Gaza: sensemaking e inteligência coletiva
“Nenhum problema pode ser resolvido a partir do mesmo nível de consciência que o criou” – Albert Einstein
Para “unir os pontos” entre meus temas profissionais (especialmente a gestão do conhecimento e a inteligência em rede) e o meu cotidiano, preciso me referir a um tema que volta a ocupar boa parte de minha mente depois de anos de relativo distanciamento: a questão da paz entre israelenses e palestinos. E não posso deixar de usar as lentes que desenvolvi nesses 7 anos (um ciclo, segundo a antroposofia). É como se eu estivesse voltando ao ponto de partida, mas com alguns outros olhares.
O instrumental teórico da Gestão do Conhecimento deixa marcas indeléveis. Vamos falar de sensemaking.
“Sensemaking” = construção do sentido. Acho esse conceito indispensável para entender o que a historiadora Barbara Tuchman chamou de marcha da insensatez (em livro com o mesmo nome), ou seja, a marcha para o precipício a que tantos líderes na história conduziram os seus povos (há casos discutidos também no mundo animal, como o suicídio coletivo dos lemingues).
O conceito de “sensemaking” vem ganhando espaço desde que o professor Choo, da Universidade de Toronto, produziu o livro que considero o mais importante na área nos últimos 10 anos: “The Knowing Organization (no Brasil editado pelo Senac). Choo faz a crítica de abordagens mais tradicionais da gestão do conhecimento que são centradas nas preocupações com o compartilhamento genérico do conhecimento. Preocupando-se com a inteligência organizacional e não com o compartilhamento como fim em si, ele propõe enxergar o ciclo do conhecimento em três etapas: o sensemaking, a criação de conhecimento, e a tomada de decisão.
A primeira é o momento de elaboração coletiva do sentido (sensemaking), em que olhares plurais se juntam para extrair sentido de informações que para alguns, individualmente, não querem dizer muita coisa, mas que em conjunto contribuem para a montagem de um quebra-cabeças de onde emergem significados. Para Choo, são inócuas as iniciativas de gestão do conhecimento que não considerem primeiramente a criação do significado.
Pois bem . Vamos a Gaza, passando por uma parábola contada por Peter Senge em “A Quinta Disciplina”: se jogarmos um sapo na panela de água fervente, ele se estica e pula imediatamente. Seu sistema nervoso é preparado para isso. Mas se o pusermos na água e começarmos com um foguinho lento, ele vai relaxando devagarinho, e vai ficando… até terminar cozido.
A mídia exerce seu papel de nos chamar a atenção para a água escaldante. . Mas poucos se dão conta da água esquentando devagarinho, quando mais uma família israelense se instala num assentamento na Cisjordânia e mais uma classe de alunos nas escolas do Hamas recebe cartilhas ensinando a Jihad. A água vai esquentando e de repente, bum! O mundo acorda com o som dos bombardeios.
Israel precisa defender dos foguetes o 1 milhão de israelenses que estão no raio de seu alcance, mas bombardear Gaza é como enxugar gelo. No jogo do sapo, morrem palestinos, morrem israelenses, e a força moral da sociedade israelense se corrompe e se destrói ao violar direitos humanos, como havia sido profetizado por sábios como Yeshayahu Leibowitz ainda em 1967.
Essa história tem um link com minha guinada profissional. Comecei na Web quando, em 2000, fui ativo participante de grupos que militaram pela paz justa entre israelenses e palestinos. Usei num artigo a metáfora da teoria do cáos, da borboleta que bate asas… Não fosse o aprendizado com os primeiros e-groups que criei naquela época, eu não estaria hoje fazendo projetos de portais 2.0 com comunidades de prática e redes sociais. Foi no calor das batalhas virtuais e campais do movimento pacifista que eu tive as primeiras lições sobre as possibilidades e armadilhas dessa mídia (e também aprendi na carne o quanto as novas mídias requerem novas habilidades para o diálogo, que muitas vezes sucumbe mesmo entre pacifistas, que nem sempre primam pela humildade e serenidade verbal).
A pressão profissional fez que eu me distanciasse. Bem, estou voltando…
A roda viva do tempo deu uma volta, e estamos na Web 2.0. Agora habemus blogs, o que facilita bastante as coisas. Não mais longas reuniões para aprovar uma ação: podemos fazer isso no Ning, e cada um pode escrever o que pensa em seu blog, e os demais podem ir linkando através de blogrolls e trackbacks. Nesses 8 anos as redes sociais já cutucaram a OMC em Seattle, derrubaram um governo filipino, e permitem que nós brasileiros, campeões do Orkut, possamos vir a desempenhar um papel na paz global, fazendo a ponte entre israelenses e palestinos através do samba e do futebol, sem esperar pelas lideranças oficiais das comunidades étnicas, que têm rabo preso na lealdade a velhos dogmas e crenças paralisantes.
Ao ver de novo o filme das atitudes maniqueístas dos partidários de um e outro lado, penso sempre no sapo…

Acredito que o Hamas cresce porque os palestinos cercados num gueto tendem a se deixar seduzir pelas vertentes mais reacionárias de um islamismo que, apesar do que parece (de novo a mídia), tem suas vertentes modernas e democráticas. A derrota dos extremistas só poderá se dar com o fim da ocupação e a criação de um Estado Palestino democrático, que só será possível se Israel for forçado de fora para estancar os assentamentos. De fora para dentro, porque na lógica da democracia israelense a minoria judaica fundamentalista sempre terá poder desproporcional a seu tamanho (assim se explicam as marchas da insensatez em que maiorias ficam reféns de minorias). De fora para dentro pois, segundo Einstein, “Nenhum problema pode ser resolvido a partir do mesmo nível de consciência que o criou”.
Não é possível ser diferente? Veja e ouça estes músicos israelenses e palestinos.
Mais um pouquinho de gestão do conhecimento: cognição coletiva. A tragédia de palestinos e israelenses leva o leitor de jornal ou telespectador a questionar sobre como tudo isso veio a acontecer. A dificuldade em suportar o estado de perplexidade conduz a uma saída fácil: apontar um lado culpado. Faz parte da visão reducionista que prevalece na cultura ocidental. Ao julgar, depositamos a culpa em alguém, o que nos alivia bastante pois o mal está no outro e não em nós.
Mas ao pensar dessa forma esquecemos um antigo questionamento filosófico: quem veio antes, o ovo ou a galinha? Os que vão às ruas “em defesa de Israel” talvez saibam a resposta: foi o ovo. E os que protestam unilateralmente contra o massacre de palestinos talvez estejam seguros de que a galinha veio antes.
Sobre o enigma ovo-e-galinha de Gaza-Palestina-Oriente Médio, eu apenas sei que é um ciclo que começou há muito tempo e que continuará por muitos anos. E não sei, mas acredito, que seja possível construir opções de convivência e felicidade para os destinos desses dois povos.
Se tenho alguma crença forte, é a de que situações ovo-e-galinha que não apontam saída só podem ser superadas quando indivíduos (especialmente lideranças) se dêem conta do quanto as pequenas complacências do dia-a-dia com o pensamento grupal são atos que reforçam o impasse em vez de ajudar as saídas, que só existem a partir da coragem individual para superar a comodidade do maria-vai-com-as-outras . O Contardo Calligaris aponta isso nos comentários que fez sobre o filme “Um Homem Bom”. Não deixe de ver o filme e ler o artigo.
Vejam este blog de um palestino de Gaza e um israelense de Sderot. Inimigos?
Modelo mental: a aparente oposição entre israelenses e palestinos pode ser vista de outra forma. Há uma oposição que existe em ambos os lados, entre aqueles que acreditam e lutam por uma solução de paz e dignidade, e aqueles que só acreditam e lutam por soluções de força. Entre aqueles que pensam numa escala de tempo mais longa no passado e no futuro, e os outros cuja perspectiva temporal é mais curta.
Estes últimos fariam bem em ter em mente os dois mapas abaixo, nos quais as posições de Davi e Golias se invertem. Não medi, mas me parece que Gaza está para Israel assim como Israel está para o Oriente Médio inclusive o Irã.
Quem é Davi e quem é Golias?

Então veja agora este mapa. Quem é Davi e quem é Golias agora?

Agora vamos ver na perspectiva temporal.
O ovo ou a galinha? Se olharmos para o início do bombardeio, a culpa é dos israelenses. Sataniza-se Israel, como fez o comunicado oficial do PT de Valter Pomar e Ricardo Berzoini equiparando Israel e nazismo (foram contestados por 36 intelectuais do PT, mas o estrago já foi feito, embora vamos convir que é o menor dos estragos nesta história de horror). Mas se olharmos para os mísseis Qassam disparados contra Sderot, foram os palestinos que começaram. Sim, mas e o bloqueio econômico? Ah, então foram os israelenses. Ah, mas peraí, e o cerco a Israel na guerra dos 6 dias? E assim vamos retrocedendo no tempo até o massacre cometido contra judeus em Hebron em 1927, por uma turba de palestinos liderada pelo mufti de Jerusalem que anos depois desfilou em parada em Berlim ao lado de quem? Hitler. Ou retrocedemos mais ainda até Sansão e Dalila (foi em Gaza…).
Diante desse relativismo de perspectiva temporal, o posicionamento através da culpabilização de qualquer um dos lados e de palavras de ordem simplistas é um desserviço à cidadania global. Mas vamos reconhecer que faz parte de nosso modelo mental o paradigma da culpa e castigo, associado ao moralismo ocidental e à idéia implícita de que há alguém no topo de alguma hierarquia (seja a ONU, seja Deus) que de alguma forma fará justiça. Ou seja, culpabilização tem algo a ver com o pensamento hierárquico: ao culpabilizar estamos invocando inconscientemente um poder maior que aplique a punição. Daí a apoiar o oportunismo-populismo de Hugo Chavez é um passo…
Um amigo, Leandro Cianconi, estudioso de Governo 2.0, também lança luz sobre esse conflito do ponto de vista da superioridade das organizações em rede. Vale a pena ler.
Isso tudo já é bastante complicado, e estamos olhando somente pelo espelho retrovisor. Vamos então olhar “de volta ao futuro”.
França e Alemanha se reconciliaram depois de séculos de conflitos. Idem católicos e protestantes na Irlanda do Norte.
A grande parcela de palestinos e israelenses que deu base social para as negociações de TABA e a Iniciativa de Genebra precisam de um empurrãozinho de fora para dentro.
Faço a seguinte reflexão, que espero modestamente que chegue ao ministro Celso Amorim e a lideranças de nossas empresas e de nossa sociedade civil.
- A guerra de comunicação entre os dois lados é desperdício de energia.
- há um futuro pela frente. O que cada uma das partes pode oferecer como presente para seus filhos e netos?
- é preciso desviar a atenção que a mídia atrai para a destruição, e focalizar as possibilidades da reconstrução.
- O Brasil tem um papel nisso, por ser uma marca querida tanto por palestinos quanto israelenses. Não só pela tradição de harmonia (que afinal não é tudo isso, que o digam os nossos afrobrasileiros, que têm alguns séculos de escravatura a nos lembrar), mas pela imagética ligada à alegria, como a música, o futebol etc.
- As empresas brasileiras certamente terão interesse também num projeto de reconstrução. Pensando com a frieza de investidores de mercado, a Palestina é um ativo barato para se conquistar os mercados do Oriente Médio, e não deverão faltar recursos para montar uma Casa do Brasil em Gaza, e outras em Tel Aviv, Ramallah, Jerusalém, Belém etc.
- os experts brasileiros em Web 2.0 (que temos muitos) terão enorme satisfação em criar ambientes de redes sociais que tirem os palestinos do gueto no qual o fundamentalismo islâmico é a influência dominante. Que os jovens palestinos e israelenses se conectem a nós em redes sociais de futebol, samba, de Doutores da Alegria, de Médicos sem Fronteiras, e de estudo da História em que convivam as narrativas israelense e palestina do conflito. Temos também pedagogos e psicólogos competentes para lidar com traumas de guerra.
O Brasil não estará sozinho nisso, mas pode estar na linha de frente da iniciativa, à qual se seguirá a França de Sarkozy, os Estados Unidos de Obama etc. Não precisamos esperar termos o nosso assento no Conselho de Segurança. No mundo deshierarquizado pela tecnologia, podemos construir o nosso assento de forma bottom-up, a partir de nossos empresários, jovens e profissionais liberais.
Espero que lideranças das comunidades brasileiras de judeus e palestinos saibam olhar além da fumaça, e passem a defender seus respectivos povos de forma construtiva e não mais defensiva. Vamos fazer coro a Daniel Barenboim e (z´l) Edward Said, pais da Sinfônica Jovem de israelenses e palestinos, e aos blogueiros de Gaza-Sderot, em vez de sermos auto-complacentes com o discurso da culpa do outro.
Vamos nós no Brasil unir os pontinhos e construir o significado dessas oportunidades, que nos abrem as portas para a aprendizagem societal em nível global.
Comecei com Einstein, e concluo com John Lennon:
You may say I´m a dreamer…
But I´m not the only one…
I hope some day you join us…
And the world will be as one…
(caso vc queira se manter bem informado com a visão do campo da paz de ambos os lados palestino e israelense, assine os boletins dos Amigos Brasileiros do Paz Agora), ).

1Ricardo Saldanha
wrote on 19 janeiro 2009 at 21:53
Sérgio, bela costura – hiperlink é isso aí, o resto é o resto…
Quero ler esse livro do Choo (nunca me arrependi de uma dica bibliográfica tua!). E, quem sabe, trazê-lo para o evento de encerramento do Prêmio Intranet Portal este ano (vou falar com o Baroni a respeito).
Me chamou atenção também a tua retrospectiva, em busca da origem dos conflitos… o que se vê é o “olho por olho, dente por dente” prevalecendo, gerando a uma espiral infinita, lamentavelmente…
Mas me chama atenção também a desproporcionalidade da força empregada por Israel – mil mortos do lado palestino contra TREZE do lado israelense? Essa métrica fala alto, não?
[]s,
Saldanha
2Lourdes Alves
wrote on 21 janeiro 2009 at 15:11
Prezado Sergio Storch,
Parabéns pela iniciativa de diálogo e que coloca a questão da guerra no oriente médio, que aponta caminhos de análise e possibilidades de resolução. Parabéns também pela generosidade com que compartilha suas fontes e referências.
Muito legal, o texto muito agradável e no tamanho do meu tempo de leitura diário.
Obrigada por compartilhar.
Um forte abraço.
3Leandro Cianconi
wrote on 23 janeiro 2009 at 9:51
Olá Sérgio,
Legal conhecer a origem do seu envolvimento com as fronteiras da gestão do conhecimento.
Uma das perguntas mais importantes nesta história toda é parcialmente respondida por você aqui, e acho que valeria a pena explorarmos melhor isso. Afinal, como estabelecer a paz naquela região? Um ponto importante seria trabalhar as tais desigualdades culturais (os extremismos)? Sem querer fazer um paralelo, muitos apostam que a violência nos centros urbanos, como no Rio e em SP se dá justamente pelo encontro de classes em condições de grande desigualdade, sob todos os aspectos, social, cultural, econômico etc. Eu concordo. E as melhores ações vem justamente do equilíbrio destas relações. Considerando que a paz seja possível, o que é fundamental que acreditemos, quais os mecanismos para equilibrar as relações entre estes dois povos?
Um abraço, Leandro Cianconi.
4Sérgio Storch
wrote on 23 janeiro 2009 at 16:44
Oi Leandro
Meus filhos seguem uma religião amazônica, na qual há as figuras de mestres e de conselheiros. Aos conselheiros cabe o seguinte papel: 1. apagar o fogo; 2. equilibrar; 3. aconselhar. Trazendo isso para o plano das organizações e sociedades, eu diria que estabelecer processos de escuta ativa (redes sociais) para que as pessoas se sintam reconhecidas (Ubuntu, a saudação zulu), e estabelecer um processo em que a justiça passe a imperar (fim da ocupação) podem resolver o ítem 1. Sobre os ítens 2 e 3, tem muito chão pela frente. Você acha que um habitante de Gaza contratado por um desenvolvedor brasileiro para fazer um web service iria considerar a opção de se tornar um homem bomba? Bém, aí não é do dia para a noite. Se houver apoio mundial correspondente a 0,0001% do investimento em armamentos, veremos a mudança dos povos palestino e israelense para uma cultura de paz, despolarizando o conflito mais amplo que nasceu com o processo de descolonizção. Dizia o fundador do sionismo político, Theodor Herzl: “se quiserdes, não será uma lenda”.
5Mario S Nusbaum
wrote on 25 janeiro 2009 at 20:41
Sergio,
Descobri este seu site no blog do Gustavo Chacra e resolvi conhece-lo. Dizem os jornalistas que um cachorro morder um homem não é notícia, já um homem morder um cachorro é. Por que estou dizendo isso? É porque este é mais um site, ou movimento, de um judeu em favor da paz. Conheço vários. O que NÃO conheço é um de palestinos. Infelizmente o ditado que diz quando um não quer dois não brigam é falso.
A propósito, geograficamente Israel está para Gaza assim como o Egito sozinho está para Israel. Não que faça muita diferença, mas dá uma idéia melhor da proporcionalidade do problema. Deixemos de lado a proporção entre as populações envolvidas, que seria uma análise melhor.
um abraço,
Mario Silvio
P.S. Estudei há muuuuiiiiito tempo com uma Ana Storch, é sua parente?
6Saulo Amui
wrote on 26 janeiro 2009 at 16:04
Conheci o Sérgio tem pouquíssimo tempo, mas já foi suficiente para admirar seu trabalho e sua dedicação a causas tão especiais e importantes.
Tenho certeza que todos poderão aproveitar um pouquinho da sua experiência e vivência nestas páginas, que poderão percorrer distâncias incalculáveis, tão longas quanto a própria capacidade do Sérgio em abraçar um mundo todo com o seu conhecimento e motivação.
(Saulo e Lara)
7Antonio Russo
wrote on 27 janeiro 2009 at 7:41
Sérgio,
Quero parabenizá-lo por este blog. Instigante e criativo como sua mente! Não poderia esperar outra coisa. As conexões que v. faz com a GC e samba e agora com o conflito de Gaza são exemplos dessa mente inquieta e inquisidora o tempo todo.
Abração
8Fernando Dantas
wrote on 27 janeiro 2009 at 10:18
Oi Sérgio,
Olha que coisa, cheguei até o seu blog lendo posts na SBGC.
Parafraseando um ditado antigo: “Esse mundo é muito pequeno”, quem diria, encontrar o endereço do seu blog numa comunidade, uma vez que já trabalhamos juntos.
Enfim, mudando os quês e porquês, o link feito por você sobre o conflito atual de GAZA, e a vertente onda da WEB 2.0, vontando a um passado não muito distante, faz-nos refletir sobre os impactos atuais e futuros que uma crise como essa venha a ter sobre nós, brasileiros. O fato é que, tal conflito vem de encontro com uma sociedade mundial ainda muito pobre espiritualmente (será que o umbral é aqui?), não sei.
Teu texto me fez pensar naqueles aqueles povos, que brigam a muitos anos, por um pedaço de terra (cadê o MST deles?). Acredito que nós, brasileiros temos em cada cidade (principalmente as grandes), uma “Faixa de Gaza”, o que muda é apenas o objetivo disfarçado.
Grande abraço,
Fernando
9Gabriel
wrote on 27 janeiro 2009 at 10:40
Excelente o texto! Gostei muita da maneira como você “linka” os assuntos e acontecimentos. de Einstein a Lennon! Achei que você resumiu perfeitamente os conceitos de gestão da informação que a minha empresa, a Calandra Soluções, utiliza. Vou aproveitar para deixar o link de nossa página caso alguém queira entender nossa metodologia
http://www.calandra.com.br/
abço!
10Daniel D'Amelio
wrote on 27 janeiro 2009 at 21:07
Olá, Sérgio. Reforço as palavras do Saldanha, bem-vindo à Blogosfera. Parabéns pela iniciativa. Gostei bastante deste post e já aproveitei e assinei o RSS. Abs. Daniel D’Amelio.
11Iuri Pereira Storch
wrote on 29 janeiro 2009 at 17:04
Sérgio,
Muito interessante o seu estilo de blog-escrita. Não sei por que, mas lembrei daquelas frases de sabedoria do povo: você é o que você come; você é o que você fala… neste caso, você é o que você escreve.
Em relação à retrospectiva que você fez, chegando até Sansão e Dalila, concordo plenamente que não devemos julgar nenhuma das partes, pois sempre poderíamos retroceder um pouco mais, e com isso mudar o culpado da história.
Aliás, não me sinto no direito de julgar nenhuma das partes enquanto eu ainda revidar, no meu dia-a-dia, qualquer atitude ofensiva de outra pessoa. Ou enquanto eu ainda gerar qualquer tipo de discórdia ou irritação através de palavras e ações provocativas. Pois, como disse Gandhi: seja você a transformação que quer ver no mundo (ou algo assim…).
Um abraço, e continue escrevendo!
Iuri
12Clara
wrote on 1 fevereiro 2009 at 10:31
Sérgio,
Você coloca as coisas de forma clara, precisa e leve. Li ontem uma entrevista com Avraham Burg (revista época 02/09)
e achei muito pertinente a colocação de que Israel tem que superar o trauma do holocausto e a mentalidade de gueto. Da mesma forma, como você coloca, os palestinos têm seus traumas a superar. Precisamos aí de uma “medicina social”, algo que permita a cicatrização das feridas abertas de ambas as partes. Acho ótima essa idéia de estimular a emergência do diálogo criando meios para que os pacifistas de ambas as partes se encontrem. As redes podem ser essa “medicina social”, pois podem criar um novo “centro atrator”, uma nova “schematta”, uma nova maneira de processar informações. Um movimento bottom-up emergindo dessa articulação das redes. Acho que pode funcionar, sim!
Atrevo-me a dizer que idéias e ações incríveis poderiam sair daí! Coisas que nem poderíamos imaginar hoje.
Continue blogando!
Abraço,
Clara Pelaez
13Sérgio Storch
wrote on 1 fevereiro 2009 at 11:02
Agradeço a todos os comentários generosos. Para um blogueiro em fase de começar a encontrar a sua identidade na blogosfera, esse encorajamento é fundamental, e marcará a vida do blog de forma indelével.
Com relação ao comentário da Clara, ele me encoraja a retomar um sonho do qual me afastei há 7 anos. Fui fundador do TABA – Coalizão Brasileira pela Paz entre Israel e Palestina. O ponto mais alto do TABA foi quando conseguimos, em 2002 ou 2003, modificar uma manifestação na Praça da Sé, convocada pelo Grito dos Excluídos com apoio do MST, e que era originalmente em homenagem às “crianças palestinas assassinadas…” (dizia Lênin: esquerdismo, doença infantil do comunismo). Articulamos a conversão desta manifestação para uma homenagem às “crianças palestinas e israelenses vítimas do conflito”. Tiramos o ranço maniqueísta característico de vozes como a da revista Caros Amigos, que hospeda, entre várias personalidades respeitáveis, algumas fomentadoras do ódio.
Tirei meu violino do armário, fui à Praça da Sé com companheiros que estávamos reunidos na Ação Educativa, distribuímos um documento e toquei no palanque músicas israelenses de paz. A manifestação terminou em danças palestinas e israelenses, na qual judeus e palestinos brasileiros se davam as mãos com alegria, protegidos pelo João Stédile do MST. Foi um trabalho de redes que envolveu até a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de SP.
Pois é, Clara: você me encoraja a sonhar com o TABA 2.0, no qual você é imprescindível. E acho que podemos conseguir a viabilização das Casas do Brasil em Gaza, Ramallah, Tel Aviv e Jerusalém. Vamos globalizar o Brasil levando o que temos de construção acumulada de cultura de paz, já posta à prova no Jardim Ângela, Diadema e São Carlos. Temos know how para exportar… Papo para termos com a Lia…
14Edgar Maluf
wrote on 2 fevereiro 2009 at 17:19
Fala Sérgio,
Parabéns pela iniciativa.
Nós sonhamos com a Paz entre Árabes e Judeus e sabemos que ela é difícil , mas não impossível. A palavra chave é desprendimento.
Um abraço, um beijo na Renate e na Débora.
Edgar Maluf
15Paula Carina de Araújo
wrote on 16 fevereiro 2009 at 3:05
Ouvi a história do sapo escaldado pela primeira vez nas aulas de gestão a informação e do conhecimento na minha graduação na UDESC. Meu professor (Mauro Sérgio Boppré) adorava fazer comparações com o sapo escaldado!
Interesso-me muito pelas áreas de gestão do conhecimento e inteligência competitiva. Com certeza visitarei seu blog mais vezes.
Parabéns!
16cristina
wrote on 26 fevereiro 2011 at 9:42
Olá adorei o blog pois procuro saber mais informações sobre ORİENTE MÉDİO já que estou vivendo aqui….
17Sérgio Storch
wrote on 4 março 2011 at 19:02
Oi Cristina, você está vivendo aqui… onde? Quer saber mais sobre a questão da paz? Pesquise no Paz Agora Brasil. http://www.pazagora.org/, e receba sua newsletter.