Quem fez esta pergunta?
Fiquei sabendo hoje, em artigo de Albert Fishlow, que 30% dos gastos anuais com o Medicare, nos EUA, ou perto de US$ 100 bi, atualmente ocorrem no último ano de vida dos beneficiários. ”
Vejaa variedade de coisas que podem acontecer com base nesta informação. Só para enumerar algumas:
- um investimento maior na análise técnica, conforme a faixa etária e o quadro médico, para evitar tratamentos ineficazes;
- o reforço na educação médica no sentido de evitar práticas ritualizadas de salvar o doente a qualquer custo, mesmo que nem a família queira;
- a discussão pública de legislação que estabeleça critérios democraticamente validados;
Enfim, uma informação que, se disseminada, pode levar à produção de mais conhecimento e, principalmente, de mais bem estar social.
Bem aberto a polêmicas, ótimo, mas não é disso que quero falar aqui.
Meu ponto é o seguinte: esse dado te surpreende? Para mim foi uma surpresa, a tal ponto que estou aqui escrevendo, na frente de outro post sobre o filme que assisti ontem, ” A Onda” (fica para o fim de semana).
Se te surpreende, me acompanhe nessa pergunta: quem foi que fez a pergunta “Quanto se gasta no Medicare por ano contado retroativamente a partir da desencarnação do bicho?. Perguntar por faixa etária é fácil, mas quem sacou que podia ter coelho nessa toca?
Não é genial? Ovo de Colombo? Não é uma pergunta que pode mudar paradigmas da medicina?
Pois é: quando as práticas tradicionais de gestão do conhecimento nas empresas enfatizam coisas como o mapeamento do conhecimento, lições aprendidas, boas práticas, e outros que tais que eu pessoalmente gosto muito de fazer também, será que não estamos deixando de lado o mais importante? A imaginação… a pergunta… a curiosidade… a paixão…
Volto a sugerir a leitura dos conselhos de Rilke a um jovem poeta…
Bom fim de semana!

1Gerivaldo
wrote on 28 agosto 2009 at 10:59
Sérgio,
vou agradecer penhoradamente ao Sami por ter nos apresentado.
Sobre este post, lembro que certa vez escrevi no meu blog uma crônica (Sócrates e a pepsi-cola) sobre aquele comercial da pepsi em que um rapaz termina conquistando uma moça depois de lhe provocar com uma série de ‘por quês?’
Sua provocação, no entanto, é muito mais profunda, pois se trata da pergunta que vai desencadear uma série de outras perguntas e constatações que só agora se tornam óbvias.
Nossa estupidez é algo assustador!