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	<title>Vou vivendo... &#187; Justiça e paz</title>
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	<description>Gestão do conhecimento dá samba...</description>
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		<title>Empreendedorismo &#8230; capital intelectual&#8230; Oriente Médio &#8211; 2</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Feb 2011 02:29:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Leia os demais posts desta minissérie: &#8220;Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede&#8221; “Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades” “Diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender” “Empreendedorismo e sua ancestralidade no Oriente Médio” “Brasileiros comem pelas beiradas. Vamos adotar Gaza?” “Jogue também sua garrafa ao mar” Oriente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Leia os demais posts desta minissérie:</h3>
<ol>
<li><a title="Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede" href="http://sergiostorch.com/empreendedorismo-para-nosso-capital-intelectual-e-o-oriente-medio-0/" target="_blank">&#8220;Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede&#8221;</a></li>
<li><a title="Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades" href="../../empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-2/" target="_blank">“Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades”</a></li>
<li><a title="Um diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender" href="../../empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-3/" target="_blank">“Diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender”</a></li>
<li>“Empreendedorismo e sua ancestralidade no Oriente Médio”</li>
<li>“Brasileiros comem pelas beiradas. Vamos adotar Gaza?”</li>
<li>“Jogue também sua garrafa ao mar”</li>
</ol>
<h1>Oriente Médio e oportunidades para o Brasil</h1>
<p>Mudanças profundas no Egito após 60 anos do fim do colonialismo britânico. Inicialmente décadas de um nacionalismo escorado na demonização de Israel, o inimigo eleito por Nasser (um Chávez na época em que os Chávez ainda não eram patéticos). Após as derrotas militares em 1967 e 1973, outras décadas de ditaduras  que mantiveram seu povo na miséria, de forma análoga a quase todos os países árabes.</p>
<p>Detalhe significativo da crise do Egito atual: não se falou em Israel.  Não há mais a culpa do outro, aquele que deve ser eliminado. Um salto para a maturidade de um povo que deixa de precisar de um Pai Protetor. Agora é a busca de transformações internas (<a href="http://www.50emais.com.br/2011/02/os-arabes-e-o-fim-da-vitimizacao/">Roger Cohen, “Os árabes e o fim da vitimização”, 4/2/11).</a></p>
<p>Não é aqui o lugar para aprofundarmos essa história. Nem é minha competência. Mas meu guru na ciência das redes, Augusto de Franco, encanta ao dizer que <a href="http://evolucaocriadora.blogspot.com/2010/07/buscadores-polinizadores-3a-versao.html">“eu guardo meu conhecimento nos meus amigos”</a> e porisso não hesito em brindar os leitores com a excelente síntese produzida pelo querido professor <a href="http://sergiostorch.com/referencias/henrique-rattner-fogo-e-tempestade-no-oriente-medio-fev11/">Henrique Rattner – “Fogo e tempestade no mundo árabe”</a>, do qual tomo emprestado o parágrafo a seguir:</p>
<p>“A onda de protestos e manifestações que varre o mundo árabe proporciona ao ocidente a oportunidade de mudar sua atitude de hipocrisia de apoiar com bilhões de US dólares e fornecimento de armas sofisticadas aos regimes claramente obsoletos, necessitando urgentemente de reformas profundas. O pêndulo da História está em pleno movimento, evidenciando ventos de mudança no mundo árabe, inclusive nas monarquias reacionárias da Arábia Saudita, dos Marrocos, da Jordânia e dos Emirados”.</p>
<p>Dezenas de jornalistas, analistas políticos e de relações internacionais nos trarão seus cenários de futuro nas próximas semanas. Mas a sensibilidade dos artistas é portadora do pensamento complexo, que admite o contraditório e rompe com a lógica aristotélica do “Terceiro Excluído” (“ou é isso OU aquilo, não dá para ser isso E aquilo”), com a qual sofremos lavagem cerebral ao passarmos pela escola e crescermos no mundo do trabalho.</p>
<p>E os artistas sabem que “a vida vem em ondas, como o mar” (Lulu Santos). Com todas as análises que receberemos dos analistas, a síntese do que virá no Oriente Médio depende de fatores que somos incapazes de prever.  O mesmo Roger Cohen, do New York Times, avisa que esse Fla-Flu pode dar <a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110209/not_imp677133,0.php">tanto Teerã de 1979 quanto Berlim de 1989 </a>.</p>
<p>Os analistas nada ingênuos da CIA, do Mossad e de outras agências de inteligência produziram milhares de informes nos últimos anos, e apesar dissoos seus governos não estavam preparados para os acontecimentos atuais no Egito e nos demais países para onde a revolução democrática árabe se irradia.  Estamos na era da <strong>economia da atenção. </strong>Inteligência não é ter a informação, é dar atenção à informação relevante. Estava na cara para todo o mundo que ali havia um caldeirão prestes a explodir, mas o que se costuma chamar de “inteligência” mostrou-se incapaz de processar os sinais fracos que estavam à vista para todos. Por que? Pedirei ao amigo Frédéric Donier, expert no assunto, que venha comentar isso aqui com link para seu blog.  É dos bons. Não deixe de ler os comentários, pois também a minha inteligência está nos meus amigos.</p>
<h1>Construindo o futuro</h1>
<p>Futuro não existe. Ele pede para ser construído. Como ele não está escrito nem nas estrelas nem nos informes dos analistas nem nas teses de doutorado, é razoável presumir que neste futuro do Oriente Médio haverá, para os interesses brasileiros, <strong>um espaço ainda a ser construído. </strong>E nós somos atores neste processo. Ou não. Depende não de intelectuais, e sim de empreendedores (no sentido lato de empresas, agências de governo, ONGs, países&#8230; empreendedores).  Bem antes de se criar essa palavra estranha (&#8220;empreendedorismo&#8221;) a quarta tese de Marx sobre Feuerbach (1845) já falava disso:  <strong>&#8220;Filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diversas maneiras; mas o que importa é transformá-lo&#8221;. </strong>O velhinho é atual.<strong><br />
</strong></p>
<p>Falarei no próximo post sobre as oportunidades que vejo para o Brasil na conquista de um mercado para<strong> serviços nobres produzidos pelo nosso capital intelectual. </strong>Ou seja, pego o gancho para desde já recorrer a parte desse capital intelectual: a riqueza da nossa poesia e da nossa música, que perguntam <strong> QUAL É A PARTE QUE NOS CABE NESTE LATIFÚNDIO?</strong></p>
<p><strong>Veremos no próximo capítulo: amanhã mudamos de marcha&#8230;<br />
</strong></p>
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		<title>Gaza: sensemaking e inteligência coletiva</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jan 2009 21:15:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Inteligência Coletiva]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;Nenhum problema pode ser resolvido a partir do mesmo nível de consciência que o criou&#8221; &#8211; Albert Einstein Para “unir os pontos” entre meus temas profissionais (especialmente a gestão do conhecimento e a inteligência em rede) e o meu cotidiano, preciso me referir a um tema que volta a ocupar boa parte de minha mente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>&#8220;Nenhum problema pode ser resolvido a partir do mesmo nível de consciência que o criou&#8221; &#8211; Albert Einstein</em></p></blockquote>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Para “unir os pontos”<span> </span>entre meus temas profissionais (especialmente a gestão do conhecimento e a inteligência em rede) e o meu cotidiano, preciso me referir a um tema que volta a ocupar boa parte de minha mente depois de anos de relativo distanciamento: a questão da paz entre israelenses e palestinos. E não posso deixar de usar as lentes que desenvolvi nesses 7 anos (um ciclo, segundo a antroposofia). É como se eu estivesse voltando ao ponto de partida, mas com alguns outros olhares.</p>
<p class="MsoNormal">O instrumental teórico da Gestão do Conhecimento deixa marcas indeléveis. Vamos falar de <a title="sensemaking" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sensemaking" target="_blank">sensemaking</a>.</p>
<p class="MsoNormal"><span id="more-30"></span>“Sensemaking” = construção do sentido. Acho esse conceito indispensável para entender o que a historiadora Barbara Tuchman chamou de marcha da insensatez (em livro com o mesmo nome), ou seja, a marcha para o precipício a que tantos líderes na história conduziram os seus povos (há casos discutidos também no mundo animal, como o <a title="lemmings" href="http://www.google.com/search?ie=UTF-8&amp;oe=UTF-8&amp;sourceid=navclient&amp;gfns=1&amp;q=lemmings+suicide" target="_blank">suicídio coletivo dos lemingues</a>).</p>
<p class="MsoNormal">O conceito de “sensemaking” vem ganhando espaço desde que o professor Choo, da Universidade de Toronto, produziu o livro que considero o mais importante na área nos últimos 10 anos: <a title="&quot;The Knowing Organization&quot;, de Chun Wei Choo, 1998, trad. Ed. Senac, 2003" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=1&amp;ProdId=217448&amp;ST=SR&amp;franq=247263"></a><a title="choo artepaubrasil" href="http://www.paubrasil.com.br/descricao.asp?cod_livro=AA7927" target="_blank">&#8220;The Knowing Organization</a> (no Brasil editado pelo Senac). Choo faz a crítica de abordagens mais tradicionais da gestão do conhecimento que são centradas nas preocupações com o compartilhamento genérico do conhecimento.  Preocupando-se com a inteligência organizacional e não com o compartilhamento como fim em si, ele propõe enxergar o ciclo do conhecimento em três etapas: o sensemaking, a criação de conhecimento, e a tomada de decisão.</p>
<p class="MsoNormal">A primeira é o momento de elaboração coletiva do sentido (sensemaking), em que olhares plurais se juntam para extrair sentido de informações que para alguns, individualmente, não querem dizer muita coisa, mas que em conjunto contribuem para a montagem de um quebra-cabeças de onde emergem significados. Para Choo, são inócuas as iniciativas de gestão do conhecimento que não considerem primeiramente a criação do significado.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Pois bem . Vamos a Gaza, passando por uma parábola contada por Peter Senge  em &#8220;A Quinta Disciplina&#8221;: se jogarmos um sapo na panela de água fervente, ele se estica e pula imediatamente. Seu sistema nervoso é preparado para isso. Mas se o pusermos na água e começarmos com um foguinho lento, ele vai relaxando devagarinho, e vai ficando&#8230; até terminar cozido.</p>
<p class="MsoNormal">A mídia exerce seu papel de nos chamar a atenção para a água escaldante. . Mas poucos se dão conta da água esquentando devagarinho,  quando mais uma família israelense se instala num assentamento na Cisjordânia e mais uma classe de alunos nas escolas do Hamas recebe cartilhas ensinando a Jihad. A água vai esquentando e de repente, bum! O mundo acorda com o som dos bombardeios.</p>
<p class="MsoNormal">Israel precisa defender dos foguetes o 1 milhão de israelenses que estão no raio de seu alcance, mas bombardear Gaza é como enxugar gelo.  No jogo do sapo, morrem palestinos, morrem israelenses, e a força moral da sociedade israelense se corrompe e se destrói ao violar direitos humanos, como havia sido profetizado por sábios como <a title="The Nation - Yeshayahu Leibowitz" href="http://www.thenation.com/doc/20020225/gordon" target="_blank">Yeshayahu Leibowitz </a>ainda em 1967.</p>
<p>Essa história tem um link com minha guinada profissional. Comecei na Web quando, em 2000, fui ativo participante de grupos que militaram pela paz justa entre israelenses e palestinos.  Usei num artigo a metáfora da teoria do cáos, <a title="borboleta que bate asas" href="http://www.asa.org.br/boletim/71/71_comunidades2.htm" target="_blank">da borboleta que bate asas&#8230; </a>Não fosse o aprendizado com os primeiros e-groups que criei naquela época, eu não estaria hoje fazendo projetos de portais 2.0 com comunidades de prática e redes sociais. Foi no calor das batalhas virtuais e campais do movimento pacifista que eu tive as primeiras lições sobre as possibilidades e armadilhas dessa mídia (e também aprendi na carne o quanto  as novas mídias requerem novas habilidades para o diálogo, que muitas vezes sucumbe mesmo entre pacifistas, que nem sempre primam pela humildade e serenidade verbal).</p>
<p>A pressão profissional fez que eu me distanciasse. Bem, estou voltando&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">A roda viva do tempo deu uma volta, e estamos na Web 2.0. Agora habemus blogs, o que facilita bastante as coisas. Não mais longas reuniões para aprovar uma ação: podemos fazer isso no Ning, e cada um pode escrever o que pensa em seu blog, e os demais podem ir linkando através de blogrolls e trackbacks. Nesses 8 anos as redes sociais já cutucaram a OMC em Seattle, derrubaram um governo filipino, e permitem que nós brasileiros, campeões do Orkut, possamos vir a desempenhar um papel na paz global, fazendo a ponte entre israelenses e palestinos através do samba e do futebol, sem esperar pelas lideranças oficiais das comunidades étnicas, que têm rabo preso na lealdade a velhos dogmas e crenças paralisantes.</p>
<p class="MsoNormal">Ao ver de novo o filme das atitudes maniqueístas dos partidários de um e outro lado,  penso sempre no sapo&#8230;</p>
<p class="MsoNormal"><img class="aligncenter size-medium wp-image-31" title="boiling-frog" src="http://sergiostorch.com/wp-content/arquivos/boiling-frog-300x264.jpg" alt="boiling-frog" width="300" height="264" /></p>
<p class="MsoNormal">Acredito que o Hamas cresce porque os palestinos cercados num gueto tendem a se deixar seduzir pelas vertentes mais reacionárias de um islamismo que, apesar do que parece (de novo a mídia), tem suas vertentes modernas e democráticas. A derrota dos extremistas só poderá se dar com o fim da ocupação e a criação de um Estado Palestino democrático, que só será possível se Israel for forçado de fora para estancar os assentamentos. De fora para dentro,  porque na lógica da democracia israelense a minoria judaica fundamentalista sempre terá poder desproporcional a seu tamanho (assim se explicam as marchas da insensatez em que maiorias ficam reféns de minorias).  De fora para dentro pois, segundo Einstein, <em>&#8220;Nenhum problema pode ser resolvido a partir do mesmo nível de consciência que o criou&#8221;.</em></p>
<p class="MsoNormal">
<p>Não é possível ser diferente? <a href="http://www.youtube.com/embed/iWI-Zr8qRtc">Veja e ouça </a>estes músicos israelenses e palestinos.</p>
<p>Mais um pouquinho de gestão do conhecimento: cognição coletiva. A tragédia de palestinos e israelenses leva o leitor de jornal ou telespectador a questionar sobre como tudo isso veio a acontecer. A dificuldade em suportar o estado de perplexidade conduz a uma saída fácil: apontar um lado culpado. Faz parte da visão reducionista que prevalece na cultura ocidental. Ao julgar, depositamos a culpa em alguém, o que nos alivia bastante pois o mal está no outro e não em nós.</p>
<p class="MsoNormal">Mas ao pensar dessa forma esquecemos um antigo questionamento filosófico: quem veio antes, o ovo ou a galinha? Os que vão às ruas “em defesa de Israel” talvez saibam a resposta: foi o ovo. E os que protestam unilateralmente contra o massacre de palestinos talvez estejam seguros de que a galinha veio antes.</p>
<p class="MsoNormal">Sobre o enigma ovo-e-galinha de Gaza-Palestina-Oriente Médio, eu apenas sei que é um ciclo que começou há muito tempo e que continuará por muitos anos. E não sei, mas acredito, que seja possível construir opções de convivência e felicidade para os destinos desses dois povos.</p>
<p class="MsoNormal">Se tenho alguma crença forte, é a de que situações ovo-e-galinha que não apontam saída só podem ser superadas quando indivíduos (especialmente lideranças) se dêem conta do quanto as pequenas complacências do dia-a-dia com o pensamento grupal são atos que reforçam o impasse em vez de ajudar as saídas, que só existem a partir da coragem individual para superar a comodidade do maria-vai-com-as-outras . O <a href="http://contardocalligaris.blogspot.com/2009/01/um-ano-novo-feliz-e-desconfiado.html" target="_blank">Contardo Calligaris aponta isso nos comentários que fez sobre o filme &#8220;Um Homem Bom&#8221;. </a>Não deixe de ver o filme e ler o artigo.</p>
<p class="MsoNormal">Vejam este <a title="Blog Gaza-Sderot" href="http://gaza-sderot.blogspot.com/" target="_blank">blog de um palestino de Gaza e um israelense de Sderot. </a>Inimigos?</p>
<p class="MsoNormal">Modelo mental:  a aparente oposição entre israelenses e palestinos pode ser vista de outra forma. Há uma oposição que existe em ambos os lados, entre aqueles que acreditam e lutam por uma solução de paz e dignidade, e aqueles que só acreditam e lutam por soluções de força. Entre aqueles que pensam numa escala de tempo mais longa no passado e no futuro, e os outros cuja perspectiva temporal é mais curta.</p>
<p class="MsoNormal">Estes últimos fariam bem em ter em mente os dois mapas abaixo, nos quais as posições de Davi e Golias se invertem. Não medi, mas me parece que Gaza está para Israel assim como Israel está para o Oriente Médio inclusive o Irã.</p>
<p class="MsoNormal">Quem é Davi e quem é Golias?</p>
<p class="MsoNormal"><img class="alignnone size-full wp-image-38" title="israel-e-faixa-de-gaza1" src="http://sergiostorch.com/wp-content/arquivos/israel-e-faixa-de-gaza1.gif" alt="israel-e-faixa-de-gaza1" width="512" height="300" /></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Então veja agora este mapa. Quem é Davi e quem é Golias agora?</p>
<p class="MsoNormal"><img class="aligncenter size-medium wp-image-39" title="israel-e-oriente-medio1" src="http://sergiostorch.com/wp-content/arquivos/israel-e-oriente-medio1-300x260.gif" alt="israel-e-oriente-medio1" width="300" height="260" /></p>
<p class="MsoNormal">Agora vamos ver na perspectiva temporal.</p>
<p class="MsoNormal">O ovo ou a galinha? Se olharmos para o início do bombardeio, a culpa é dos israelenses. Sataniza-se Israel, como fez o comunicado oficial do PT de Valter Pomar e Ricardo Berzoini  equiparando Israel e nazismo (foram <a title="carta dos militantes do PT" href="http://www.pazagora.org/detailartigo.cfm?IdArtigo=1287" target="_blank">contestados por 36 intelectuais do PT</a>, mas o estrago já foi feito, embora vamos convir que é o menor dos estragos nesta história de horror). Mas se olharmos para os mísseis Qassam disparados contra Sderot, foram os palestinos que começaram. Sim, mas e o bloqueio econômico? Ah, então foram os israelenses. Ah, mas peraí, e o cerco a Israel na guerra dos 6 dias? E assim vamos retrocedendo no tempo até o massacre cometido contra judeus em Hebron em 1927, por uma turba de palestinos liderada pelo mufti de Jerusalem que anos depois desfilou em parada em Berlim ao lado de quem? Hitler. Ou retrocedemos mais ainda até Sansão e Dalila (foi em Gaza&#8230;).</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Diante desse relativismo de perspectiva temporal, o posicionamento através da culpabilização de qualquer um dos lados e de palavras de ordem simplistas é um desserviço à cidadania global. Mas vamos reconhecer que faz parte de nosso modelo mental o paradigma da culpa e castigo, associado ao moralismo ocidental e à idéia implícita de que há alguém no topo de alguma hierarquia (seja a ONU, seja Deus) que de alguma forma fará justiça. Ou seja, culpabilização tem algo a ver com o pensamento hierárquico: ao culpabilizar estamos invocando inconscientemente um poder maior que aplique a punição. Daí a apoiar o oportunismo-populismo de Hugo Chavez é um passo&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">Um amigo, Leandro Cianconi, estudioso de Governo 2.0, também lança luz sobre esse conflito do ponto de vista da <a href="http://cianconi.com/leandro/governo/a-guerra-da-descentralizacao/" target="_blank">superioridade das organizações em rede. </a> Vale a pena ler.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Isso tudo já é bastante complicado, e estamos olhando somente pelo espelho retrovisor. Vamos então olhar “de volta ao futuro”.</p>
<p class="MsoNormal">França e Alemanha se reconciliaram depois de séculos de conflitos. Idem católicos e protestantes na Irlanda do Norte.</p>
<p class="MsoNormal">A grande parcela de palestinos e israelenses que deu base social para as negociações de <a title="Acordos de TABA" href="http://www.palestinefacts.org/pf_1991to_now_alaqsa_taba.php  " target="_blank">TABA</a> e a <a title="Iniciativa de Genebra" href="http://www.espacoacademico.com.br/045/45ip_storch.htm" target="_blank">Iniciativa de Genebra</a> precisam de um empurrãozinho de fora para dentro.</p>
<p class="MsoNormal">Faço a seguinte reflexão, que espero modestamente que chegue ao ministro Celso Amorim e a lideranças de nossas empresas e de nossa sociedade civil.</p>
<p class="MsoNormal">
<ul>
<li>A guerra de comunicação entre os dois lados é desperdício de energia.</li>
<li>há um futuro pela frente.  O que cada uma das partes pode oferecer como presente para seus filhos e netos?</li>
<li>é preciso desviar a atenção que a mídia atrai para a destruição, e focalizar as possibilidades da reconstrução.</li>
<li>O Brasil tem um papel nisso, por ser uma marca querida tanto por palestinos quanto israelenses. Não só pela tradição de harmonia (que afinal não é tudo isso, que o digam os nossos afrobrasileiros, que têm alguns séculos de escravatura a nos lembrar), mas pela imagética ligada à alegria, como a música, o futebol etc.</li>
<li>As empresas brasileiras certamente terão interesse também num projeto de reconstrução. Pensando com a frieza de investidores de mercado, a Palestina é um ativo barato para se conquistar os mercados do Oriente Médio, e não deverão faltar recursos para montar uma Casa do Brasil em Gaza, e outras em Tel Aviv, Ramallah, Jerusalém, Belém etc.</li>
<li>os experts brasileiros em Web 2.0 (que temos muitos) terão enorme satisfação em criar ambientes de redes sociais que tirem os palestinos do gueto no qual o fundamentalismo islâmico é a influência dominante. Que os jovens palestinos e israelenses se conectem a nós em redes sociais de futebol, samba, de Doutores da Alegria, de Médicos sem Fronteiras, e de estudo da História em que convivam as narrativas israelense e palestina do conflito. Temos também pedagogos e psicólogos competentes para lidar com traumas de guerra.</li>
</ul>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">O Brasil não estará sozinho nisso, mas pode estar na linha de frente da  iniciativa, à qual se seguirá a França de Sarkozy, os Estados Unidos de  Obama etc. Não precisamos esperar termos o nosso assento no Conselho de  Segurança. No mundo deshierarquizado pela tecnologia, podemos construir o  nosso assento de forma bottom-up, a partir de nossos empresários,  jovens e profissionais liberais.</p>
<p class="MsoNormal">Espero que lideranças das comunidades brasileiras de judeus e palestinos  saibam olhar além da fumaça, e passem a defender seus respectivos povos  de forma construtiva e não mais defensiva. Vamos fazer coro a <a title="Barenboim" href="http://www.pazagora.org/detailartigo.cfm?IdArtigo=1270" target="_blank">Daniel Barenboim </a>e  (z´l) Edward Said, pais da Sinfônica Jovem de israelenses e palestinos,  e aos blogueiros de Gaza-Sderot, em vez de sermos auto-complacentes com  o discurso da culpa do outro.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Vamos nós no Brasil unir os pontinhos e construir o significado dessas oportunidades, que nos abrem as portas para a aprendizagem societal em nível global.</p>
<p class="MsoNormal">Comecei com Einstein, e concluo com John Lennon:</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">You may say I´m a dreamer&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">But I´m not the only one…</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">I hope some day you join us…</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">And the world will be as one…</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">(caso vc queira se manter bem informado com a visão do campo da paz de ambos os lados palestino e israelense, assine </span><span lang="EN-US">os boletins dos <a href="http://www.pazagora.org" target="_blank">Amigos Brasileiros do Paz Agora)</a>, ).</span></p>
<p class="MsoNormal">
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