Felicidade Interna Bruta &#8211; FIB, q</a>ue começam a colocar em cheque o PIB. Para que precisamos de um PIB que aumente com a fumaça, as buzinas e o tempo no trânsito?</p>
<p>Está nas suas mãos, empresário. Vamos bater um papo sobre isso? Que tal <strong>bolar alguns processos </strong>para essas coisas acontecerem?</p>
<p>Aproveite e leia no fim de semana sobre o <a title="Balanço do uso do tempo" href="http://www.grossnationalhappiness.com/screeningTools/projectTools/16%20Time%20Use%20and%20Balance.pdf" target="_blank">balanço do uso do tempo.</a></p>
<p><a title="Balanço do uso do tempo" rel="nofollow" href="http://www.grossnationalhappiness.com/screeningTools/projectTools/16%20Time%20Use%20and%20Balance.pdf" target="_blank"><br />
</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://sergiostorch.com/tirando-r-1-da-carteira/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Uso múltiplo da água e do conteúdo</title>
		<link>http://sergiostorch.com/uso-multiplo-da-agua-e-do-conteudo/</link>
		<comments>http://sergiostorch.com/uso-multiplo-da-agua-e-do-conteudo/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 13 Jun 2009 16:01:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gestão do Conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência societal]]></category>
		<category><![CDATA[água]]></category>
		<category><![CDATA[cadeias de conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[conteúdo]]></category>
		<category><![CDATA[uso múltiplo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://sergiostorch.com/?p=198</guid>
		<description><![CDATA[Ativos como a água, na sociedade, e o conteúdo, nas organizações, têm um potencial de uso e geração de valor mais amplos do que os usos para os que foram destinados originalmente. São grandes riquezas inexploradas, cuja exploração pode ter custos baixos, com grandes resultados. Uso múltiplo está intimamente relacionado à construção de cadeias de conhecimento.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal">Quero fazer um paralelo de dois desafios análogos: o uso múltiplo da água, na sociedade,  e do conteúdo,  nas organizações.</p>
<p class="MsoNormal">O conceito de <strong><span style="color: #000080;">uso múltiplo </span></strong>me apareceu num projeto recente para um operador do setor elétrico, onde aprendi que as ações desse operador na gestão do nível das represas são limitadas pela necessidade de assegurar o equilíbrio com outros usos da água. Ora, a água serve para tantas coisas além de gerar eletricidade: uso humano, irrigação, passear de barco a vela, turismo enfim&#8230;  Água é PIB potencial. O que falta para que se converta em PIB real?</p>
<p class="MsoNormal">(Deixo para outro post a instigante discussão sobre a obsolescência do PIB como métrica de riqueza. Enquanto isso, para seu deleite, leia  <a title="Muito além do PIB" href="http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/conteudo_420149.shtml">&#8220;Muito Além do PIB&#8221;</a> ).</p>
<p class="MsoNormal">Voltando para o o <strong><span style="color: #000080;">uso múltiplo</span></strong> da água. Em outro projeto, aprendi que o lago da barragem de Serra da Mesa, em Goiás, é o maior lago do Cone Sul, podendo ser utilizado para um volume tal de produção de peixe, que pode alimentar toda a população brasileira e até mesmo mudar os hábitos alimentares de nossa sociedade. Ou seja, usá-lo para apenas produzir energia é um enorme desperdício.</p>
<p class="MsoNormal">O que falta para que passemos a produzir essas proteínas de custo e impacto ambiental baixíssimos?</p>
<p class="MsoNormal">Ainda em outro projeto, numa empresa de serviços de alta complexidade,  consciente de que o seu valor consiste basicamente no capital intelectual contido na sua experiência e no potencial de seus funcionários, constatei que os conteúdos de currículos dos profissionais podem atender a diversos processos críticos, além das necessidades da gestão de pessoas. Por exemplo, eles são imprescindíveis para a rapidez na elaboração de propostas em grandes concorrências. Podem também ser utilizados, dependendo de como os dados são organizados e tabulados, para o planejamento de treinamento, para o planejamento de sucessão, para o foco comercial em projetos compatíveis com as competências da empresa, e até mesmo para a avaliação financeira do valor da empresa, em que os chamados ativos intangíveis são a cada dia mais reconhecidos como o principal componente do valor.</p>
<p class="MsoNormal">Numa outra instituição, que atua em serviços de extensão tecnológica, o desempenho depende da agilidade em identificar os consultores terceirizados mais apropriados para cada tarefa, mas o acesso aos currículos desses profissionais está involuntariamente trancado dentro de um sistema hermético, no qual as possibilidades de busca são extremamente limitadas.</p>
<p class="MsoNormal">Ora, se há consenso nessas empresas em que estamos na era do conhecimento, e que o capital humano é componente fundamental do valor da empresa, o que falta para que o <strong><span style="color: #000080;">uso múltiplo</span></strong> desses conteúdos seja potencializado e passe a multiplicar o valor desses ativos?</p>
<p class="MsoNormal">Acredito que, em ambos os casos, dos o <strong><span style="color: #000080;">usos múltiplos</span></strong> da água e do conteúdo, a resposta esteja na seguinte combinação de fatores:</p>
<ul style="margin-top: 0cm;" type="disc">
<li class="MsoNormal"><strong>Aplicação do entendimento      de Von Clausewitz</strong>, estrategista militar de Bismarck,  de que “a guerra      é importante demais para ser deixada aos generais”.  Da mesma forma, a água é importante demais      para ser deixada às geradoras de energia, e o conteúdo gerado nas empresas é importante demais      para permanecer fechado nos registros dos projetos ou processos onde tenham sido produzidos. Isso vale para para os conteúdos contidos em currículos, revistas técnicas, atas, relatórios de projeto, pesquisas e diversos outros documentos e arquivos em áudio e vídeo.</li>
</ul>
<ul style="margin-top: 0cm;" type="disc">
<li class="MsoNormal"><strong>Construção de uma      governança</strong>, seja na água ou no conteúdo, que empodere as múltiplas áreas ou instituições que      possam gerar valor a partir desses recursos: no caso da água, os      planejadores de desenvolvimento regional,  os poderes locais, os empreendedores em      piscicultura e em turismo etc. ;  no caso de  conteúdos, especialmente as áreas que      possam identificar oportunidades a serem desenvolvidas com os mesmos.      Currículos, por exemplo, podem servir para a área financeira valorizar e      comunicar ao mercado os ativos intangíveis da empresa, e assim produzir impactos no      valor das ações no mercado.</li>
</ul>
<ul style="margin-top: 0cm;" type="disc">
<li class="MsoNormal"><strong>Construção de cadeias de conhecimento </strong>com processos ativos      de identificação, análise e o <span style="color: #000080;"> <span style="color: #000000;">bombeamento </span></span><span style="color: #000000;"> de idéia</span>s,  experiências, perguntas e respostas      (principalmente as perguntas, como Rilke aconselhou nas suas <a title="Cartas a um jovem poeta" href="http://sergiostorch.com/referencias/rainer-maria-rilke-cartas-a-um-jovem-poeta/" target="_blank">“Cartas a um      Jovem Poeta”</a>).  Não fui original ao intuir o <a title="Cadeias de conhecimento" href="http://sergiostorch.com/artigos/cadeias-de-conhecimento-dutos-para-a-inteligencia-coletiva/" target="_blank">conceito de cadeias de conhecimento: </a> embora pouco explorado nas discusões de gestão do conhecimento no Brasil,  descobri no Google que essa expressão já é bastante utilizada &#8211; veja por exemplo o interessante paper  <a title="Knowledge chains in construction" href="http://www.irbdirekt.de/daten/iconda/CIB9822.pdf" target="_blank">&#8220;The need for knowledge chains in construction&#8221;.</a> Acredito que a criação de cadeias de conhecimento intra e inter-organizações seja a      fronteira mais interessante a ser desbravada com apoio  das novas mídias  sociais, como os wikis, twitter e os ambientes de      relacionamento tipo Orkut.</li>
</ul>
<p class="MsoNormal"><span style="color: #000080;"><strong>Uso múltiplo</strong></span>: talvez a palavra chave para amolecer o coração dos “donos” dos conteúdos onde talvez se encontrem possibilidades de tornar mais ágeis e inteligentes diversos processos críticos nas organizações.</p>
<p class="MsoNormal">Vale destacar que essa preocupação talvez se some a aquelas já presentes no <a title="Critério 5" href="http://www.fnq.org.br/site/403/default.aspx">Critério 5 &#8211; Informações e Conhecimento,</a> do <a href="http://www.fnq.org.br/site/376/default.aspx" target="_blank">Modelo de Excelência      em Gestão (MEG), </a>da Fundação Nacional da Qualidade.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">_____________________________________________________________________</p>
<p class="MsoNormal">CAMPANHA: Aproveito para divulgar, a propósito, o ato público do Instituto Ethos e do Movimento Nossa São Paulo, contra o desmantelamento da nossa legislação ambiental, caso a Medida Provisória já denominada Lei da Grilagem não seja vetada pelo presidente Lula.  <a href="http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/7877" target="_blank">Saiba mais&#8230; </a> Vamos nos ver lá?</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://sergiostorch.com/uso-multiplo-da-agua-e-do-conteudo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Gaza: sensemaking e inteligência coletiva</title>
		<link>http://sergiostorch.com/gaza-sensemaking-e-inteligencia-coletiva/</link>
		<comments>http://sergiostorch.com/gaza-sensemaking-e-inteligencia-coletiva/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 Jan 2009 21:15:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Inteligência Coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência societal]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça e paz]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Web e ferramentas sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
		<category><![CDATA[sensemaking]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://sergiostorch.com/?p=30</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;Nenhum problema pode ser resolvido a partir do mesmo nível de consciência que o criou&#8221; &#8211; Albert Einstein Para “unir os pontos” entre meus temas profissionais (especialmente a gestão do conhecimento e a inteligência em rede) e o meu cotidiano, preciso me referir a um tema que volta a ocupar boa parte de minha mente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>&#8220;Nenhum problema pode ser resolvido a partir do mesmo nível de consciência que o criou&#8221; &#8211; Albert Einstein</em></p></blockquote>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Para “unir os pontos”<span> </span>entre meus temas profissionais (especialmente a gestão do conhecimento e a inteligência em rede) e o meu cotidiano, preciso me referir a um tema que volta a ocupar boa parte de minha mente depois de anos de relativo distanciamento: a questão da paz entre israelenses e palestinos. E não posso deixar de usar as lentes que desenvolvi nesses 7 anos (um ciclo, segundo a antroposofia). É como se eu estivesse voltando ao ponto de partida, mas com alguns outros olhares.</p>
<p class="MsoNormal">O instrumental teórico da Gestão do Conhecimento deixa marcas indeléveis. Vamos falar de <a title="sensemaking" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sensemaking" target="_blank">sensemaking</a>.</p>
<p class="MsoNormal"><span id="more-30"></span>“Sensemaking” = construção do sentido. Acho esse conceito indispensável para entender o que a historiadora Barbara Tuchman chamou de marcha da insensatez (em livro com o mesmo nome), ou seja, a marcha para o precipício a que tantos líderes na história conduziram os seus povos (há casos discutidos também no mundo animal, como o <a title="lemmings" href="http://www.google.com/search?ie=UTF-8&amp;oe=UTF-8&amp;sourceid=navclient&amp;gfns=1&amp;q=lemmings+suicide" target="_blank">suicídio coletivo dos lemingues</a>).</p>
<p class="MsoNormal">O conceito de “sensemaking” vem ganhando espaço desde que o professor Choo, da Universidade de Toronto, produziu o livro que considero o mais importante na área nos últimos 10 anos: <a title="&quot;The Knowing Organization&quot;, de Chun Wei Choo, 1998, trad. Ed. Senac, 2003" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=1&amp;ProdId=217448&amp;ST=SR&amp;franq=247263"></a><a title="choo artepaubrasil" href="http://www.paubrasil.com.br/descricao.asp?cod_livro=AA7927" target="_blank">&#8220;The Knowing Organization</a> (no Brasil editado pelo Senac). Choo faz a crítica de abordagens mais tradicionais da gestão do conhecimento que são centradas nas preocupações com o compartilhamento genérico do conhecimento.  Preocupando-se com a inteligência organizacional e não com o compartilhamento como fim em si, ele propõe enxergar o ciclo do conhecimento em três etapas: o sensemaking, a criação de conhecimento, e a tomada de decisão.</p>
<p class="MsoNormal">A primeira é o momento de elaboração coletiva do sentido (sensemaking), em que olhares plurais se juntam para extrair sentido de informações que para alguns, individualmente, não querem dizer muita coisa, mas que em conjunto contribuem para a montagem de um quebra-cabeças de onde emergem significados. Para Choo, são inócuas as iniciativas de gestão do conhecimento que não considerem primeiramente a criação do significado.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Pois bem . Vamos a Gaza, passando por uma parábola contada por Peter Senge  em &#8220;A Quinta Disciplina&#8221;: se jogarmos um sapo na panela de água fervente, ele se estica e pula imediatamente. Seu sistema nervoso é preparado para isso. Mas se o pusermos na água e começarmos com um foguinho lento, ele vai relaxando devagarinho, e vai ficando&#8230; até terminar cozido.</p>
<p class="MsoNormal">A mídia exerce seu papel de nos chamar a atenção para a água escaldante. . Mas poucos se dão conta da água esquentando devagarinho,  quando mais uma família israelense se instala num assentamento na Cisjordânia e mais uma classe de alunos nas escolas do Hamas recebe cartilhas ensinando a Jihad. A água vai esquentando e de repente, bum! O mundo acorda com o som dos bombardeios.</p>
<p class="MsoNormal">Israel precisa defender dos foguetes o 1 milhão de israelenses que estão no raio de seu alcance, mas bombardear Gaza é como enxugar gelo.  No jogo do sapo, morrem palestinos, morrem israelenses, e a força moral da sociedade israelense se corrompe e se destrói ao violar direitos humanos, como havia sido profetizado por sábios como <a title="The Nation - Yeshayahu Leibowitz" href="http://www.thenation.com/doc/20020225/gordon" target="_blank">Yeshayahu Leibowitz </a>ainda em 1967.</p>
<p>Essa história tem um link com minha guinada profissional. Comecei na Web quando, em 2000, fui ativo participante de grupos que militaram pela paz justa entre israelenses e palestinos.  Usei num artigo a metáfora da teoria do cáos, <a title="borboleta que bate asas" href="http://www.asa.org.br/boletim/71/71_comunidades2.htm" target="_blank">da borboleta que bate asas&#8230; </a>Não fosse o aprendizado com os primeiros e-groups que criei naquela época, eu não estaria hoje fazendo projetos de portais 2.0 com comunidades de prática e redes sociais. Foi no calor das batalhas virtuais e campais do movimento pacifista que eu tive as primeiras lições sobre as possibilidades e armadilhas dessa mídia (e também aprendi na carne o quanto  as novas mídias requerem novas habilidades para o diálogo, que muitas vezes sucumbe mesmo entre pacifistas, que nem sempre primam pela humildade e serenidade verbal).</p>
<p>A pressão profissional fez que eu me distanciasse. Bem, estou voltando&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">A roda viva do tempo deu uma volta, e estamos na Web 2.0. Agora habemus blogs, o que facilita bastante as coisas. Não mais longas reuniões para aprovar uma ação: podemos fazer isso no Ning, e cada um pode escrever o que pensa em seu blog, e os demais podem ir linkando através de blogrolls e trackbacks. Nesses 8 anos as redes sociais já cutucaram a OMC em Seattle, derrubaram um governo filipino, e permitem que nós brasileiros, campeões do Orkut, possamos vir a desempenhar um papel na paz global, fazendo a ponte entre israelenses e palestinos através do samba e do futebol, sem esperar pelas lideranças oficiais das comunidades étnicas, que têm rabo preso na lealdade a velhos dogmas e crenças paralisantes.</p>
<p class="MsoNormal">Ao ver de novo o filme das atitudes maniqueístas dos partidários de um e outro lado,  penso sempre no sapo&#8230;</p>
<p class="MsoNormal"><img class="aligncenter size-medium wp-image-31" title="boiling-frog" src="http://sergiostorch.com/wp-content/arquivos/boiling-frog-300x264.jpg" alt="boiling-frog" width="300" height="264" /></p>
<p class="MsoNormal">Acredito que o Hamas cresce porque os palestinos cercados num gueto tendem a se deixar seduzir pelas vertentes mais reacionárias de um islamismo que, apesar do que parece (de novo a mídia), tem suas vertentes modernas e democráticas. A derrota dos extremistas só poderá se dar com o fim da ocupação e a criação de um Estado Palestino democrático, que só será possível se Israel for forçado de fora para estancar os assentamentos. De fora para dentro,  porque na lógica da democracia israelense a minoria judaica fundamentalista sempre terá poder desproporcional a seu tamanho (assim se explicam as marchas da insensatez em que maiorias ficam reféns de minorias).  De fora para dentro pois, segundo Einstein, <em>&#8220;Nenhum problema pode ser resolvido a partir do mesmo nível de consciência que o criou&#8221;.</em></p>
<p class="MsoNormal">
<p>Não é possível ser diferente? <a href="http://www.youtube.com/embed/iWI-Zr8qRtc">Veja e ouça </a>estes músicos israelenses e palestinos.</p>
<p>Mais um pouquinho de gestão do conhecimento: cognição coletiva. A tragédia de palestinos e israelenses leva o leitor de jornal ou telespectador a questionar sobre como tudo isso veio a acontecer. A dificuldade em suportar o estado de perplexidade conduz a uma saída fácil: apontar um lado culpado. Faz parte da visão reducionista que prevalece na cultura ocidental. Ao julgar, depositamos a culpa em alguém, o que nos alivia bastante pois o mal está no outro e não em nós.</p>
<p class="MsoNormal">Mas ao pensar dessa forma esquecemos um antigo questionamento filosófico: quem veio antes, o ovo ou a galinha? Os que vão às ruas “em defesa de Israel” talvez saibam a resposta: foi o ovo. E os que protestam unilateralmente contra o massacre de palestinos talvez estejam seguros de que a galinha veio antes.</p>
<p class="MsoNormal">Sobre o enigma ovo-e-galinha de Gaza-Palestina-Oriente Médio, eu apenas sei que é um ciclo que começou há muito tempo e que continuará por muitos anos. E não sei, mas acredito, que seja possível construir opções de convivência e felicidade para os destinos desses dois povos.</p>
<p class="MsoNormal">Se tenho alguma crença forte, é a de que situações ovo-e-galinha que não apontam saída só podem ser superadas quando indivíduos (especialmente lideranças) se dêem conta do quanto as pequenas complacências do dia-a-dia com o pensamento grupal são atos que reforçam o impasse em vez de ajudar as saídas, que só existem a partir da coragem individual para superar a comodidade do maria-vai-com-as-outras . O <a href="http://contardocalligaris.blogspot.com/2009/01/um-ano-novo-feliz-e-desconfiado.html" target="_blank">Contardo Calligaris aponta isso nos comentários que fez sobre o filme &#8220;Um Homem Bom&#8221;. </a>Não deixe de ver o filme e ler o artigo.</p>
<p class="MsoNormal">Vejam este <a title="Blog Gaza-Sderot" href="http://gaza-sderot.blogspot.com/" target="_blank">blog de um palestino de Gaza e um israelense de Sderot. </a>Inimigos?</p>
<p class="MsoNormal">Modelo mental:  a aparente oposição entre israelenses e palestinos pode ser vista de outra forma. Há uma oposição que existe em ambos os lados, entre aqueles que acreditam e lutam por uma solução de paz e dignidade, e aqueles que só acreditam e lutam por soluções de força. Entre aqueles que pensam numa escala de tempo mais longa no passado e no futuro, e os outros cuja perspectiva temporal é mais curta.</p>
<p class="MsoNormal">Estes últimos fariam bem em ter em mente os dois mapas abaixo, nos quais as posições de Davi e Golias se invertem. Não medi, mas me parece que Gaza está para Israel assim como Israel está para o Oriente Médio inclusive o Irã.</p>
<p class="MsoNormal">Quem é Davi e quem é Golias?</p>
<p class="MsoNormal"><img class="alignnone size-full wp-image-38" title="israel-e-faixa-de-gaza1" src="http://sergiostorch.com/wp-content/arquivos/israel-e-faixa-de-gaza1.gif" alt="israel-e-faixa-de-gaza1" width="512" height="300" /></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Então veja agora este mapa. Quem é Davi e quem é Golias agora?</p>
<p class="MsoNormal"><img class="aligncenter size-medium wp-image-39" title="israel-e-oriente-medio1" src="http://sergiostorch.com/wp-content/arquivos/israel-e-oriente-medio1-300x260.gif" alt="israel-e-oriente-medio1" width="300" height="260" /></p>
<p class="MsoNormal">Agora vamos ver na perspectiva temporal.</p>
<p class="MsoNormal">O ovo ou a galinha? Se olharmos para o início do bombardeio, a culpa é dos israelenses. Sataniza-se Israel, como fez o comunicado oficial do PT de Valter Pomar e Ricardo Berzoini  equiparando Israel e nazismo (foram <a title="carta dos militantes do PT" href="http://www.pazagora.org/detailartigo.cfm?IdArtigo=1287" target="_blank">contestados por 36 intelectuais do PT</a>, mas o estrago já foi feito, embora vamos convir que é o menor dos estragos nesta história de horror). Mas se olharmos para os mísseis Qassam disparados contra Sderot, foram os palestinos que começaram. Sim, mas e o bloqueio econômico? Ah, então foram os israelenses. Ah, mas peraí, e o cerco a Israel na guerra dos 6 dias? E assim vamos retrocedendo no tempo até o massacre cometido contra judeus em Hebron em 1927, por uma turba de palestinos liderada pelo mufti de Jerusalem que anos depois desfilou em parada em Berlim ao lado de quem? Hitler. Ou retrocedemos mais ainda até Sansão e Dalila (foi em Gaza&#8230;).</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Diante desse relativismo de perspectiva temporal, o posicionamento através da culpabilização de qualquer um dos lados e de palavras de ordem simplistas é um desserviço à cidadania global. Mas vamos reconhecer que faz parte de nosso modelo mental o paradigma da culpa e castigo, associado ao moralismo ocidental e à idéia implícita de que há alguém no topo de alguma hierarquia (seja a ONU, seja Deus) que de alguma forma fará justiça. Ou seja, culpabilização tem algo a ver com o pensamento hierárquico: ao culpabilizar estamos invocando inconscientemente um poder maior que aplique a punição. Daí a apoiar o oportunismo-populismo de Hugo Chavez é um passo&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">Um amigo, Leandro Cianconi, estudioso de Governo 2.0, também lança luz sobre esse conflito do ponto de vista da <a href="http://cianconi.com/leandro/governo/a-guerra-da-descentralizacao/" target="_blank">superioridade das organizações em rede. </a> Vale a pena ler.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Isso tudo já é bastante complicado, e estamos olhando somente pelo espelho retrovisor. Vamos então olhar “de volta ao futuro”.</p>
<p class="MsoNormal">França e Alemanha se reconciliaram depois de séculos de conflitos. Idem católicos e protestantes na Irlanda do Norte.</p>
<p class="MsoNormal">A grande parcela de palestinos e israelenses que deu base social para as negociações de <a title="Acordos de TABA" href="http://www.palestinefacts.org/pf_1991to_now_alaqsa_taba.php  " target="_blank">TABA</a> e a <a title="Iniciativa de Genebra" href="http://www.espacoacademico.com.br/045/45ip_storch.htm" target="_blank">Iniciativa de Genebra</a> precisam de um empurrãozinho de fora para dentro.</p>
<p class="MsoNormal">Faço a seguinte reflexão, que espero modestamente que chegue ao ministro Celso Amorim e a lideranças de nossas empresas e de nossa sociedade civil.</p>
<p class="MsoNormal">
<ul>
<li>A guerra de comunicação entre os dois lados é desperdício de energia.</li>
<li>há um futuro pela frente.  O que cada uma das partes pode oferecer como presente para seus filhos e netos?</li>
<li>é preciso desviar a atenção que a mídia atrai para a destruição, e focalizar as possibilidades da reconstrução.</li>
<li>O Brasil tem um papel nisso, por ser uma marca querida tanto por palestinos quanto israelenses. Não só pela tradição de harmonia (que afinal não é tudo isso, que o digam os nossos afrobrasileiros, que têm alguns séculos de escravatura a nos lembrar), mas pela imagética ligada à alegria, como a música, o futebol etc.</li>
<li>As empresas brasileiras certamente terão interesse também num projeto de reconstrução. Pensando com a frieza de investidores de mercado, a Palestina é um ativo barato para se conquistar os mercados do Oriente Médio, e não deverão faltar recursos para montar uma Casa do Brasil em Gaza, e outras em Tel Aviv, Ramallah, Jerusalém, Belém etc.</li>
<li>os experts brasileiros em Web 2.0 (que temos muitos) terão enorme satisfação em criar ambientes de redes sociais que tirem os palestinos do gueto no qual o fundamentalismo islâmico é a influência dominante. Que os jovens palestinos e israelenses se conectem a nós em redes sociais de futebol, samba, de Doutores da Alegria, de Médicos sem Fronteiras, e de estudo da História em que convivam as narrativas israelense e palestina do conflito. Temos também pedagogos e psicólogos competentes para lidar com traumas de guerra.</li>
</ul>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">O Brasil não estará sozinho nisso, mas pode estar na linha de frente da  iniciativa, à qual se seguirá a França de Sarkozy, os Estados Unidos de  Obama etc. Não precisamos esperar termos o nosso assento no Conselho de  Segurança. No mundo deshierarquizado pela tecnologia, podemos construir o  nosso assento de forma bottom-up, a partir de nossos empresários,  jovens e profissionais liberais.</p>
<p class="MsoNormal">Espero que lideranças das comunidades brasileiras de judeus e palestinos  saibam olhar além da fumaça, e passem a defender seus respectivos povos  de forma construtiva e não mais defensiva. Vamos fazer coro a <a title="Barenboim" href="http://www.pazagora.org/detailartigo.cfm?IdArtigo=1270" target="_blank">Daniel Barenboim </a>e  (z´l) Edward Said, pais da Sinfônica Jovem de israelenses e palestinos,  e aos blogueiros de Gaza-Sderot, em vez de sermos auto-complacentes com  o discurso da culpa do outro.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Vamos nós no Brasil unir os pontinhos e construir o significado dessas oportunidades, que nos abrem as portas para a aprendizagem societal em nível global.</p>
<p class="MsoNormal">Comecei com Einstein, e concluo com John Lennon:</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">You may say I´m a dreamer&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">But I´m not the only one…</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">I hope some day you join us…</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">And the world will be as one…</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">(caso vc queira se manter bem informado com a visão do campo da paz de ambos os lados palestino e israelense, assine </span><span lang="EN-US">os boletins dos <a href="http://www.pazagora.org" target="_blank">Amigos Brasileiros do Paz Agora)</a>, ).</span></p>
<p class="MsoNormal">
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://sergiostorch.com/gaza-sensemaking-e-inteligencia-coletiva/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>17</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

