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	<title>Vou vivendo...</title>
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		<title>Pensamentogrupal, &#8220;A Onda&#8221; e Cesar Maia</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Aug 2009 23:50:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Barreiras à intelig coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[Gestão de mudança]]></category>
		<category><![CDATA[Gestão do Conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência Coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[conformidade]]></category>
		<category><![CDATA[Efeito esfíncter]]></category>
		<category><![CDATA[groupthink]]></category>
		<category><![CDATA[PMBOK]]></category>

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		<description><![CDATA[Nos desafios para criação de ambientes para a inteligência organizacional, um dos temas que mais me fascinam é a irracionalidade e cegueira comuns no comportamento em grupos, e o fenômeno da dissonância cognitiva, que faz que as pessoas ajustem seu pensamento para validar o que fazem e sentem na prática.
Um conceito que me marcou muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">Nos desafios para criação de ambientes para a inteligência organizacional, um dos temas que mais me fascinam é a irracionalidade e cegueira comuns no comportamento em grupos, e o fenômeno da dissonância cognitiva, que faz que as pessoas ajustem seu pensamento para validar o que fazem e sentem na prática.</p>
<p class="MsoNormal">Um conceito que me marcou muito é o de <strong>pensamentogrupal</strong> (assim mesmo:  seria sacanagem traduzir <a href=" http://psysr.org/about/pubs_resources/groupthink%20overview.htm " target="_blank">Groupthink</a> para &#8220;pensamento grupal&#8221;). Vivo com freqüência os paradoxos deste fenômeno, desde o bullying nos tempos de escola até a visão das torcidas depredando bancas de jornal na Av. Paulista após o jogo.</p>
<p class="MsoNormal">Perco a calma ao ver aflorar a <strong>dobradinha prepotência- conformismo</strong> em reuniões de equipes <strong>hegemonizadas pelas entregas do PMBOK</strong>, ou até mesmo em grupos pacifistas que se tornaram internamente belicistas. Pressão do grupo contra visões que divergem do pensamento único dominante, autocensura (“fica quieto quem tem juízo”), exclusão, estigmatização, paranóia.  Dei um nome feio ao resultado disso para a inteligência coletiva:  <strong>“efeito esfíncter”</strong>, pois estreita os fluxos de idéias e de feedbacks, e asfixia a aprendizagem.  O<span> </span>blog da SocialText, um dos grandes players em ambientes para wikis corporativos, tem um texto muito bacana sobre isso: <a href="http://www.socialtext.net/mit-cci-hci/index.cgi?what_factors_inhibit_collective_intelligence" target="_blank">&#8220;Que fatores inibem a inteligência coletiva&#8221;</a> (em inglês),  do Prof. Thomas Malone do MIT,  que vem aí pela HSM.</p>
<p>O <span> </span>GroupThink pode ser dramático, como mostra <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Essence_of_Decision" target="_blank">“Essence of Decision: &#8211; Explaining the Cuban Missile Crisis”</a> (Graham Allison, 1971 e 1999). Tragédias nacionais e corporativas podem ser associadas à teimosia e arrogância de líderes e à conformidade (palavra tão na moda &#8211; &#8220;compliance&#8221;, hehehe) de suas equipes. Vale a pena ler o clássico<a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/82532/marcha+da+insensatez:+de+troia+ao+vietna?franq=262069" target="_blank"> &#8220;Marcha da Insensatez: de Tróia ao Vietnã&#8221;</a>,  de Barbara Tuchman (a Submarino não tem mas sua resenha é ótima). Suas lições aplicam-se ao mundo PMI e BSC levados a ferro e fogo.</p>
<div id="attachment_255" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-255" title="grooupthink1" src="http://sergiostorch.com/wp-content/arquivos/grooupthink1-300x223.jpg" alt="Por que nos preocuparmos com o pensamentogrupal?" width="300" height="223" /><p class="wp-caption-text">Por que nos preocuparmos com o pensamentogrupal?</p></div>
<p class="MsoNormal">Pois então. Assisti nesta semana o imperdível “<a href="http://www.seguindoaonda.blogspot.com/" target="_blank">A Onda”</a> (bem comentado também <a href="http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm" target="_blank">aqui</a>. E hoje li o artigo “Transformismo”, do Cesar Maia.<span> </span></p>
<p class="MsoNormal">“A Onda” é um filme situado numa cidade alemã, mas baseado numa história que realmente aconteceu nos Estados Unidos. Um professor jovem e alegre, amigão de seus alunos, recebe a incumbência de dar um curso de uma semana sobre autocracia. Tem a genial idéia de simular um ambiente autocrático de fato. O filme me lembra o que estudei em psicologia social sobre as experiências de <a href="http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2009/06/experimentos-em-psicologia-stanley-milgram-e-o-choque-de-autoridade.html" target="_blank">Stanley Milgram com a predisposição à tortura</a> (o blog do Rodolfo Araújo é um tesouro de relatos saborosos desse tipo de experiências  &#8211; veja também seu  post sobre  <a href="http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2009/07/experimentos-em-psicologia-phil-zimbardo-e-o-efeito-lucifer.html" target="_blank">Phil Zimbardo</a>.  <span>Em &#8220;A Onda&#8221;, </span>a experiência com os alunos gera um clima com efeitos para fora da escola que o professor não consegue mais controlar. É nitidamente um caso de aprendiz de feiticeiro. O filme revela a dinâmica do desencadeamento de emoções e identificações patológicas, das neuras autoritárias que cada um carrega, e até mesmo das rupturas de lealdades entre namorados, no campo de forças polarizado entre quem está conosco e quem está contra nós.<span> </span>Freud explica, nas crônicas do <a href="http://contardocalligaris.blogspot.com/2004_05_01_archive.html" target="_blank">Contardo Calligaris</a>.</p>
<p class="MsoNormal">Ao passarmos dos grupos para níveis superiores de organização social, essa irracionalidade se torna mais complexa. Nas organizações, valores e normas explícitas ou tácitas influenciam de forma decisiva o comportamento. E aí chegamos aos <a href="http://sergiostorch.com/referencias/burocracia-eduardo-galeano/" target="_blank">paradoxos kafkianos</a> tão comuns às organizações burocráticas.  Considere o efeito que tem sobre os executivos a trimestralidade dos resultados para o mercado, ou o destaque dado a indicadores tradicionais em detrimento de outros, menos tangíveis (vamos combinar: a inovação do <span> </span>Balanced Scorecard, que introduz metas e indicadores não financeiros, nem sempre é tratado a sério. Se na sua empresa as metas de aprendizagem são para valer, me traga o caso, pois é exceção).</p>
<p class="MsoNormal">No nível societal, mais um complicador: as instituições que dão forma aos jogos de poder. Veja o artigo de hoje, <a href="http://arquivoetc.blogspot.com/2009/08/transformismo-cesar-maia.html " target="_blank">“Transformismo”, <span> </span>de Cesar Maia</a> .  Ele comenta o livro “Mussolini e a Ascensão do Fascismo” de Donald Sassoon, mostrando a verossimilhança de uma virada fascista num país com sistema político bem parecidinho com o nosso, e faz pensar como podemos estar a poucos graus de distância de um golpe<span> </span>como o de Mussolini. Tendo ganho 6,5% dos votos em maio de 1921, Mussolini, parte minoritária da então “base aliada”, entra em Roma em outubro de 1922 numa marcha encenada, e no dia seguinte é nomeado primeiro ministro, “ocupando o vácuo criado pela despolitização “transformista”.</p>
<p class="MsoNormal">Bem preocupante, em tempos de mensalões e &#8220;governabilidade&#8221; à la Sarney.</p>
<p class="MsoNormal">Nos grupos, nas organizações e na sociedade, o que entra em cena é o chamado poder do contexto. Não somos racionais. Nos transformamos, conforme o contexto em que estamos. <span> </span>Malcolm Gladwell, em “O Ponto da Virada”, traz o paradoxo da queda abrupta da violência urbana em Nova Iorque nos anos 90, quando a Prefeitura e a Polícia adotaram a “teoria das janelas quebradas”: consertar tudo que estava quebrado ou pixado, para reverter o contexto de abandono que eles viam como base para a violência. Deu certo. Foi a famosa “Tolerância Zero” (interpretada de forma deturpada nas campanhas do Maluf), acompanhada por ações semelhantes ao que vem sendo feito em Bogotá e na favela de Heliópolis, ao plantar bibliotecas e centros de cultura. Pois então: os criminosos não foram embora de Nova Iorque, mas a criminalidade diminuiu.<span> </span>Transformação de acordo com o contexto.</p>
<p class="MsoNormal">Você poderá fazer o conhecimento em sua organização fluir, se ela tem<span> </span>um contexto gerador do efeito esfíncter?</p>
<p class="MsoNormal">Não há gestão do conhecimento que não passe pelo planejamento e gestão da mudança do contexto: mudar o processo decisório, mudar formas de reconhecimento e premiação, diluir barreiras culturais à livre expressão, coaching para mudar a cabeça de gerentes.</p>
<p class="MsoNormal">Quer explorar mais sobre o poder do contexto? Leia alguns capítulos de “O Ponto da Virada”, do Malcolm Gladwell, ou leia as resenhas no <a href="http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/" target="_blank">blog do Rodolfo</a>.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Trata-se, em suma, nos grupos, organizações e sociedades, do efeito perverso da obediência e da conformidade com a pressão grupal.  Dado o contexto favorável, todos nós somos suscetíveis. como mostram &#8220;A Onda&#8221; e essas experiências. Mais a respeito disso? Sugiro ler também <a href="http://contardocalligaris.blogspot.com/2009/02/trotes-de-calouros.html" target="_blank">&#8220;Trote de calouros&#8221;</a> e <a href="http://contardocalligaris.blogspot.com/2004/05/os-tarados-de-abu-ghraib.html" target="_blank">&#8220;Os tarados de Abu Ghraib&#8221;</a>, do Contardo Calligaris, e<a href="http://azel.blogspot.com/2007/04/o-monstro-interior.html" target="_blank"> &#8220;O monstro interior&#8221;</a>, no blog do Rodrigo, que achei no Google.</p>
<p>Bem, como dizia o grande Júlio Gouveia no seu Teatro da Juventude da TV Tupi dos domingos na década de 50: &#8220;entrou por uma porta, saiu pela outra, quem quiser que conte outra&#8221;.</p>
<p>Até a próxima!</p>
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		<title>Quem fez esta pergunta?</title>
		<link>http://sergiostorch.com/quem-fez-esta-pergunta/</link>
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		<pubDate>Thu, 27 Aug 2009 12:01:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Inteligência Coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[imaginação]]></category>
		<category><![CDATA[perguntas]]></category>
		<category><![CDATA[rilke]]></category>

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		<description><![CDATA[Fiquei sabendo hoje, em artigo de Albert Fishlow, que 30% dos gastos anuais com o Medicare, nos EUA, ou perto de US$ 100 bi, atualmente ocorrem no último ano de vida dos beneficiários. &#8221;
Vejaa variedade de coisas que podem acontecer com base nesta informação. Só para enumerar algumas:

um investimento maior na análise técnica, conforme a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fiquei sabendo hoje, em <a href="http://www.abril.com.br/diversao/videos/filme-onda-baseado-historia-real-eua-493320.shtml">artigo de Albert Fishlow</a>, que 30% dos gastos anuais com o Medicare, nos EUA, ou perto de US$ 100 bi, atualmente ocorrem no último ano de vida dos beneficiários. &#8221;</p>
<p>Vejaa variedade de coisas que podem acontecer com base nesta informação. Só para enumerar algumas:</p>
<ul>
<li>um investimento maior na análise técnica, conforme a faixa etária e o quadro médico, para evitar tratamentos ineficazes;</li>
<li>o reforço na educação médica no sentido de evitar práticas ritualizadas de salvar o doente a qualquer custo, mesmo que nem a família queira;</li>
<li>a discussão pública de legislação que estabeleça critérios democraticamente validados;</li>
</ul>
<p>Enfim, uma informação que, se disseminada, pode levar à produção de mais conhecimento e, principalmente, de mais bem estar social.</p>
<p>Bem aberto a polêmicas, ótimo, mas não é disso que quero falar aqui.</p>
<p>Meu ponto é o seguinte: esse dado te surpreende? Para mim foi uma surpresa, a tal ponto que estou aqui escrevendo, na frente de outro post sobre o filme que assisti ontem, <a href="http://www.abril.com.br/diversao/videos/filme-onda-baseado-historia-real-eua-493320.shtml">&#8221; A Onda&#8221;</a> (fica para o fim de semana).</p>
<p>Se te surpreende, me acompanhe nessa pergunta: quem foi que fez a pergunta &#8220;Quanto se gasta no Medicare por ano contado retroativamente a partir da desencarnação do bicho?. Perguntar por faixa etária é fácil, mas quem sacou que podia ter coelho nessa toca?</p>
<p>Não é genial? Ovo de Colombo? Não é uma pergunta que pode mudar  paradigmas da medicina?</p>
<p>Pois é: quando as práticas tradicionais de gestão do conhecimento nas empresas enfatizam coisas como o mapeamento do conhecimento, lições aprendidas, boas práticas, e outros que tais que eu pessoalmente gosto muito de fazer também, será que não estamos deixando de lado o mais importante? A imaginação&#8230; a pergunta&#8230; a curiosidade&#8230; a paixão&#8230;</p>
<p>Volto a sugerir a leitura dos <a href="http://sergiostorch.com/referencias/rainer-maria-rilke-cartas-a-um-jovem-poeta/">conselhos de Rilke a um jovem poeta&#8230;</a></p>
<p>Bom fim de semana!</p>
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		<title>Cantada a um Cabeça Branca</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Jul 2009 16:03:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capital humano]]></category>
		<category><![CDATA[Vou vivendo]]></category>
		<category><![CDATA[competências]]></category>
		<category><![CDATA[enredamento]]></category>
		<category><![CDATA[identidade]]></category>
		<category><![CDATA[sensemaking]]></category>

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		<description><![CDATA[Muita história... muita música... muita vida... 
Um capítulo da novela "networking my life".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Estava à toa na vida<br />
O meu amor me chamou<br />
Pra ver a banda passar<br />
Cantando coisas de amor&#8221;</p>
<p>Pois é, mano. Fui dormir ontem, depois de conversarmos longamente por telefone, 6 meses depois de nosso papo mais recente. Acordei pensando em você.  Sentimentos quentes.  Amor? Ou apenas um ponto no holograma, como Edgar Morin enxergou a vida de seu pai?</p>
<p>Agora o amor está chamando, cantando coisas de amor.</p>
<p>Eu procurava um clone para dar conta das demandas que não consigo abraçar todas.  Em vez de um clone veio um gêmeo.  Felizmente, pois um clone traria todos os meus defeitos.<br />
Um gêmeo. Nascemos no mesmo ano, na mesma rua. Xixi juntos na mesma creche. Brincamos juntos no Jardim da Luz, as mães conversando, ambas tinham o mesmo nome.  Quem me deu o primeiro empurrão na bicicleta foi o Jean Claude, cujo pai tinha a lojinha no térreo do seu prédio na Rua da Graça.</p>
<p>Escolas diferentes. Mas nas férias nos encontrávamos em Santos. Depois ficamos muito distantes. Ele namorador e frequentador das baladas, perfume Lancaster, eu careta tocando violino. Mas muito em comum: no meu exame para a Sinfônica Jovem Municipal que estava sendo fundada, toquei uma canção dos festivais da Record, era 1965, Viola Enluarada (talvez pelo convívio com ele, como posso hoje saber?) Nos reencontramos pra valer depois do vestibular. Mesma escola de engenharia, colando muito, ambos Engenharia de Produção, ambos na campanha do Millor para nosso paraninfo (perdemos para o Reis Velloso, hoje grande cara, mas naquela  época sem tons de cinza só podíamos ver como cara do Médici).  Ambos juntos no grupo de leitura do Capital, na casa do Paul Singer. Estágio juntos, ele me levando para o trabalho na garupa  de sua moto de 50 cc.</p>
<p>Mesmas inquietudes políticas. Aliás, o seu enveredamento pela esquerda, que se deu através do amor, foi o que também me puxou para meu início de militância &#8211; por empatia, que é assim que a gente se transforma. Ambos em busca de uma saída pela tangente para humanas, pois o que ambos mais curtíamos na escola de engenharia eram as aulas de filosofia do Vilem Flusser.</p>
<p>Depois, muitas baladas juntos, e eu empurrava os carrinhos de bebê das meninas, que mais tarde seriam babysitters dos meus meninos. Quando viajavam,  eles, cúmplices,  nos davam a chave do apartamento para cometermos o que na época eram  transgressões contra os bons costumes.</p>
<p>Um dia de grande intensidade, há 35 anos, quando ele deixou a família e eu a namorada, e fomos, mochila nas costas, a Campos do Jordão, dormimos ao relento, comemos o melhor arroz com feijão de minha vida na cozinha dos fundos do Vila Inglesa. A viagem toda cantando canções de Noel, Pixinguinha e outros ancestrais. Foi o momento de meu encantamento com a MPB.</p>
<p>Depois, 7 anos, eu na Bahia operando fábrica, e ele participando dos primórdios da administração de ciência e tecnologia, na USP, quando nascia o PaCTo. Foi para o MIT. Quando voltou, fui eu para lá, me encontrar no seu rastro. Coração pulsando ao ver o prédio onde ele morou em Brookline e imaginar as meninas brincando no playground. O paper que ele escreveu há exatos 30 anos é o que responde às questões de meu cliente hoje. Fomos discípulos dos mesmos mestres: Schein, Beckhart, Van Maanen, Peter Senge.</p>
<p>Além dos mestres, herdei seu melhor amigo em Boston, Mike, rabino,  professor de crítica cinematográfica na Brandeis, o Mike que, então membro do Rabbis for Human Rights, sem querer nem saber, me catalisou  por um email a enveredar na rede mundial pela paz  e pelo fim da ocupação na Palestina, o Mike que é até hoje meu link mais profundo com o que há de mais sublime no judaísmo.</p>
<p>Ah sim, falei Brandeis? Sincronicidades jungianas, e evidência de como os afetos fluem em rede. Meu último tweet, dias atrás,  não pôde levar em seus 140 caracteres a emoção de citar Louis Brandeis, <span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; color: #000066; font-size: x-small;"> juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos entre 1916 a 1939, </span>a respeito da rima Sarney-Khamenei: <span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; color: #000066; font-size: x-small;"> “A                luz do sol sempre foi o melhor detergente social”.</span></p>
<p>E assim fomos pela vida, num movimento pulsante de sístole-diástole, nos afastando e encontrando. Às vezes anos sem falar, para no primeiro reencontro tudo continuar de onde tinha parado, compartilhando alegrias, incertezas, bom humor e tristezas com a perda de seres queridos .</p>
<p><strong><span style="color: #000080;">Quero você comigo. Seus saberes, intuição, humor, inventividade, calor, memórias, nossa identidade, telepatia, amor, brilho, olhar irônico&#8230; Inteiro.<br />
</span></strong></p>
<p>Sonho trazê-lo de volta da aposentadoria, talvez com ímpeto mudancista maior ainda do que tínhamos quando fomos juntos ao velho Cebrap da Rua Bahia em busca de nossas saídas pela tangente. Por que não agora? O slide 17 do &#8220;<a title="Nativos Digitais" href="http://www.slideshare.net/vfaustini/nativos-digitais-escola-de-redes">Nativos Digitais&#8221; </a>do Wolney diz que nós babyboomers somos 26 milhões, 14%, o que não é pouco. Se lembrarmos do Raul (&#8221;dizem que a gente já era&#8230;baby, a gente nem começou&#8221;), se nós 1% dos boomers que não deixamos de sonhar, ou seja, 260.000, soubermos trazer nossos sonhos para a mesma ciranda&#8230;  E 1% desses 1% bastariam&#8230; Por que não darmos esse exemplo para a Debbie, o  Luizinho, a Luara e o Gabriel do meu lado, e para os seus netos do seu lado, cujos nomes não consigo lembrar, ninguém é de ferro&#8230;</p>
<p>Nós, babyboomers &#8220;cabeças brancas&#8221; que podemos responder às demandas por formação de gente que saiba superar nosso atraso, nós que já tomamos todas&#8230; que tal enredarmos os nossos saberes, corações e mentes para essa nova odisséia dos 30 anos&#8230;  que começam hoje&#8230;</p>
<p>Bom, se a cantada não funcionar&#8230; o Henfil lá em cima talvez lembre: terá valido a intenção da semente.</p>
<p>Mas insisto na cantada, compartilhando o <a title="Sonho do enredamento" href="http://www.slideshare.net/mafeteco/sonho-escola-de-redes-2009">sonho</a>, e lembrando: sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só. Sonho que se sonha junto é realidade.</p>
<p>-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x</p>
<p><span style="color: #000080;"><strong>Aproveitando o poema, agora  é com o Chico, nas nossas discussões com Deus:</strong></span><br />
A minha gente sofrida<br />
Despediu-se da dor<br />
Pra ver a banda passar<br />
Cantando coisas de amor</p>
<p>O homem sério que contava dinheiro parou<br />
O faroleiro que contava vantagem parou<br />
A namorada que contava as estrelas parou<br />
Para ver, ouvir e dar passagem<br />
A moça triste que vivia calada, sorriu<br />
A rosa triste que vivia fechada, se abriu<br />
E a meninada toda se assanhou<br />
Pra ver a banda passar<br />
Cantando coisas de amor</p>
<p>O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou<br />
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou<br />
A moça feia debruçou na janela<br />
Pensando que a banda tocava pra ela<br />
A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu<br />
A lua cheia que vivi escondida surgiu<br />
Minha cidade toda se enfeitou<br />
Pra ver a banda passar<br />
Cantando coisas de amor</p>
<p>Mas para meu desencanto<br />
O que era doce acabou<br />
Tudo tomou seu lugar<br />
Depois que a banda passou</p>
<p>E cada qual no seu canto<br />
Em cada canto uma dor<br />
Depois da banda passar<br />
Cantando coisas de amor</p>
<p><strong><span style="color: #000080;">Que nada, Chico: a banda não passou.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #000080;">A banda somos nós.</span></strong></p>
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		<title>Uso múltiplo da água e do conteúdo</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Jun 2009 16:01:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gestão do Conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência societal]]></category>
		<category><![CDATA[água]]></category>
		<category><![CDATA[cadeias de conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[conteúdo]]></category>
		<category><![CDATA[uso múltiplo]]></category>

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		<description><![CDATA[Ativos como a água, na sociedade, e o conteúdo, nas organizações, têm um potencial de uso e geração de valor mais amplos do que os usos para os que foram destinados originalmente. São grandes riquezas inexploradas, cuja exploração pode ter custos baixos, com grandes resultados. Uso múltiplo está intimamente relacionado à construção de cadeias de conhecimento.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal">Quero fazer um paralelo de dois desafios análogos: o uso múltiplo da água, na sociedade,  e do conteúdo,  nas organizações.</p>
<p class="MsoNormal">O conceito de <strong><span style="color: #000080;">uso múltiplo </span></strong>me apareceu num projeto recente para um operador do setor elétrico, onde aprendi que as ações desse operador na gestão do nível das represas são limitadas pela necessidade de assegurar o equilíbrio com outros usos da água. Ora, a água serve para tantas coisas além de gerar eletricidade: uso humano, irrigação, passear de barco a vela, turismo enfim&#8230;  Água é PIB potencial. O que falta para que se converta em PIB real?</p>
<p class="MsoNormal">(Deixo para outro post a instigante discussão sobre a obsolescência do PIB como métrica de riqueza. Enquanto isso, para seu deleite, leia  <a title="Muito além do PIB" href="http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/conteudo_420149.shtml">&#8220;Muito Além do PIB&#8221;</a> ).</p>
<p class="MsoNormal">Voltando para o o <strong><span style="color: #000080;">uso múltiplo</span></strong> da água. Em outro projeto, aprendi que o lago da barragem de Serra da Mesa, em Goiás, é o maior lago do Cone Sul, podendo ser utilizado para um volume tal de produção de peixe, que pode alimentar toda a população brasileira e até mesmo mudar os hábitos alimentares de nossa sociedade. Ou seja, usá-lo para apenas produzir energia é um enorme desperdício.</p>
<p class="MsoNormal">O que falta para que passemos a produzir essas proteínas de custo e impacto ambiental baixíssimos?</p>
<p class="MsoNormal">Ainda em outro projeto, numa empresa de serviços de alta complexidade,  consciente de que o seu valor consiste basicamente no capital intelectual contido na sua experiência e no potencial de seus funcionários, constatei que os conteúdos de currículos dos profissionais podem atender a diversos processos críticos, além das necessidades da gestão de pessoas. Por exemplo, eles são imprescindíveis para a rapidez na elaboração de propostas em grandes concorrências. Podem também ser utilizados, dependendo de como os dados são organizados e tabulados, para o planejamento de treinamento, para o planejamento de sucessão, para o foco comercial em projetos compatíveis com as competências da empresa, e até mesmo para a avaliação financeira do valor da empresa, em que os chamados ativos intangíveis são a cada dia mais reconhecidos como o principal componente do valor.</p>
<p class="MsoNormal">Numa outra instituição, que atua em serviços de extensão tecnológica, o desempenho depende da agilidade em identificar os consultores terceirizados mais apropriados para cada tarefa, mas o acesso aos currículos desses profissionais está involuntariamente trancado dentro de um sistema hermético, no qual as possibilidades de busca são extremamente limitadas.</p>
<p class="MsoNormal">Ora, se há consenso nessas empresas em que estamos na era do conhecimento, e que o capital humano é componente fundamental do valor da empresa, o que falta para que o <strong><span style="color: #000080;">uso múltiplo</span></strong> desses conteúdos seja potencializado e passe a multiplicar o valor desses ativos?</p>
<p class="MsoNormal">Acredito que, em ambos os casos, dos o <strong><span style="color: #000080;">usos múltiplos</span></strong> da água e do conteúdo, a resposta esteja na seguinte combinação de fatores:</p>
<ul style="margin-top: 0cm;" type="disc">
<li class="MsoNormal"><strong>Aplicação do entendimento      de Von Clausewitz</strong>, estrategista militar de Bismarck,  de que “a guerra      é importante demais para ser deixada aos generais”.  Da mesma forma, a água é importante demais      para ser deixada às geradoras de energia, e o conteúdo gerado nas empresas é importante demais      para permanecer fechado nos registros dos projetos ou processos onde tenham sido produzidos. Isso vale para para os conteúdos contidos em currículos, revistas técnicas, atas, relatórios de projeto, pesquisas e diversos outros documentos e arquivos em áudio e vídeo.</li>
</ul>
<ul style="margin-top: 0cm;" type="disc">
<li class="MsoNormal"><strong>Construção de uma      governança</strong>, seja na água ou no conteúdo, que empodere as múltiplas áreas ou instituições que      possam gerar valor a partir desses recursos: no caso da água, os      planejadores de desenvolvimento regional,  os poderes locais, os empreendedores em      piscicultura e em turismo etc. ;  no caso de  conteúdos, especialmente as áreas que      possam identificar oportunidades a serem desenvolvidas com os mesmos.      Currículos, por exemplo, podem servir para a área financeira valorizar e      comunicar ao mercado os ativos intangíveis da empresa, e assim produzir impactos no      valor das ações no mercado.</li>
</ul>
<ul style="margin-top: 0cm;" type="disc">
<li class="MsoNormal"><strong>Construção de cadeias de conhecimento </strong>com processos ativos      de identificação, análise e o <span style="color: #000080;"> <span style="color: #000000;">bombeamento </span></span><span style="color: #000000;"> de idéia</span>s,  experiências, perguntas e respostas      (principalmente as perguntas, como Rilke aconselhou nas suas <a title="Cartas a um jovem poeta" href="http://sergiostorch.com/referencias/rainer-maria-rilke-cartas-a-um-jovem-poeta/" target="_blank">“Cartas a um      Jovem Poeta”</a>).  Não fui original ao intuir o <a title="Cadeias de conhecimento" href="http://sergiostorch.com/artigos/cadeias-de-conhecimento-dutos-para-a-inteligencia-coletiva/" target="_blank">conceito de cadeias de conhecimento: </a> embora pouco explorado nas discusões de gestão do conhecimento no Brasil,  descobri no Google que essa expressão já é bastante utilizada &#8211; veja por exemplo o interessante paper  <a title="Knowledge chains in construction" href="http://www.irbdirekt.de/daten/iconda/CIB9822.pdf" target="_blank">&#8220;The need for knowledge chains in construction&#8221;.</a> Acredito que a criação de cadeias de conhecimento intra e inter-organizações seja a      fronteira mais interessante a ser desbravada com apoio  das novas mídias  sociais, como os wikis, twitter e os ambientes de      relacionamento tipo Orkut.</li>
</ul>
<p class="MsoNormal"><span style="color: #000080;"><strong>Uso múltiplo</strong></span>: talvez a palavra chave para amolecer o coração dos “donos” dos conteúdos onde talvez se encontrem possibilidades de tornar mais ágeis e inteligentes diversos processos críticos nas organizações.</p>
<p class="MsoNormal">Vale destacar que essa preocupação talvez se some a aquelas já presentes no <a title="Critério 5" href="http://www.fnq.org.br/site/403/default.aspx">Critério 5 &#8211; Informações e Conhecimento,</a> do <a href="http://www.fnq.org.br/site/376/default.aspx" target="_blank">Modelo de Excelência      em Gestão (MEG), </a>da Fundação Nacional da Qualidade.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">_____________________________________________________________________</p>
<p class="MsoNormal">CAMPANHA: Aproveito para divulgar, a propósito, o ato público do Instituto Ethos e do Movimento Nossa São Paulo, contra o desmantelamento da nossa legislação ambiental, caso a Medida Provisória já denominada Lei da Grilagem não seja vetada pelo presidente Lula.  <a href="http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/7877" target="_blank">Saiba mais&#8230; </a> Vamos nos ver lá?</p>
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		<title>Identidade, memória e significado – it´s blowing in the wind</title>
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		<pubDate>Fri, 08 May 2009 18:49:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colaboração]]></category>
		<category><![CDATA[Gestão do Conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[identidade]]></category>
		<category><![CDATA[sensemaking]]></category>
		<category><![CDATA[serendipidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Não conversávamos há 43 anos. Dois ou três papos curtos em saguões de aeroportos. Mas nunca tínhamos tido a oportunidade de um aquecimento, daqueles que fazem uma conversa ser mais do que trivial.
Surgiu a oportunidade. Um negócio que apareceu para mim, mas que a pessoa certa é ele.
- Legal, vamos conversar.
- Tá sem carro? A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">Não conversávamos há 43 anos. Dois ou três papos curtos em saguões de aeroportos. Mas nunca tínhamos tido a oportunidade de um aquecimento, daqueles que fazem uma conversa ser mais do que trivial.</p>
<p class="MsoNormal">Surgiu a oportunidade. Um negócio que apareceu para mim, mas que a pessoa certa é ele.</p>
<p class="MsoNormal">- Legal, vamos conversar.</p>
<p class="MsoNormal">- Tá sem carro? A gente se encontra no meio do caminho.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span id="more-87"></span>Mas ele não pôde vir ontem ao encontro.</p>
<p class="MsoNormal">- Dor de coluna. Tenho fisioterapia às 18:30.</p>
<p class="MsoNormal">- Peraí, para onde você tem que ir?</p>
<p class="MsoNormal">- A fisioterapia é na Rua Lisboa.</p>
<p class="MsoNormal">- Eu vou aí e te levo.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">O pessoal de cultura organizacional chama isso de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Serendipidade">serendipidade</a>. É quando deixamos acontecer no fluxo, sem estar planejado. Paramos num café. Trocamos alegrias e falamos de familiares e amigos, AIDS, suicídio. Tio Luiz, Teodoro, Moishe, Bila, Hadassa, Ana, Dina. Pessoas que habitaram intersecções de nossas vidas, ou que brotaram da conversa, da continuidade de um para preencher descontinuidades de outro.  Até um governador de Estado, que eu não sabia que tinha sido do mesmo grupo sionista antes de eu ingressar. Muitos links.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Signos, valores, memórias, pessoas. Desejos, utopias, sonhos ainda.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">E rimos muito.</p>
<p class="MsoNormal">- Você era um nerd!</p>
<p class="MsoNormal">- Eu? Eu era um babacão!</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Reconstituímos a trama e as guinadas de cada um em 43 anos de vida. Desde a memória vívida da esquina, do cheiro, da cor do céu, da cara com que ele gozador, 43 anos atrás, soltou palavras que foram a gota d´água que faltava depois de ter encontrado Marx e Freud no livro de Erich Fromm.  Que me levaram à primeira ruptura: tornei-me ateu. Música maestro:  “Um velho ateu, um bêbado cantor, poeta, na madrugada, cantava essa canção, seresta. Se eu fosse Deus, a vida até que melhorava, se eu fosse Deus, daria aos que não tem nada”.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Chico, meu menino vadio, minhas discussões com Deus&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Tínhamos sonhado juntos, aos 16 anos, o socialismo sionista e a utopia de um <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Kibbutz">kibbutz </a>urbano em Israel. Descobri 15 anos depois que esse kibbutz existe, na auto-gestão em Mondragon que foi tema de minha dissertação de mestrado. O maior e mais bem sucedido arranjo produtivo local do mundo. E hoje <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Arranjo_produtivo_local">arranjos produtivos locais </a>são meu assunto constante. A dissertação não foi acaso, e ontem descobri a semente.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Memória, sinapses, significado, identidade.</p>
<p class="MsoNormal">Nos refletimos um no outro. Eu gestão do conhecimento. Ele gestão de processos. E não precisamos falar do negócio que tinha nos trazido ali. “Vamos nos encontrar, pra falar da gente. Negócios a gente resolve por email”.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">E saí me perguntando: serão essa liberdade e esse fluxo possíveis na verticalidade de nossas organizações e instituições? Nos diálogos com hora e tempo marcados? Ou esse compartilhamento, em cima do qual qualquer negócio passa azeitado, requer a horizontalidade das redes e a  disposição para dançar nas memórias e desejos? Teria rolado se tivéssemos nos encontrado no lugar e hora planejados, e não na base do “eu vou até aí?” Será que os timesheets, frameworks, modelos, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pmbok">PMBOKs </a>etc., não matam um pouquinho do que nos motiva a trocar e construir juntos?</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">A pergunta que sempre ouço nas organizações:  o que fazer aqui para que as pessoas compartilhem o conhecimento? Diria Bob Dylan: “The answer is blowing in the wind”.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Disse Milton naqueles anos, e ouvimos de novo nas diretas-já: coração de estudante. Outros dão o nome de capital social, o link que falta entre as teorias de redes sociais e as abordagens tradicionais de  gestão do conhecimento.</p>
<p class="MsoNormal">É isso aí, como disse o Henfil: a gente ainda nem começou&#8230;</p>
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		<title>Aos bibliotecários, com carinho</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Apr 2009 03:56:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bibliotecas]]></category>
		<category><![CDATA[competências]]></category>
		<category><![CDATA[bibliotecários]]></category>

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Momentos sempre sofridos quando é preciso dar um jeito na falta de espaço doméstico: que livros ficam? que livros vão? Caiu em minhas mãos um livro que gostei muito 20 anos atrás, quando começava meu interesse por bibliotecas. Tem até valor afetivo, pois minha relação com bibliotecários, e principalmente bibliotecárias, se aprofundou muito nesse tempo. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument> <w:View>Normal</w:View> <w:Zoom>0</w:Zoom> <w:HyphenationZone>21</w:HyphenationZone> <w:PunctuationKerning /> <w:ValidateAgainstSchemas /> <w:SaveIfXMLInvalid>false</w:SaveIfXMLInvalid> <w:IgnoreMixedContent>false</w:IgnoreMixedContent> <w:AlwaysShowPlaceholderText>false</w:AlwaysShowPlaceholderText> <w:Compatibility> <w:BreakWrappedTables /> <w:SnapToGridInCell /> <w:WrapTextWithPunct /> <w:UseAsianBreakRules /> <w:DontGrowAutofit /> </w:Compatibility> <w:BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4</w:BrowserLevel> </w:WordDocument> </xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml> <w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"> </w:LatentStyles> </xml><![endif]--></p>
<p>Momentos sempre sofridos quando é preciso dar um jeito na falta de espaço doméstico: que livros ficam? que livros vão? Caiu em minhas mãos um livro que gostei muito 20 anos atrás, quando começava meu interesse por bibliotecas. Tem até valor afetivo, pois minha relação com bibliotecários, e principalmente bibliotecárias, se aprofundou muito nesse tempo. “Ordenar para Desordenar – Centros de Cultura e Bibliotecas Públicas” (Luiz Milanesi, 1986).</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span id="more-62"></span>Decidi que este fica, e ficará ao lado de “A Nova Desordem Digital” (David Weinberger, 2007). Por três motivos: o primeiro é o binômio ordem-desordem (tensão permanente do yin-yang que todos enfrentamos um pouco mais ou um pouco menos, mas que define a existência do bibliotecário); o segundo é que o Weinberger dedicou expressamente seu livro aos bibliotecários (se você é bibliotecário, leia, ele vira o seu mundo de cabeça para baixo, abrindo novos espaços de crescimento). O terceiro é que ambos os livros têm uma visão crítica e humanista do fazer bibliotecário, o que contrasta com a visão solitária e periférica que muitas vezes acaba se apossando do ser bibliotecário.</p>
<p class="MsoNormal">Fiquei tentado a fazer reflexões sobre o que será dessa profissão, precursora de tantas práticas imprescindíveis para a gestão de conteúdo e do conhecimento. A realização, nesses 20 anos,  da profecia marxista de “tudo que é sólido desmancha no ar”, não poderia deixar de causar estragos também sobre a identidade desse grupo profissional, e abrir caminho para o surgimento de algo que ainda não sabemos o que virá a ser.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Vamos a uma antropologia dos bibliotecários?</p>
<p class="MsoNormal">Perda de identidade: “biblio”tecários lidam a cada dia menos com “biblio”. O livro é apenas uma entre as mídias que se multiplicam rapidamente. Na Web ontem foi o blog, hoje o Twitter. Mas na biblioteca pública a “biblio” também cede há muito tempo para a gibiteca, e nas organizações a “biblio” se expande para a hemeroteca, a videoteca, a<span> </span>midiateca, a mapoteca, a blogosfera da empresa, seus wikis, seu acervo de powerpoints, em todas as áreas densas em conhecimento: marketing,  TI, P&amp;D, compras etc.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Então por que manter a persona de “biblio”tecário? O “biblio” do nome perde o sentido à medida que se expande o papel do profissional frente à diversidade de conteúdos que as novas gerações consomem nos seus processos de aprendizagem e de trabalho.</p>
<p class="MsoNormal">Será que este nome, tão preso a um objeto físico, o livro, não impede a ave de voar? Afinal, na organização, a expectativa das pessoas em relação ao &#8220;biblio&#8221;tecário é que ele cuide dos livros, e demandas latentes relacionadas ao tratamento mais amplo de informações acabam não acontecendo.</p>
<p class="MsoNormal">Por outro lado, a adoção do título &#8220;ciência da informaçao&#8221; nas universidades não significa que o profissional desenvolvido seja um &#8220;cientista da informação&#8221;, como ocorre na diplomação em algumas escolas. &#8220;Ãhã, cientista da informação? Sinto muito, não temos vagas&#8221;. A falta de um nome apropriado cria um vácuo identitário.</p>
<p class="MsoNormal">Por outro lado, competências essenciais para a organização da informação, como a de modelagem de dados, são ainda desconhecidas desses profissionais. O mesmo pode-se dizer de conceitos mais avançados de categorização dos objetos, como a classificação facetada (não tão nova, pois Ranganathan a introduziu há um século). Nos bons sites de comércio eletrônico (vide <a href="http://www.webmotors.com.br/" target="_blank">WebMotors</a>) esses conceitos fazem toda a diferença, mas na organização da informação nas organizações e na sociedade eles ainda são pouco utilizados.</p>
<p class="MsoNormal">A profissão se bifurca. Nas bibliotecas públicas e escolares, e nas milhares de salas de leitura, pontos de cultura e outros nodos de acesso popular ao conhecimento, o &#8220;biblio&#8221;tecário necessário pode não ser aquele saído das escolas especializadas em &#8220;biblio&#8221;, e sim aquele com formação humanista e universal, capaz de sentir as necessidades de sua comunidade e oferecer, até nas situações mais simples, o livro certo no momento certo (&#8221;me dê um livro para a idade de 9 anos que trate de forma humanista da questão da prostituição&#8221;; sei lá se existe, mas deveria existir  e, se não existe, é preciso construir processos com feedback que gerem encomenda para os autores).</p>
<p class="MsoNormal">O ítem acima traz uma demanda para o profissional sucessor do &#8220;biblio&#8221;tecário: que se incorpore coletivamente aos processos societais que pautam a produção literária.  Ou seja, todo o ciclo de concepção, produção e circulação de um bem precioso para a construção do conhecimento.</p>
<p class="MsoNormal">A perda de identidade tem esse lado das oportunidades de incorporação de novas competências para o exercício de novos papéis. Em cada lugar, há o momento do salto quântico em que a crisálida pode se tornar borboleta, numa nova espécie com novo DNA: não mais para lidar apenas com bibliotecas nem com objetos físicos, e sim com seus conteúdos, quaisquer tipos de conteúdo físico ou virtual. Um mundo bem mais divertido: surgem padrões que nossas crianças já nascem conhecendo, como o de áudio em MP3. Aliás, nada melhor que o MP3 para a educação em competências informacionais básicas (título, autor, gênero, álbum&#8230;). Ou seja, os padrões bibliográficos tendem a se incorporar ao dia a dia das pessoas no seu consumo de bens culturais, e deixam de ser parte da linguagem hermética que tornava a profissão uma tribo.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">A transição para uma nova identidade é complexa. Em meio a todas as oportunidades que exigem que se enxergue o novo, há um lado jurássico, como ocorre em qualquer atividade humana. O novo precisa conviver com o velho pacificamente, mas é preciso estar preparado para a possibilidade de que, em algum momento, haja a faísca da &#8220;destruição criativa&#8221; de Schumpeter. Em apenas um ano (2003) a indústria fonográfica perdeu 1/3 do seu faturamento em nível mundial. O impacto das mudanças sobre as expectativas do mercado de trabalho do bibliotecário não irá esperar que ele esteja preparado.</p>
<p class="MsoNormal">Nesse tempo acelerado que vivemos, levará pouco tempo para que os clientes das bibliotecas exijam o que já oferece a <a href="www.aadl.org" target="_blank">Ann Arbor Digital Library</a>,  por exemplo, que abre seus registros para permitir a colaboração dos seus próprios usuários no processo de indexação.  Bibliotecas abertas, sem caixa preta de procedimentos esotéricos e enrijecidos à base de CDUs e CDDs.</p>
<p class="MsoNormal">Escolas de Ciência da Informação, que responsabilidade! Serem parteiras da nova borboleta, e oferecerem capacitação para as novas competências, pois o mundo do trabalho tem horror ao vácuo. Esse espaço será ocupado por profissionais que entendam a estrutura da informação, a diversidade de  estilos cognitivos dos usuários, os processos de negócios aos quais a informação deve atender.  Não haverá necessidade de carteirinha nem de registro profissional, haja vista o que a realidade do mercado já fez com a profissão de jornalistas. Haverá sim carência dessas competências. Oportunidade de ouro para as instituições com visão de futuro.</p>
<p class="MsoNormal">Conselhos e Associações profissionais: as energias desse sistema vivo que é uma categoria profissional têm o desafio de projetarem modelos criativos em que um punhado de profissionais da nova espécie possam capacitar e gerenciar centenas ou milhares de leigos (por que não professores, assistentes sociais, voluntários etc.?) para que sejam facilitadores de leitura, pesquisa e aprendizagem com base no livro e em outros tipos de conteúdo.</p>
<p class="MsoNormal">E há, dentro das organizações, nas áreas criativas como marketing, pesquisa e desenvolvimento e estratégia (e será que alguma área nas organizações escapará do destino de ter que se tornar criativa?),  o desafio de criar a cultura da busca, uso e agregação de valor à informação.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">As oportunidades  estão aí, e demandam profissionais com visão sistêmica, que compreendam processos e saibam gerenciar projetos de informação.</p>
<p class="MsoNormal">Temos grandes cabeças em ilhas de competência no país (UFSC, UFMG, UNESP, IBICT etc.), e que poderiam contribuir para a formação profissional nos lugares de maior demanda, especialmente em São Paulo, a capital brasileira dos serviços que podem diferenciar o país na competitividade global.  Nesses lugares, onde há enorme carência dessas competências (há bibliotecários desempregados?),  é preciso encontrar modelos, presenciais ou virtuais, para utilizar esse capital intelectual que está disponível.</p>
<p class="MsoNormal">Ou seja, uma alternativa virtuosa ao círculo vicioso da guerra de preços das IES privadas: fazer a roda girar ao contrário, importando para cá as melhores competências, criando currículos de Primeiro Mundo, atraindo para a profissão os melhores candidatos, e se posicionando como parceiro para os RHs das organizações que buscam a excelência nos seus processos. Penso eu que, se não for por aí, a janela de oportunidade para os profissionais da informação &#8211; a nova borboleta &#8211; pode se fechar rapidamente.</p>
<p class="MsoNormal">Uma fofoca sobre o olho nas oportunidades contraposto à miopia de marketing: soube ontem, conversando com uma pessoa de Belém, que as maiores redes hoteleiras do mundo estão comprando terrenos agressivamente nessa cidade, com o olho na Copa de 2014.  Para os reitores de nossas universidades que estão com o olho na criação do conhecimento que nos fará competitivos globalmente: pode ser hora de  criar unidades de Ciência da Informação com padrão de excelência global.  Especialmente nas capitais de serviços.</p>
<p class="MsoNormal">Republiquei numa página um <a href="http://sergiostorch.com/visao-critica-de-o-bibliotecario-e-a-era-do-conhecimento/" target="_blank">artigo recente dos amigos Levi Bucalem e Vera Stefanov, que a Folha publicou no Dia do Bibliotecário. </a>Não pude resistir a fazer algumas críticas. Veja lá com minhas observações.</p>
<p class="MsoNormal">Num outro dia, falarei de mim bibliotecário em outras encarnações&#8230;</p>
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		<title>Gaza: sensemaking e inteligência coletiva</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jan 2009 21:15:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Inteligência Coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência societal]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça e paz]]></category>
		<category><![CDATA[Web e ferramentas sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
		<category><![CDATA[sensemaking]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Nenhum problema pode ser resolvido a partir do mesmo nível de consciência que o criou&#8221; &#8211; Albert Einstein

Para “unir os pontos” entre meus temas profissionais (especialmente a gestão do conhecimento e a inteligência em rede) e o meu cotidiano, preciso me referir a um tema que volta a ocupar boa parte de minha mente depois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>&#8220;Nenhum problema pode ser resolvido a partir do mesmo nível de consciência que o criou&#8221; &#8211; Albert Einstein</em></p></blockquote>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Para “unir os pontos”<span> </span>entre meus temas profissionais (especialmente a gestão do conhecimento e a inteligência em rede) e o meu cotidiano, preciso me referir a um tema que volta a ocupar boa parte de minha mente depois de anos de relativo distanciamento: a questão da paz entre israelenses e palestinos. E não posso deixar de usar as lentes que desenvolvi nesses 7 anos (um ciclo, segundo a antroposofia). É como se eu estivesse voltando ao ponto de partida, mas com alguns outros olhares.</p>
<p class="MsoNormal">O instrumental teórico da Gestão do Conhecimento deixa marcas indeléveis. Vamos falar de <a title="sensemaking" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sensemaking" target="_blank">sensemaking</a>.</p>
<p class="MsoNormal"><span id="more-30"></span>“Sensemaking” = construção do sentido. Acho esse conceito indispensável para entender o que a historiadora Barbara Tuchman chamou de marcha da insensatez (em livro com o mesmo nome), ou seja, a marcha para o precipício a que tantos líderes na história conduziram os seus povos (há casos discutidos também no mundo animal, como o <a title="lemmings" href="http://www.google.com/search?ie=UTF-8&amp;oe=UTF-8&amp;sourceid=navclient&amp;gfns=1&amp;q=lemmings+suicide" target="_blank">suicídio coletivo dos lemingues</a>).</p>
<p class="MsoNormal">O conceito de “sensemaking” vem ganhando espaço desde que o professor Choo, da Universidade de Toronto, produziu o livro que considero o mais importante na área nos últimos 10 anos: <a title="&quot;The Knowing Organization&quot;, de Chun Wei Choo, 1998, trad. Ed. Senac, 2003" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=1&amp;ProdId=217448&amp;ST=SR&amp;franq=247263"></a><a title="choo artepaubrasil" href="http://www.paubrasil.com.br/descricao.asp?cod_livro=AA7927" target="_blank">&#8220;The Knowing Organization</a> (no Brasil editado pelo Senac). Choo faz a crítica de abordagens mais tradicionais da gestão do conhecimento que são centradas nas preocupações com o compartilhamento genérico do conhecimento.  Preocupando-se com a inteligência organizacional e não com o compartilhamento como fim em si, ele propõe enxergar o ciclo do conhecimento em três etapas: o sensemaking, a criação de conhecimento, e a tomada de decisão.</p>
<p class="MsoNormal">A primeira é o momento de elaboração coletiva do sentido (sensemaking), em que olhares plurais se juntam para extrair sentido de informações que para alguns, individualmente, não querem dizer muita coisa, mas que em conjunto contribuem para a montagem de um quebra-cabeças de onde emergem significados. Para Choo, são inócuas as iniciativas de gestão do conhecimento que não considerem primeiramente a criação do significado.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Pois bem . Vamos a Gaza, passando por uma parábola contada por Peter Senge  em &#8220;A Quinta Disciplina&#8221;: se jogarmos um sapo na panela de água fervente, ele se estica e pula imediatamente. Seu sistema nervoso é preparado para isso. Mas se o pusermos na água e começarmos com um foguinho lento, ele vai relaxando devagarinho, e vai ficando&#8230; até terminar cozido.</p>
<p class="MsoNormal">A mídia exerce seu papel de nos chamar a atenção para a água escaldante. . Mas poucos se dão conta da água esquentando devagarinho,  quando mais uma família israelense se instala num assentamento na Cisjordânia e mais uma classe de alunos nas escolas do Hamas recebe cartilhas ensinando a Jihad. A água vai esquentando e de repente, bum! O mundo acorda com o som dos bombardeios.</p>
<p class="MsoNormal">Israel precisa defender dos foguetes o 1 milhão de israelenses que estão no raio de seu alcance, mas bombardear Gaza é como enxugar gelo.  No jogo do sapo, morrem palestinos, morrem israelenses, e a força moral da sociedade israelense se corrompe e se destrói ao violar direitos humanos, como havia sido profetizado por sábios como <a title="The Nation - Yeshayahu Leibowitz" href="http://www.thenation.com/doc/20020225/gordon" target="_blank">Yeshayahu Leibowitz </a>ainda em 1967.</p>
<p>Essa história tem um link com minha guinada profissional. Comecei na Web quando, em 2000, fui ativo participante de grupos que militaram pela paz justa entre israelenses e palestinos.  Usei num artigo a metáfora da teoria do cáos, <a title="borboleta que bate asas" href="http://www.asa.org.br/boletim/71/71_comunidades2.htm" target="_blank">da borboleta que bate asas&#8230; </a>Não fosse o aprendizado com os primeiros e-groups que criei naquela época, eu não estaria hoje fazendo projetos de portais 2.0 com comunidades de prática e redes sociais. Foi no calor das batalhas virtuais e campais do movimento pacifista que eu tive as primeiras lições sobre as possibilidades e armadilhas dessa mídia (e também aprendi na carne o quanto  as novas mídias requerem novas habilidades para o diálogo, que muitas vezes sucumbe mesmo entre pacifistas, que nem sempre primam pela humildade e serenidade verbal).</p>
<p>A pressão profissional fez que eu me distanciasse. Bem, estou voltando&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">A roda viva do tempo deu uma volta, e estamos na Web 2.0. Agora habemus blogs, o que facilita bastante as coisas. Não mais longas reuniões para aprovar uma ação: podemos fazer isso no Ning, e cada um pode escrever o que pensa em seu blog, e os demais podem ir linkando através de blogrolls e trackbacks. Nesses 8 anos as redes sociais já cutucaram a OMC em Seattle, derrubaram um governo filipino, e permitem que nós brasileiros, campeões do Orkut, possamos vir a desempenhar um papel na paz global, fazendo a ponte entre israelenses e palestinos através do samba e do futebol, sem esperar pelas lideranças oficiais das comunidades étnicas, que têm rabo preso na lealdade a velhos dogmas e crenças paralisantes.</p>
<p class="MsoNormal">Ao ver de novo o filme das atitudes maniqueístas dos partidários de um e outro lado,  penso sempre no sapo&#8230;</p>
<p class="MsoNormal"><img class="aligncenter size-medium wp-image-31" title="boiling-frog" src="http://sergiostorch.com/wp-content/arquivos/boiling-frog-300x264.jpg" alt="boiling-frog" width="300" height="264" /></p>
<p class="MsoNormal">Acredito que o Hamas cresce porque os palestinos cercados num gueto tendem a se deixar seduzir pelas vertentes mais reacionárias de um islamismo que, apesar do que parece (de novo a mídia), tem suas vertentes modernas e democráticas. A derrota dos extremistas só poderá se dar com o fim da ocupação e a criação de um Estado Palestino democrático, que só será possível se Israel for forçado de fora para estancar os assentamentos. De fora para dentro,  porque na lógica da democracia israelense a minoria judaica fundamentalista sempre terá poder desproporcional a seu tamanho (assim se explicam as marchas da insensatez em que maiorias ficam reféns de minorias).  De fora para dentro pois, segundo Einstein, <em>&#8220;Nenhum problema pode ser resolvido a partir do mesmo nível de consciência que o criou&#8221;.</em></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">E é possível ser diferente:</p>
<p class="MsoNormal">[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=5d_i2F2LlF8[/youtube]</p>
<p class="MsoNormal">Mais um pouquinho de gestão do conhecimento: cognição coletiva. A tragédia de palestinos e israelenses leva o leitor de jornal ou telespectador a questionar sobre como tudo isso veio a acontecer. A dificuldade em suportar o estado de perplexidade conduz a uma saída fácil: apontar um lado culpado. Faz parte da visão reducionista que prevalece na cultura ocidental. Ao julgar, depositamos a culpa em alguém, o que nos alivia bastante pois o mal está no outro e não em nós.</p>
<p class="MsoNormal">Mas ao pensar dessa forma esquecemos um antigo questionamento filosófico: quem veio antes, o ovo ou a galinha? Os que vão às ruas “em defesa de Israel” talvez saibam a resposta: foi o ovo. E os que protestam unilateralmente contra o massacre de palestinos talvez estejam seguros de que a galinha veio antes.</p>
<p class="MsoNormal">Sobre o enigma ovo-e-galinha de Gaza-Palestina-Oriente Médio, eu apenas sei que é um ciclo que começou há muito tempo e que continuará por muitos anos. E não sei, mas acredito, que seja possível construir opções de convivência e felicidade para os destinos desses dois povos.</p>
<p class="MsoNormal">Se tenho alguma crença forte, é a de que situações ovo-e-galinha que não apontam saída só podem ser superadas quando indivíduos (especialmente lideranças) se dêem conta do quanto as pequenas complacências do dia-a-dia com o pensamento grupal são atos que reforçam o impasse em vez de ajudar as saídas, que só existem a partir da coragem individual para superar a comodidade do maria-vai-com-as-outras . O <a href="http://contardocalligaris.blogspot.com/2009/01/um-ano-novo-feliz-e-desconfiado.html" target="_blank">Contardo Calligaris aponta isso nos comentários que fez sobre o filme &#8220;Um Homem Bom&#8221;. </a>Não deixe de ver o filme e ler o artigo.</p>
<p class="MsoNormal">Vejam este <a title="Blog Gaza-Sderot" href="http://gaza-sderot.blogspot.com/" target="_blank">blog de um palestino de Gaza e um israelense de Sderot. </a>Inimigos?</p>
<p class="MsoNormal">Modelo mental:  a aparente oposição entre israelenses e palestinos pode ser vista de outra forma. Há uma oposição que existe em ambos os lados, entre aqueles que acreditam e lutam por uma solução de paz e dignidade, e aqueles que só acreditam e lutam por soluções de força. Entre aqueles que pensam numa escala de tempo mais longa no passado e no futuro, e os outros cuja perspectiva temporal é mais curta.</p>
<p class="MsoNormal">Estes últimos fariam bem em ter em mente os dois mapas abaixo, nos quais as posições de Davi e Golias se invertem. Não medi, mas me parece que Gaza está para Israel assim como Israel está para o Oriente Médio inclusive o Irã.</p>
<p class="MsoNormal">Quem é Davi e quem é Golias?</p>
<p class="MsoNormal"><img class="alignnone size-full wp-image-38" title="israel-e-faixa-de-gaza1" src="http://sergiostorch.com/wp-content/arquivos/israel-e-faixa-de-gaza1.gif" alt="israel-e-faixa-de-gaza1" width="512" height="300" /></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Então veja agora este mapa. Quem é Davi e quem é Golias agora?</p>
<p class="MsoNormal"><img class="aligncenter size-medium wp-image-39" title="israel-e-oriente-medio1" src="http://sergiostorch.com/wp-content/arquivos/israel-e-oriente-medio1-300x260.gif" alt="israel-e-oriente-medio1" width="300" height="260" /></p>
<p class="MsoNormal">Agora vamos ver na perspectiva temporal.</p>
<p class="MsoNormal">O ovo ou a galinha? Se olharmos para o início do bombardeio, a culpa é dos israelenses. Sataniza-se Israel, como fez o comunicado oficial do PT de Valter Pomar e Ricardo Berzoini  equiparando Israel e nazismo (foram <a title="carta dos militantes do PT" href="http://www.pazagora.org/detailartigo.cfm?IdArtigo=1287" target="_blank">contestados por 36 intelectuais do PT</a>, mas o estrago já foi feito, embora vamos convir que é o menor dos estragos nesta história de horror). Mas se olharmos para os mísseis Qassam disparados contra Sderot, foram os palestinos que começaram. Sim, mas e o bloqueio econômico? Ah, então foram os israelenses. Ah, mas peraí, e o cerco a Israel na guerra dos 6 dias? E assim vamos retrocedendo no tempo até o massacre cometido contra judeus em Hebron em 1927, por uma turba de palestinos liderada pelo mufti de Jerusalem que anos depois desfilou em parada em Berlim ao lado de quem? Hitler. Ou retrocedemos mais ainda até Sansão e Dalila (foi em Gaza&#8230;).</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Diante desse relativismo de perspectiva temporal, o posicionamento através da culpabilização de qualquer um dos lados e de palavras de ordem simplistas é um desserviço à cidadania global. Mas vamos reconhecer que faz parte de nosso modelo mental o paradigma da culpa e castigo, associado ao moralismo ocidental e à idéia implícita de que há alguém no topo de alguma hierarquia (seja a ONU, seja Deus) que de alguma forma fará justiça. Ou seja, culpabilização tem algo a ver com o pensamento hierárquico: ao culpabilizar estamos invocando inconscientemente um poder maior que aplique a punição. Daí a apoiar o oportunismo-populismo de Hugo Chavez é um passo&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">Um amigo, Leandro Cianconi, estudioso de Governo 2.0, também lança luz sobre esse conflito do ponto de vista da <a href="http://cianconi.com/leandro/governo/a-guerra-da-descentralizacao/" target="_blank">superioridade das organizações em rede. </a> Vale a pena ler.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Isso tudo já é bastante complicado, e estamos olhando somente pelo espelho retrovisor. Vamos então olhar “de volta ao futuro”.</p>
<p class="MsoNormal">França e Alemanha se reconciliaram depois de séculos de conflitos. Idem católicos e protestantes na Irlanda do Norte.</p>
<p class="MsoNormal">A grande parcela de palestinos e israelenses que deu base social para as negociações de <a title="Acordos de TABA" href="http://www.palestinefacts.org/pf_1991to_now_alaqsa_taba.php  " target="_blank">TABA</a> e a <a title="Iniciativa de Genebra" href="http://www.espacoacademico.com.br/045/45ip_storch.htm" target="_blank">Iniciativa de Genebra</a> precisam de um empurrãozinho de fora para dentro.</p>
<p class="MsoNormal">Faço a seguinte reflexão, que espero modestamente que chegue ao ministro Celso Amorim e a lideranças de nossas empresas e de nossa sociedade civil.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-indent: -18pt;">&lt;!&#8211;[if !supportLists]&#8211;&gt;<span>a)<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; -x-system-font: none;"> </span></span>&lt;!&#8211;[endif]&#8211;&gt;A guerra de comunicação entre os dois lados é desperdício de enegia.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-indent: -18pt;">&lt;!&#8211;[if !supportLists]&#8211;&gt;<span>b)<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; -x-system-font: none;"> </span></span>&lt;!&#8211;[endif]&#8211;&gt;há um futuro pela frente.  O que cada uma das partes pode oferecer como presente para seus filhos e netos?</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-indent: -18pt;">&lt;!&#8211;[if !supportLists]&#8211;&gt;<span>c)<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; -x-system-font: none;"> </span></span>&lt;!&#8211;[endif]&#8211;&gt;é preciso desviar a atenção que a mídia atrai para a destruição, e focalizar as possibilidades da reconstrução.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-indent: -18pt;">&lt;!&#8211;[if !supportLists]&#8211;&gt;<span>d)<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; -x-system-font: none;"> </span></span>&lt;!&#8211;[endif]&#8211;&gt;O Brasil tem um papel nisso, por ser uma marca querida tanto por palestinos quanto israelenses. Não só pela tradição de harmonia (que afinal não é tudo isso, que o digam os nossos afrobrasileiros, que têm alguns séculos de escravatura a nos lembrar), mas pela imagética ligada à alegria, como a música, o futebol etc.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-indent: -18pt;">&lt;!&#8211;[if !supportLists]&#8211;&gt;<span>e)<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; -x-system-font: none;"> </span></span>&lt;!&#8211;[endif]&#8211;&gt;As empresas brasileiras certamente terão interesse também num projeto de reconstrução. Pensando com a frieza de investidores de mercado, a Palestina é um ativo barato para se conquistar os mercados do Oriente Médio, e não deverão faltar recursos para montar uma Casa do Brasil em Gaza, e outras em Tel Aviv, Ramallah, Jerusalém, Belém etc.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-indent: -18pt;">&lt;!&#8211;[if !supportLists]&#8211;&gt;<span>f)<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; -x-system-font: none;"> </span></span>os experts brasileiros em Web 2.0 (que temos muitos) terão enorme satisfação em criar ambientes de redes sociais que tirem os palestinos do gueto no qual o fundamentalismo islâmico é a influência dominante. Que os jovens palestinos e israelenses se conectem a nós em redes sociais de futebol, samba, de Doutores da Alegria, de Médicos sem Fronteiras, e de estudo da História em que convivam as narrativas israelense e palestina do conflito. Temos também pedagogos e psicólogos competentes para lidar com traumas de guerra.</p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-indent: -18pt;">&lt;!&#8211;[if !supportLists]&#8211;&gt;<span>g)<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; -x-system-font: none;"> </span></span>&lt;!&#8211;[endif]&#8211;&gt;O Brasil não estará sozinho nisso, mas pode estar na linha de frente da iniciativa, à qual se seguirá a França de Sarkozy, os Estados Unidos de Obama etc. Não precisamos esperar termos o nosso assento no Conselho de Segurança. No mundo deshierarquizado pela tecnologia, podemos construir o nosso assento de forma bottom-up, a partir de nossos empresários, jovens e profissionais liberais.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Espero que lideranças das comunidades brasileiras de judeus e palestinos saibam olhar além da fumaça, e passem a defender seus respectivos povos de forma construtiva e não mais defensiva. Vamos fazer coro a <a title="Barenboim" href="http://www.pazagora.org/detailartigo.cfm?IdArtigo=1270" target="_blank">Daniel Barenboim </a>e (z´l) Edward Said, pais da Sinfônica Jovem de israelenses e palestinos, e aos blogueiros de Gaza-Sderot, em vez de sermos auto-complacentes com o discurso da culpa do outro.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Vamos nós no Brasil unir os pontinhos e construir o significado dessas oportunidades, que nos abrem as portas para a aprendizagem societal em nível global.</p>
<p class="MsoNormal">Comecei com Einstein, e concluo com John Lennon:</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">You may say I´m a dreamer&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">But I´m not the only one…</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">I hope some day you join us…</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">And the world will be as one…</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">(caso vc queira se manter bem informado com a visão do campo da paz de ambos os lados palestino e israelense, assine </span><span lang="EN-US">os boletins dos <a href="http://www.pazagora.org" target="_blank">Amigos Brasileiros do Paz Agora)</a>, ).</span></p>
<p class="MsoNormal">
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		<title>Gestão do conhecimento dá samba&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Dec 2008 21:45:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Gestão do Conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[Teorema: gestão do conhecimento dá samba. A recíproca é verdadeira: provarei neste post que samba dá gestão do conhecimento.
Ontem, ao consultarmos o Guia da Folha para achar um programa legal pra fazer com a nossa filhota no fim de semana, bati o olho num tijolinho sobre um show do Eduardo Gudin.
Aí fomos.
Que pena, não era [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Teorema: gestão do conhecimento dá samba. A recíproca é verdadeira: provarei neste post que samba dá gestão do conhecimento.</p>
<p>Ontem, ao consultarmos o Guia da Folha para achar um programa legal pra fazer com a nossa filhota no fim de semana, bati o olho num tijolinho sobre um show do Eduardo Gudin.</p>
<p><span id="more-4"></span>Aí fomos.</p>
<p>Que pena, não era pra Debbie. Mas para nós, eu e a Renate,  foi o máximo.</p>
<p>Um lugarzinho insuspeitado no Alto da Lapa, numa casa deliciosa, co-gerido pela Secretaria da Cultura do Estado e por uma Associação de Amigos da Cultura.</p>
<p>Não foi um show, e sim uma conversacomverso, com o <a title="Eduardo Gudin" href="http://www.eduardogudin.com.br/">Eduardo Gudin</a>, rememorando toda a sua vida, o seu desenvolvimento como artista e como produtor de cultura, seus dilemas, sua briga com a indústria do disco, a velha controvérsia se bossa nova é samba ou não, e gente cantando junto, lembrando dos festivais da Record etc etc etc. Foi meu reencontro comigo da década de 70 (e vi que mudei pouco, como o Eduardo), através do sambinha:</p>
<p>&#8220;Um velho ateu<br />
Um bêbado cantor, poeta<br />
Na madrugada<br />
Cantava esta canção seresta<br />
Se eu fosse Deus<br />
A vida bem que melhorava<br />
Se eu fosse Deus<br />
Daria a quem não tem nada&#8221;</p>
<p>Foi também um reencontro com o Jakow Grajew, que me contou do Movimento Nossa Ilha (clone do Nossa São Paulo liderado por seu irmão Oded), e trocamos fofocas e dicas acadêmicas e profissionais.<br />
Aprendizagem coletiva: o Cezinha, que também cantou músicas do Gudin e eu não conhecia, me contou onde costuma cantar. Vou lá e vou socializar no <a title="Twines do Sérgio Storch" href="http://www.twine.com/user/sergiostorch" target="_blank">Twine </a>as dicas de MPB em Sampa, para quem quiser curtir um turismo musical por aqui. Mas anotem desde já:</p>
<p>BARTITURA<br />
Rua Mourato Coelho, 460<br />
5a, 6a e sábado</p>
<p>E pra mostrar como samba dá gestão do conhecimento: o coordenador da programação é professor de filosofia e psicologia. Combinamos de fazer palestras pela <a title="Content Digital" href="http://www.contentdigital.com.br" target="_blank">Content Digital </a>sobre a tradição Sócrates-Spinoza-Kant que está na base do pensamento complexo que hoje se contrapõe ao mecanicismo cartesiano. Não é samba do crioulo doido não. É sambão da boa!</p>
<p>Vamos em frente nos próximos posts, sambando a inteligência coletiva!</p>
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