Quem fez esta pergunta?

quinta-feira, 27 agosto 2009, 10:01 | Category : Inteligência Coletiva
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Fiquei sabendo hoje, em artigo de Albert Fishlow, que 30% dos gastos anuais com o Medicare, nos EUA, ou perto de US$ 100 bi, atualmente ocorrem no último ano de vida dos beneficiários. ”

Vejaa variedade de coisas que podem acontecer com base nesta informação. Só para enumerar algumas:

  • um investimento maior na análise técnica, conforme a faixa etária e o quadro médico, para evitar tratamentos ineficazes;
  • o reforço na educação médica no sentido de evitar práticas ritualizadas de salvar o doente a qualquer custo, mesmo que nem a família queira;
  • a discussão pública de legislação que estabeleça critérios democraticamente validados;

Enfim, uma informação que, se disseminada, pode levar à produção de mais conhecimento e, principalmente, de mais bem estar social.

Bem aberto a polêmicas, ótimo, mas não é disso que quero falar aqui.

Meu ponto é o seguinte: esse dado te surpreende? Para mim foi uma surpresa, a tal ponto que estou aqui escrevendo, na frente de outro post sobre o filme que assisti ontem, ” A Onda” (fica para o fim de semana).

Se te surpreende, me acompanhe nessa pergunta: quem foi que fez a pergunta “Quanto se gasta no Medicare por ano contado retroativamente a partir da desencarnação do bicho?. Perguntar por faixa etária é fácil, mas quem sacou que podia ter coelho nessa toca?

Não é genial? Ovo de Colombo? Não é uma pergunta que pode mudar  paradigmas da medicina?

Pois é: quando as práticas tradicionais de gestão do conhecimento nas empresas enfatizam coisas como o mapeamento do conhecimento, lições aprendidas, boas práticas, e outros que tais que eu pessoalmente gosto muito de fazer também, será que não estamos deixando de lado o mais importante? A imaginação… a pergunta… a curiosidade… a paixão…

Volto a sugerir a leitura dos conselhos de Rilke a um jovem poeta…

Bom fim de semana!

One Comment for “Quem fez esta pergunta?”

  1. 1Gerivaldo

    Sérgio,
    vou agradecer penhoradamente ao Sami por ter nos apresentado.
    Sobre este post, lembro que certa vez escrevi no meu blog uma crônica (Sócrates e a pepsi-cola) sobre aquele comercial da pepsi em que um rapaz termina conquistando uma moça depois de lhe provocar com uma série de ‘por quês?’
    Sua provocação, no entanto, é muito mais profunda, pois se trata da pergunta que vai desencadear uma série de outras perguntas e constatações que só agora se tornam óbvias.
    Nossa estupidez é algo assustador!

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