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	<title>Vou vivendo... &#187; Oriente Médio</title>
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		<title>A oportunidade à nossa frente: adotar Israel e Palestina</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jun 2011 21:40:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Inteligência societal]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>

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		<description><![CDATA[Andei estudando. Retomo minha proposta de desenvolvimento de uma diplomacia brasileira para a questão Israel-Palestina, baseada na noção de sociedade em rede. É uma diplomacia não restrita ao que convencionalmente se entende por esse termo (a relação oficial entre governos). Neste post, o penúltimo  da minissérie, darei um breve panorama do processo de resolução do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Andei estudando. Retomo minha proposta de desenvolvimento de uma diplomacia brasileira para a questão Israel-Palestina, baseada na noção de sociedade em rede. É uma diplomacia não restrita ao que convencionalmente se entende por esse termo (a relação oficial entre governos).</p>
<p>Neste post, o penúltimo  da minissérie, darei um breve panorama do processo de resolução do conflito (nada é eterno!), tratarei dos contornos gerais da proposta de diplomacia em rede e direi como vejo essa oportunidade para o Brasil e por que entendo que é &#8220;para o nosso bico&#8221;. No próximo e último post, &#8220;Garrafas ao Mar&#8221;, apresentarei ideias que podem compor essa diplomacia da sociedade em rede e nos posicionar como parceiros de israelenses e palestinos na nova etapa de suas histórias.</p>
<p>Mas antes de entrar na diplomacia: há uma dissonância, não? <strong>Como assim, adotar Israel e  Palestina? Não são inimigos? </strong>Não, amigo, pode faltar pouco para que isso seja coisa do passado. Veja este <a href="http://www.geneva-accord.org/">site de duas ONGs, uma israelense e outra palestina.</a> Pode haver um revertério, mas o presidente Obama não desejará ter tal fiasco ao enfrentar as urnas em 2012. E o tempo corre.</p>
<p>Agora a diplomacia da sociedade em rede. Este é o momento em que tudo é possível, desde a paz definitiva até a explosão de uma terceira intifada e um banho de sangue, que atores como o Irã podem estar torcendo para acontecer&#8230;</p>
<p>Depende da somatória de pequenos movimentos, um pra lá, dois pra cá&#8230; um passinho da oposição israelense, um passinho da França, um passinho de uma ONG norteamericana, um gesto&#8230;</p>
<p>Podemos entrar nesse ballet, e aí vem a proposta. É uma diplomacia <strong>não entre os governos </strong>(embora possa inclui-los), e sim entre pessoas, pessoas em rede, nas sociedades brasileira, israelense e palestina. E por que não em outras  engajadas no mesmo propósito? Talvez, sem perceber, você já a esteja fazendo: para começar é só  convidar um amigo para <a href="http://www.justvision.org/home?quicktabs_1=1">assistir em casa um filme, por exemplo, &#8220;Budrus&#8221;. </a>Repare a  rede: essa ONG, <a href="http://www.justvision.org/">Just Vision</a>, formada por israelenses e uma brasileira,  fez o filme. Assisti e vi no site que há uma estratégia (e até um manual) para sua  utilização. Comprei a ideia, pus no meu Facebook, pus neste post. Você  leu, comprou o filme, e contaminou mais um amigo com uma nova  compreensão da dinâmica desse conflito e da humanidade de seus  personagens. Agora vamos multiplicar isso, e haverá a emergência de  novos tipos de ações, e palestras, e exibições em escolas, e divulgação  na rede de funcionários da multinacional XYZ, de repente o Roberto Carlos que vai pra lá em agosto, e gente se conhecendo, e  negócios surgindo&#8230; esta é a diplomacia em rede.</p>
<p>E por que<strong> da sociedade </strong>em rede?  Porque em dados momentos esse processo deixa de ser apenas entre  indivíduos e passa a envolver instituições: ao ler o jornal (uma  instituição)  as pessoas já terão outros filtros; a diretoria de uma  instituição pode ser pressionada para assumir outras posições; uma empresa multinacional pode integrar esse debate em seu programa de responsabilidade social, já que tem colaboradores em Israel e em países árabes. Na hora de uma enquete ou de uma eleição, maiorias  viram minorias, e minorias viram maiorias.</p>
<p>Ou seja, podemos ter uma diplomacia construída por uma  <strong>pluralidade de atores individuais e coletivos da sociedade brasileira,  em conexão com atores individuais e coletivos das sociedades israelense e  palestina. </strong>A força de tal diplomacia pode agregar força à  diplomacia feita institucionalmente, nos momentos em  que elas se articulem.  Não estou inventando, e sim aplicando conceitos que hoje borbulham na chamada <a href="http://escoladeredes.ning.com/video/o-poder-dos-seis-graus-1">ciência das redes </a>e nas novas teorias organizacionais (Clay Shirky, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=sPQViNNOAkw&amp;feature=related"><strong>“Institutions and Collaboration”</strong></a>,  2005).</p>
<h2>Por que isso é uma oportunidade para o Brasil?</h2>
<p>O motivador da proposta é a minha percepção de uma janela de oportunidade para nós, brasileiros, termos um protagonismo diferenciado, compreendendo nossas empresas, governos e Terceiro Setor. Ela se dá no contexto de 3 a 18 meses, neste momento <strong>do processo de pacificação entre Israel e Palestina </strong>que, embora esteja muito próximo de um final feliz, empaca em <strong>impasses e riscos que requerem pressões externas</strong>. Várias <a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/05/personalidades-israelenses-exortam-europa-a-reconhecer-estado-palestino.html"><strong>lideranças da sociedade israelense  têm feito manifestações </strong></a>apelando para a pressão internacional , uma vez que o governo Netanyahu tem se mostrado inapto para finalizar as negociações que levarão à criação do Estado Palestino. <strong>A sociedade israelense está cindida. </strong>O governo nacionalista vem procrastinando as negociações para o estabelecimento do Estado Palestino, e os palestinos provavelmente recorrerão à Assembléia Geral da ONU, em setembro. Mas 48% da população da população israelense apóia a criação do Estado Palestino antes de setembro. Em abril uma frente de lideranças políticas e intelectuais, incluindo militares de alta patente, lançou, à revelia do governo, a <a href="http://israelipeaceinitiative.com/israeli-peace-initiative-english/the-israeli-peace-initiative-english/">Iniciativa israelense de Paz </a>, ecoando a Iniciativa Árabe de Paz lançada em 2002 e reafirmada em 2007 (o plano saudita).</p>
<p>O fator que vem retardando o desenlace pacífico dessa história de 63 anos de conflitos é a inflexibilidade do governo Netanyahu em relação à suspensão da construção de moradias nos territórios ocupados. Seu comportamento é ostensivo: na véspera da visita do presidente Shimon Peres à Casa Branca, o<a href="http://www.nytimes.com/2011/04/05/world/middleeast/05mideast.html"> governo anunciou novo lote de construções </a>, e exatamente em Jerusalém Oriental, um dos pontos mais nevrálgicos nas negociações.</p>
<h2>Mas por que nós?</h2>
<p>Mas por que nós, brasileiros, que temos tantos problemas domésticos mal resolvidos, podemos achar que temos algo a contribuir naquele lugar tão complicado? Minha resposta a esta pergunta freqüente e fundamental começa por propor um olhar positivo para a questão Israel-Palestina, em vez de encará-la como um grande imbróglio insolúvel.</p>
<h2>As oportunidades para o Brasil</h2>
<p>Naquela terrinha do tamanho de Sergipe há um espaço de oportunidades a serem cultivadas para gerar benefícios por muitos anos, para nós e para israelenses e palestinos.</p>
<ol>
<li><strong>Israel</strong>,      esse pequeno país de 7 milhões de habitantes, com algumas das melhores      universidades, hospitais e laboratórios de pesquisa do mundo, nos      interessa. Como sugerem os depoimentos no livro “Nação Empreendedora”  (&#8220;Startup Nation &#8211; The Story of Israel´s Economic Miracle&#8221;, de 2009),      Israel é o lugar onde toda empresa inovadora deve ter um pé. Mais: por ser      pequeno, Israel é também um país aberto ao comércio exterior, e suas      empresas têm o DNA da extroversão para todas as formas de parcerias com      empresas de fora.</li>
<li>A <strong> Palestina</strong>, embora pequena e pobre, também nos interessa, por outros      motivos: os palestinos adquiriram, pela própria tragédia, um glamour único nos mundos árabe e      islâmico , e com isso eles têm o potencial      de serem uma ponte para todo esse mercado de 1 bilhão de habitantes. Os      palestinos se destacam como o povo mais intelectualizado e mais moderno do mundo árabe (talvez até mesmo como fruto da convivência de 100 anos com um povo europeizado). A      diáspora de 7 milhões de palestinos está presente em todos os países      árabes, e nela estão os engenheiros, cientistas e médicos mais valorizados.      Temos aqui um capital humano de 50.000 palestinos, que têm vasos comunicantes com      os que vivem hoje no que será o Estado Palestino. Os empreendedores dessa      sociedade de 3,8 milhões que lá vivem estarão ávidos por parcerias que      tragam conhecimento e gestão para acelerar o amadurecimento de suas      empresas.</li>
<li>As <strong>instituições      do novo Estado Palestino </strong>são um mercado para todas as inovações que temos      feito em nossos governos: Programa Saúde da Família, governo eletrônico,      voto eletrônico, logística de transportes, Declaração de Imposto de Renda, Bolsa Família      etc. Haverá financiamentos mundiais para a construção do novo Estado, cujo caráter democrático é estrategicamente importante para o Ocidente. Esse tratamento preferencial a ser dado ao Estado Palestino propiciará oportunidades de cooperação em que somos bons candidatos para      transmitir e aprender com experiências do lado de lá. E pense: quais são os benchmarks de governo em que eles querem se basear? os sírios? talvez os turcos. Certamente não os americanos. Mas por que não os brasileiros?</li>
<li>As<strong> necessidades de infraestrutura </strong>serão significativas. Vale como exemplo o      projeto do <a href="http://www.globes.co.il/serveen/globes/docview.asp?did=908739">corredor que ligará a faixa de Gaza à Cisjordânia </a>e integrará todas      as suas principais cidades, com investimento estimado pela Rand      Corporation em US$ 33 bilhões em 10 anos. Outras ainda maiores estão no gerenciamento dos recursos hídricos, no sistema educacional etc.</li>
</ol>
<p>Enfim: há um surto de desenvolvimento econômico pela frente. Mas veja o que diz  a <strong>Iniciativa Israelense de Paz </strong>(31/3/11), nos seus Princípios de Desenvolvimento Econômico:</p>
<blockquote><p><em>“Com base em apoio economico significativo provido pela comunidade internacional, as partes implementarão projetos de cooperação regional em larga escala, para assegurar a estabilização, a viabilidade e a prosperidade da região, e paraobter utilização otimizada dos recursos de <strong>energia </strong>e de <strong>água </strong>para o benefício de todas as partes.  Esses projetos melhorarão a infraestrutura de <strong>transportes</strong>, a <strong>agricultura</strong>, a <strong>indústria </strong>e o <strong>turismo regional, </strong>respondendo assim ao perigo crescente de desemprego na região. No futuro, as partes criarão o <strong>Bloco para o Desenvolvimento Econômico do Oriente Médio </strong>(convidando a participação de todos os países do Oriente Médio), com vista a conquistar um status especial junto à União Europeia, aos Estados Unidos e à comunidade internacional”.</em></p></blockquote>
<h2>Mas é para o nosso bico?</h2>
<p>Sem dúvida alguma. Mesmo que os brasileiros enquanto sociedade não tenhamos ainda assimilado a plena compreensão do que já somos, os dados que já existem em <a href="http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI206966-16642,00-A+NOVA+MULTINACIONAL+BRASILEIRA.html">estudos sobre as multinacionais brasileiras </a>são eloqüentes sobre “o nosso bico”.</p>
<p>Além das óbvias Gerdau, Odebrecht, Natura, Petrobras e Vale, há dezenas de outras que vêm se globalizando através de fusões e aquisições, e que hoje operam mundialmente.</p>
<p>Já que falei de infraestrutura trago um exemplo pertinente que conheço de perto: a Logos Engenharia, comprada e associada à holandesa Arcadis, tem hoje 200 funcionários na construção do porto de Omã. A Logos/|Arcadis não poderá ter 10 vezes mais em soluções de engenharia e logística para a Palestina?</p>
<p>E um exemplo em indústria de bens de consumo: uma empresa como a Natura, afiada na gestão de um exército de 1 milhão de revendedoras, tem o tipo de atividade ideal para gerar empregos femininos para mulheres ainda presas ao lar, como deve ser grande parte das mulheres palestinas.</p>
<p>Empresas como essas que citei, ao lado de muitas outras, são “o nosso bico”, além do espaço enorme para pequenas e medias empresas a serem formadas para produzir na Palestina e exportar e importar tirando proveito da forte presença que temos da língua árabe no Brasil, e também para agregar valor às inovações israelenses com brasileiros que falam hebraico.</p>
<p>O Brasil já tem presença forte e concentrada em regiões como os países africanos de língua portuguesa, mas o potencial que existe para nós no Oriente Médio em círculos concêntricos em torno de Israel-Palestina merece ser bem avaliado, porque talvez seja o de melhores oportunidades.</p>
<h2>E então,  o que fazer?</h2>
<p>Podemos atuar para mudar, pouco a pouco, as opiniões nas comunidades envolvidas que estão ao nosso lado, que têm conexões lá no teatro do conflito. No próximo post direi o que penso de algumas estratégias que podem atrair o interesse de empresas, governos e do Terceiro Setor, e nas quais possamos praticar a nossa diplomacia em rede, eu e você.</p>
<p>Mas o primeiro passo é compreender o momento.</p>
<h2>Revisitando uma década de violência</h2>
<p>No ano 2000 o conflito Israel-Palestina poderia ter se encerrado, e esses 11 anos  de violências e sofrimentos teriam sido uma década de paz e prosperidade. O que aconteceu? Foi o último ano do governo Clinton. O líder palestino Yasser Arafat não pôde, ou não quis, aceitar as condições oferecidas por Israel sob a égide dos Estados Unidos em Camp David. E ao final do ano não havia mais tempo, pois foram eleitos Bush nos Estados Unidos e Sharon em Israel. Você que acompanha a mídia sabe o que aconteceu: homens-bomba, invasão de Gaza, caça aos terroristas fazendo vítimas civis, e aos pouquinhos um processo lento de <strong>deslegitimação da existência de Israel. </strong>Nos Estados Unidos, o governo Bush. Acho que a metáfora do sapo na fervura, no meu post <a href="../../gaza-sensemaking-e-inteligencia-coletiva/">&#8220;Gaza, sensemaking e inteligência coletiva&#8221;</a>, de 2009&#8243;, retrata bem a situação.</p>
<p>Em 2011 estamos num outro momento, com oportunidade semelhante, mas com algumas diferenças essenciais:</p>
<ul>
<li><strong>há      mais tempo no calendário eleitoral norteamericano. </strong>Clinton promoveu Camp David às vésperas das eleições que perdeu para Bush. Obama está adiantado em 1 ano. Por outro lado, Israel estava com o partido trabalhista, e agora está com a direita nacionalista, que não hesita em chantagear Obama com o voto de 2012. Obama tem na mão a oportunidade mais favorável de encerrar o conflito, mas não pode perder votos à direita. Há cartas na manga: a França entra em cena, com o plano de Genebra requentado mais uma vez. <strong>E por que não o Brasil também?</strong></li>
<li>pela      primeira vez em 100 anos de convivência entre Israel e os árabes, há a      disposição dos países árabes em reconhecer Israel, formulada na Iniciativa      Árabe de Paz (o plano saudita, apresentado em 2002 e novamente em 2007).</li>
<li>há as incertezas das revoluções da Primavera Árabe. Curioso: Netanyahu as viu como ameaças, mas a outra metade da sociedade israelense a viu de forma positiva.</li>
<li>a frente      formada em 2001 entre os líderes israelenses e palestinos que negociaram o      que veio a ser chamado <a href="http://www.geneva-accord.org/images/file/Moratinos%20document.pdf">Acordo de Taba</a>, em torno das questões mais      sensíveis do conflito: fronteiras, refugiados, Jerusalém. Essa frente      construiu a <a href="http://www.geneva-accord.org/mainmenu/summary">Iniciativa de Genebra</a>, que consolidou esses acordos em 2003, e      que continua unida. Os acordos têm hoje o <a href="http://www.geneva-accord.org/mainmenu/palestinian-public-opinion-survey-comissioned-by-the-geneva-initiative">apoio de 56% da população palestina</a>, e de  <a href="(http://www.geneva-accord.org/mainmenu/israeli-polls/">54% da      população israelense</a>.      Para apoio a partes do pacote de Genebra, os apoios têm percentuais ainda maiores.</li>
<li>A década      passada teve a ascensão do Hamas, facção radical que não se dispõe a      reconhecer Israel. O Hamas venceu eleições e passou a governar a faixa de      Gaza. A popularidade do Hamas está em declínio.</li>
<li>A resistência      palestina contra o ocupante israelense (mas com apoio de setores israelenses anti-ocupação) vem ensaiando e tendo sucesso com a      estratégia de resistência não-violenta (<a href="http://video.nytimes.com/video/2010/07/30/opinion/1247468533917/waiting-for-gandhi.html">&#8220;Waiting for Gandhi&#8221;</a> &#8211; Nicholas Kristof no New York Times, 10 july 2010). Ainda nesta semana tivemos a notícia de uma vitória da aldeia de Bil´in que forçou o Exército israelense a mudar de planos. O filme Budrus é eloquente sobre isso.</li>
<li>setores da sociedade      israelense têm apoiado essas formas de resistência, dessa forma facilitando aproximações pontuais      entre israelenses e palestinos. A cinematografia israelense é abundante em produções que ilustram isso (&#8220;Lemon Tree&#8221;, &#8220;Valsando com Bashir&#8221;, &#8220;Promessas de um novo mundo&#8221;, o já citado &#8220;Budrus&#8221; e muitos outros).</li>
</ul>
<p>Não é mais correto considerar que ser pró-palestino é ser anti-israelense, ou vice versa. Aliás, criou-se um <a href="http://www.jstreet.org/">forte lobby judaico nos Estados Unidos, que destaca a ruptura dessa ideia superada: é pró-israelense, pró-palestino. </a>E esse lobby é assumidamente sionista, em eco com grande parcela da sociedade israelense.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Bem, vamos falar de coisas práticas no próximo post.</p>
<h2>Leia os posts anteriores desta minissérie:</h2>
<ol>
<li><a title="Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede" href="../../empreendedorismo-para-nosso-capital-intelectual-e-o-oriente-medio-0/" target="_blank">&#8220;Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede&#8221;.</a><em> </em></li>
<li><a title="Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades" href="../../empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-2/" target="_blank">“Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades”</a></li>
<li><a title="Um diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender" href="../../empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-3/" target="_blank">“Diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender”</a>.</li>
<li><a href="http://sergiostorch.com/empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-4/">&#8220;Empreendedorismo e sua ancestralidade&#8221;</a></li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Empreendedorismo &#8230; capital intelectual&#8230; Oriente Médio &#8211; 4</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Feb 2011 21:48:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conversações]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência Coletiva]]></category>
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		<description><![CDATA[.. Leia os demais posts desta minissérie: &#8220;Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede&#8221;. &#8220;É um mercado sedento de serviços de alto valor agregado. Nós falamos árabe, nós falamos hebraico. Nós temos o melhor voto eletrônico. Nós ensinamos pipoqueiros a fazerem fluxo de caixa. Nós temos engenharia. Temos também e-business. Nós somos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>..</h3>
<h3>Leia os demais posts desta minissérie:</h3>
<ol>
<li><strong><a title="Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede" href="../../empreendedorismo-para-nosso-capital-intelectual-e-o-oriente-medio-0/" target="_blank">&#8220;Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede&#8221;.</a></strong><em><strong> </strong>&#8220;É um mercado sedento de serviços de alto valor agregado. <strong>Nós </strong>falamos árabe, <strong>nós </strong>falamos hebraico. <strong>Nós</strong> temos o melhor voto eletrônico. <strong>Nós </strong>ensinamos pipoqueiros a fazerem fluxo de caixa. <strong>Nós </strong>temos engenharia. Temos também e-business. <strong>Nós </strong>somos insuspeitos para vendermos paz e democracia, enquanto os outros vendem armas.</em></li>
<li><strong><a title="Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades" href="../../empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-2/" target="_blank">“Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades”</a> </strong>onde  falei da onda de mudanças que varre o Oriente Médio, e da inexistência  de um futuro, que está por ser construído por muitos atores, e a nós  brasileiros, na nossa sociedade em rede, cabe um papel. <strong><em>Qual a parte que nos cabe neste latifúndio?</em></strong></li>
<li><strong><a title="Um diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender" href="../../empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-3/" target="_blank">“Diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender”</a></strong>. Conversando com minha nora sobre as riquezas do Brasil em capital intelectual. As carências no atendimento às necessidades de nossa população não justificam o papel secundário que desempenhamos na exportação de nossa inteligência.</li>
</ol>
<h1>4. Empreendedorismo e sua ancestralidade</h1>
<p>O velhinho que meus filhos aprenderam a chamar de “tio Carlinhos” twittou em 1845 essa frase que viria a ser conhecida como a “quarta tese de Marx sobre Feuerbach”. Dizia isso, sem ultrapassar os 140 caracteres:</p>
<blockquote><p><em><strong>&#8220;Filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diversas maneiras; mas o que importa é transformá-lo&#8221;. </strong></em></p></blockquote>
<p>O Schumpeter recebeu o tweet 100 anos depois, e os seus “curti” e comentários estão lá no GhostBook.</p>
<p>Simples assim. Intelectual não entende de fazer, entende de pensar. <strong>Transformar tem a ver não com intelectuais, mas com empreendedorismo.</strong></p>
<p>Sou meio atrevido e voluntarista. But I´m not the only one. Acredito na antropóloga Margaret Mead:</p>
<p><strong><em>&#8220;  Nunca duvide que um pequeno grupo de pessoas engajadas e comprometidas possa mudar o mundo. De fato, nada mais além disso pode tanto&#8230;&#8221; </em>(Margaret Mead) </strong></p>
<p><strong>_________     pausa    __________<br />
</strong></p>
<h3>Im ein ani li mi li?</h3>
<p>Como Raul Seixas, também nasci há 10.000 anos atrás. Você também, concorda? Habemus historia.  Lá atrás eu aprendi com um sábio judeu , Hilel, o seguinte:</p>
<blockquote><p><strong>“Se não for eu por mim, quem será? </strong><strong>(“Im ein ani li, mi li”) </strong><strong>E se não for agora, então quando?” <span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;">E, se somente por mim, o que eu sou? (começou a história de sustentabilidade). E, se não for agora, quando?”</span></strong></p></blockquote>
<p>Nada mais do que uma encarnação antiga do Vandré:</p>
<p>“Vem, vamos embora,</p>
<p>que esperar não é saber,</p>
<p>Quem sabe faz a hora</p>
<p>Não espera acontecer”.</p>
<p>Hilel era um rabino tão importante que dele se conta a seguinte historinha: chegou a ele um gentio, depois de passar pela loja de um concorrente, um tal de Shamai, por quem o gentio não tinha sido muito bem atendido. Perguntava o gentio ao bom Hilel: “Rabino, tenho pressa. O senhor consegue me explicar em conversa de elevador: o que é o judaísmo”? E respondeu-lhe o mestre, olhando para o marcador dos andares: “Não faças aos outros o que não queres que te façam. Todo o  resto são detalhes”.</p>
<p>Sim, dizem que foi ele. O Shamai, da loja vizinha, detestava o Hilel. Detesta até hoje. Entre outras coisas, porque o Hilel gosta do povo de Gaza (falaremos disso no próximo post).  Hilel gosta de todo mundo. Ele tinha suas partes preferidas da Torá, que falavam da solidariedade aos vizinhos, do amor ao próximo. O Shamai tinha lido outras partes da Torá, em que um Deus vingador mandava matar os inimigos.  O Hilel não dava bola para essas partes.</p>
<p>O Hilel não quer que seus discípulos façam ao povo de Gaza o que não querem que lhes façam. E já que vamos falar de Gaza no próximo post, é bom saber que lá em Israel tem a turma do Hilel e a turma do Shamai. Os do Shamai estão no governo fazendo (e falando &#8211; mas se fosse só falando tava bom&#8230;) bobagens. Os do Hilel fazem sinfônicas e escolas com membros israelenses e palestinos, além de proteger aldeias palestinas das demolições da turma do Shamai .  Os do Hilel gostam de conversa, eles sabem que conversa é a base do aprendizado e do conhecimento. Com os do Shamai, não tem conversa. Veja o premiado documentário <a href="http://www.prweb.com/releases/2011/02/prweb5013264.htm"><em><strong>Budrus</strong></em></a>, dirigido pela brasileira Júlia Bacha (ói nóis, de novo, exportando capital intelectual&#8230;)  Taí, Israel tem dessas coisas que o Irã e a Líbia não têm.  Quer mais sobre <a href="http://www.chazit.com/cybersio/chazal/hilleleshammai.html" target="_blank">Hilel e Shamai</a>?</p>
<p>Pois é: o velho Hilel ensinava, além disso, <strong>empreendedorismo</strong>.   Como o Vandré e o tio Carlinhos.  <em><strong></strong><strong>Se o Hilel fosse explicar o que é empreendedorismo numa conversa de elevador, usaria o “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” do Vandré.</strong></em></p>
<p>Khalil Gibran, o grande poeta do mundo árabe e muçulmano, ensinava coisas parecidas. Podem ser resgatadas. Saindo um pouquinho da história do empreendedorismo (no próximo post voltaremos a ela), faço um comercial: a turma do Hilel no Brasil começou, num evento  da rede <a href="http://judaismohumanista.ning.com/" target="_blank">Judaísmo Humanista </a>que fizemos  6ª feira passada, com a Analu Lacombe, pesquisadora e contadora de histórias  (economia criativa em microempresas: <a href="http://www.fazeconta.art.br/">www.fazeconta.art.br</a> contando histórias da dobradinha Martin Buber (um Hilel moderno)  e Khalil Gibran. E neste domingo a Analu estará num bistrô contando Clarice Lispector.</p>
<p>Bem, espero ter sido convincente lá atrás sobre as potencialidades do <strong>capital intelectual do Brasil nas relações com o Oriente Médio. Para desfrutarmos os benefícios, é necessário empreendedorismo da sociedade brasileira em rede.  SE NÃO AGORA, QUANDO?<br />
</strong></p>
<p><strong>Falta agora dizer: por que o Brasil adotar Gaza?</strong></p>
<p>Vou dizer, mas agora darei um intervalo de 3 dias para que você possa fazer uma viagem &#8220;De Volta ao Futuro&#8221;, e ler <a title="Gaza, sensemaking e a inteligência coletiva" href="http://sergiostorch.com/gaza-sensemaking-e-inteligencia-coletiva/" target="_blank">&#8220;Gaza, sensemaking e inteligência coletiva&#8221;)</a>, que escrevi há 2 anos. É o preâmbulo para o próximo post, e você poderá se distrair com um passeio pela Gestão do Conhecimento.</p>
<p><strong>Não deixe de visitar nessa viagem o filminho que está no post: a turma de Hilel cantando e dançando com a turma do Khalil Gibran. Estão abertas as portas para nosso samba e nossa capoeira em Gaza. O mercado também para nossa economia criativa&#8230;</strong></p>
<p>Bem, se você chegou até aqui, agora aguente firme, pois faltam apenas mais dois posts.</p>
<p>5. “Brasileiros comem pelas beiradas. Vamos adotar Gaza?”</p>
<p>6.  “Jogue também sua garrafa ao mar”</p>
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		<title>3. Diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Feb 2011 15:23:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Inteligência Coletiva]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>

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		<description><![CDATA[Leia os demais posts desta minissérie: &#8220;Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede&#8221;. &#8220;É um mercado sedento de serviços de alto valor agregado. Nós falamos árabe, nós falamos hebraico. Nós temos o melhor voto eletrônico. Nós ensinamos pipoqueiros a fazerem fluxo de caixa. Nós temos engenharia. Temos também e-business. Nós somos insuspeitos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Leia os demais posts desta minissérie:</h3>
<ol>
<li><strong><a title="Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede" href="../../empreendedorismo-para-nosso-capital-intelectual-e-o-oriente-medio-0/" target="_blank">&#8220;Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede&#8221;.</a></strong><em><strong> </strong>&#8220;É um mercado sedento de serviços de alto valor agregado. <strong>Nós </strong>falamos árabe, <strong>nós </strong>falamos hebraico. <strong>Nós</strong> temos o melhor voto eletrônico. <strong>Nós </strong>ensinamos pipoqueiros a fazerem fluxo de caixa. <strong>Nós </strong>temos engenharia. Temos também e-business. <strong>Nós </strong>somos insuspeitos para vendermos paz e democracia, enquanto os outros vendem armas.</em></li>
<li><strong><a title="Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades" href="../../empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-2/" target="_blank">“Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades”</a> </strong>onde falei da onda de mudanças que varre o Oriente Médio, e da inexistência de um futuro, que está por ser construído por muitos atores, e a nós brasileiros, na nossa sociedade em rede, cabe um papel. <strong><em>Qual a parte que nos cabe neste latifúndio?</em></strong></li>
</ol>
<h1>3. Diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender</h1>
<p>Dirão que deliro. Já sei. Porisso, em vez de um jargão que às vezes encobre o nada, resolvi traduzir em miúdos, aproveitando a conversa que tive com minha nora no sábado passado, às 5 da madrugada. Eu a levava com meus netos, da Granja Viana para a despedida no aeroporto. Luiz, de 4 anos, cantando “O orvalho vem caindo” (o bichinho gosta de Noel), curtindo o clarear do dia, o frescor do ar pela janela, e eu conversando com ele sobre as cores mutantes das nuvens com os raios do sol. Momentos de eternidade num diálogo leve e gostoso:</p>
<p>- Tati, estou escrevendo um post dizendo que o Brasil deve adotar Gaza. O Brasil deve ajudar o <strong>povo </strong>de Gaza.</p>
<p>- Sérgio, você já viu a miséria que existe no Brasil, aqui, agora? Como é que você tem essas idéias de que o Brasil deve ajudar outros países? (parêntesis: a Tati não é a única a expressar essa impaciência com minhas “viagens”. Aprendi a conviver e me divertir com a imagem de “desfocado” daquele personagem do  Robin Williams no filme do Woody Allen. Nas baladas com os filhos damos muita risada com  isso).</p>
<p>- Tati, nós temos, por exemplo, o SUS (ver  <a href="http://sergiostorch.com/wordpress/wp-content/uploads/Licoes-aprendidas-SUS-SUSP.pdf">Licoes aprendidas SUS-SUSP</a>)</p>
<p>- Sérgio, você já precisou alguma vez do SUS? Você já teve que ficar dias na fila para poder agendar uma consulta médica para daqui a alguns meses?</p>
<p>- Tati, o SUS não funciona mesmo. Mas é porque o governo, em vez de contratar médicos, fica acumulando reservas em dólar, o que custa muito caro, e tem aumentado a concentração de renda nas mãos dos 1% mais ricos (ninguém diz isso, mas <a href="http://diplomatique.uol.com.br/editorial.php?edicao=28&amp;PHPSESSID=2992afb2cd65c8594faad2ff286459fc">veja neste artigo do Sílvio Cacciabava, no Diplô)</a>. Com essa grana toda, que os mais ricos então gastam em helicópteros, griffes e na Daslu, poderíamos ter mais e melhores médicos (e melhores professores e policiais mais satisfeitos). O SUS não funciona mesmo, mas não é por causa do SUS. Todo mundo sabe que faltam médicos e a formação deles se deteriorou. Faz parte da dívida social que no tempo dos tucanos os petistas denunciavam. Agora ninguém denuncia a dívida social. Mas por enquanto deixe de lado  a falta de médicos . <strong>O SUS, como sistema, tem muita inteligência, </strong>estrutura, muita gente pensou junta durante muitos anos até conseguirmos ter o SUS. É um dos melhores do mundo. Nós temos isso para dar e vender.</p>
<p>- Sérgio, lá onde a gente mora (Lençóis, na Chapada Diamantina), não tem um médico. Por que eu vim ter a Marina aqui em São Paulo? Como é que o Brasil vai dar ou vender, se não tem nem pra gente?</p>
<p>- Tati, <strong>o Brasil tem inteligência pra dar e vender. </strong>E não é só o SUS. Os povos do Egito, do Iêmen, da Líbia, da Jordânia, da Palestina, e de outros países da região, estão percebendo que precisam de democracia, que podem ter <strong>direito à democracia . O Brasil pode ajudar. </strong>É verdade que ainda não sabemos bem o que é democracia, até o nosso voto é torto, mas em algumas coisas evoluímos bem. Nosso <strong>voto eletrônico </strong>é o melhor do mundo, põe no chinelo os sistemas capengas dos Estados Unidos.</p>
<p>- Tem mais, Tati. O Brasil tem <strong>um dos melhores sistemas de apoio às micro e pequenas empresas do mundo. </strong>Eu li um artigo sobre o desemprego no Egito, que conta como o trânsito no Cairo é um caos pior, e com muito menos carros do que São Paulo, todos buzinando o tempo todo, sem mão e contramão. <strong>Nós temos engenharia de trânsito</strong>. Imagine o <strong>SEBRAE </strong>ir lá e ensinar ao Egito o que levou décadas para aprender sobre o desenvolvimento do <strong>empreendedorismo</strong>. Lembra do Muhammad Yunus, que ganhou o Nobel da Paz por ter criado o <strong>microcrédito </strong>que transformou a vida de milhões de mulheres que eram desempregadas? Funcionou, não funcionou? O Brasil copiou bem, melhorou, e tem isso também pra ensinar.</p>
<p>Bem, a conversa estava ótima, mas tivemos que encerrar para encostar o carro. Meu filho chegava em outro carro, já estavam atrasados para o vôo, e aqueles abraços apertados e beijos, risada com as crianças, e voltei com as saudades já batendo (êta <strong>sentimento bom, tão brasileiro</strong>), pensativo, com sorriso nos lábios o tempo todo, enquanto tocava no rádio <strong>“Tente outra vez”</strong>, de Raul Seixas. Brasileiro tá o tempo todo tentando outra vez.</p>
<p>Saravá, norinha querida, suas perguntas me fizeram explicar para a sua compreensão <strong>o que quer dizer capital intelectual</strong>, sem usar o  jargão dos iniciados. E fiquei feliz em lembrar no caminho de volta a goiana Cora Coralina:</p>
<blockquote><p><strong>Feliz aquele que transfere o que sabe e <em>aprende o que ensina</em>..</strong></p></blockquote>
<p>É isso aí, Tati, isso é tão brasileiro:</p>
<blockquote><p><strong>“Mulher rendeira, tu me ensina a fazer renda, e eu te ensino a namorar”.</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p></blockquote>
<p><strong>Aguarde os próximos capítulos:</strong></p>
<ol>
<li>“Empreendedorismo e sua ancestralidade no Oriente Médio”. Falarei do empreendedorismo desde o sábio Hilel, passando pelo tweet do tio Carlinhos em 1845, raspando por Schumpeter e chegando ao Geraldo Vandré. Gestão do conhecimento tem que dar samba&#8230;</li>
<li>“Brasileiros comem pelas beiradas. Vamos adotar Gaza?”</li>
<li>“Jogue também sua garrafa ao mar”</li>
</ol>
<p><strong>Continue comigo&#8230;<br />
</strong></p>
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		<title>Empreendedorismo &#8230; capital intelectual&#8230; Oriente Médio &#8211; 2</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Feb 2011 02:29:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Inteligência Coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência societal]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça e paz]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[capital intelectual]]></category>
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		<description><![CDATA[Leia os demais posts desta minissérie: &#8220;Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede&#8221; “Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades” “Diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender” “Empreendedorismo e sua ancestralidade no Oriente Médio” “Brasileiros comem pelas beiradas. Vamos adotar Gaza?” “Jogue também sua garrafa ao mar” Oriente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Leia os demais posts desta minissérie:</h3>
<ol>
<li><a title="Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede" href="http://sergiostorch.com/empreendedorismo-para-nosso-capital-intelectual-e-o-oriente-medio-0/" target="_blank">&#8220;Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede&#8221;</a></li>
<li><a title="Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades" href="../../empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-2/" target="_blank">“Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades”</a></li>
<li><a title="Um diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender" href="../../empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-3/" target="_blank">“Diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender”</a></li>
<li>“Empreendedorismo e sua ancestralidade no Oriente Médio”</li>
<li>“Brasileiros comem pelas beiradas. Vamos adotar Gaza?”</li>
<li>“Jogue também sua garrafa ao mar”</li>
</ol>
<h1>Oriente Médio e oportunidades para o Brasil</h1>
<p>Mudanças profundas no Egito após 60 anos do fim do colonialismo britânico. Inicialmente décadas de um nacionalismo escorado na demonização de Israel, o inimigo eleito por Nasser (um Chávez na época em que os Chávez ainda não eram patéticos). Após as derrotas militares em 1967 e 1973, outras décadas de ditaduras  que mantiveram seu povo na miséria, de forma análoga a quase todos os países árabes.</p>
<p>Detalhe significativo da crise do Egito atual: não se falou em Israel.  Não há mais a culpa do outro, aquele que deve ser eliminado. Um salto para a maturidade de um povo que deixa de precisar de um Pai Protetor. Agora é a busca de transformações internas (<a href="http://www.50emais.com.br/2011/02/os-arabes-e-o-fim-da-vitimizacao/">Roger Cohen, “Os árabes e o fim da vitimização”, 4/2/11).</a></p>
<p>Não é aqui o lugar para aprofundarmos essa história. Nem é minha competência. Mas meu guru na ciência das redes, Augusto de Franco, encanta ao dizer que <a href="http://evolucaocriadora.blogspot.com/2010/07/buscadores-polinizadores-3a-versao.html">“eu guardo meu conhecimento nos meus amigos”</a> e porisso não hesito em brindar os leitores com a excelente síntese produzida pelo querido professor <a href="http://sergiostorch.com/referencias/henrique-rattner-fogo-e-tempestade-no-oriente-medio-fev11/">Henrique Rattner – “Fogo e tempestade no mundo árabe”</a>, do qual tomo emprestado o parágrafo a seguir:</p>
<p>“A onda de protestos e manifestações que varre o mundo árabe proporciona ao ocidente a oportunidade de mudar sua atitude de hipocrisia de apoiar com bilhões de US dólares e fornecimento de armas sofisticadas aos regimes claramente obsoletos, necessitando urgentemente de reformas profundas. O pêndulo da História está em pleno movimento, evidenciando ventos de mudança no mundo árabe, inclusive nas monarquias reacionárias da Arábia Saudita, dos Marrocos, da Jordânia e dos Emirados”.</p>
<p>Dezenas de jornalistas, analistas políticos e de relações internacionais nos trarão seus cenários de futuro nas próximas semanas. Mas a sensibilidade dos artistas é portadora do pensamento complexo, que admite o contraditório e rompe com a lógica aristotélica do “Terceiro Excluído” (“ou é isso OU aquilo, não dá para ser isso E aquilo”), com a qual sofremos lavagem cerebral ao passarmos pela escola e crescermos no mundo do trabalho.</p>
<p>E os artistas sabem que “a vida vem em ondas, como o mar” (Lulu Santos). Com todas as análises que receberemos dos analistas, a síntese do que virá no Oriente Médio depende de fatores que somos incapazes de prever.  O mesmo Roger Cohen, do New York Times, avisa que esse Fla-Flu pode dar <a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110209/not_imp677133,0.php">tanto Teerã de 1979 quanto Berlim de 1989 </a>.</p>
<p>Os analistas nada ingênuos da CIA, do Mossad e de outras agências de inteligência produziram milhares de informes nos últimos anos, e apesar dissoos seus governos não estavam preparados para os acontecimentos atuais no Egito e nos demais países para onde a revolução democrática árabe se irradia.  Estamos na era da <strong>economia da atenção. </strong>Inteligência não é ter a informação, é dar atenção à informação relevante. Estava na cara para todo o mundo que ali havia um caldeirão prestes a explodir, mas o que se costuma chamar de “inteligência” mostrou-se incapaz de processar os sinais fracos que estavam à vista para todos. Por que? Pedirei ao amigo Frédéric Donier, expert no assunto, que venha comentar isso aqui com link para seu blog.  É dos bons. Não deixe de ler os comentários, pois também a minha inteligência está nos meus amigos.</p>
<h1>Construindo o futuro</h1>
<p>Futuro não existe. Ele pede para ser construído. Como ele não está escrito nem nas estrelas nem nos informes dos analistas nem nas teses de doutorado, é razoável presumir que neste futuro do Oriente Médio haverá, para os interesses brasileiros, <strong>um espaço ainda a ser construído. </strong>E nós somos atores neste processo. Ou não. Depende não de intelectuais, e sim de empreendedores (no sentido lato de empresas, agências de governo, ONGs, países&#8230; empreendedores).  Bem antes de se criar essa palavra estranha (&#8220;empreendedorismo&#8221;) a quarta tese de Marx sobre Feuerbach (1845) já falava disso:  <strong>&#8220;Filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diversas maneiras; mas o que importa é transformá-lo&#8221;. </strong>O velhinho é atual.<strong><br />
</strong></p>
<p>Falarei no próximo post sobre as oportunidades que vejo para o Brasil na conquista de um mercado para<strong> serviços nobres produzidos pelo nosso capital intelectual. </strong>Ou seja, pego o gancho para desde já recorrer a parte desse capital intelectual: a riqueza da nossa poesia e da nossa música, que perguntam <strong> QUAL É A PARTE QUE NOS CABE NESTE LATIFÚNDIO?</strong></p>
<p><strong>Veremos no próximo capítulo: amanhã mudamos de marcha&#8230;<br />
</strong></p>
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		<title>Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Feb 2011 00:56:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência Coletiva]]></category>
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		<category><![CDATA[oportunidades]]></category>
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		<description><![CDATA[. Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede Meus primeiros posts em minissérie. Eram longos. Agora vamos por partes&#8230; estou aprendendo. Aplico à nova conjuntura no Oriente Médio o meu tema de sempre: a inteligência societal. Como podemos fazer sentido (sensemaking) rapidamente das oportunidades que esse novo quadro oferece para o Brasil? [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1>.</h1>
<h1>Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede</h1>
<p>Meus primeiros posts em minissérie. Eram longos. Agora vamos por partes&#8230; estou aprendendo.</p>
<p>Aplico à nova conjuntura no Oriente Médio o meu tema de sempre: a <strong>inteligência societal. </strong>Como podemos <strong>fazer sentido (<em>sensemaking</em>) </strong>rapidamente das oportunidades que esse novo quadro oferece para o Brasil? Como podemos nós formular uma <strong>diplomacia de novo tipo, em rede, </strong>em sintonia com as novas formas de organização da <strong>Sociedade em Rede </strong>possibilitadas pela tecnologia? Como podemos nós, cidadãos, empresas e instituições públicas e privadas no Brasil, tirar partido de nosso <strong>capital intelectual </strong>e de nossos <strong>ativos intangíveis </strong>para disputar mercados? De novo, falarei de samba.</p>
<p>É um mercado sedento de serviços de alto valor agregado. Nós falamos árabe, nós falamos hebraico. Nós temos o melhor voto eletrônico. Nós ensinamos pipoqueiro a fazer fluxo de caixa. Nós temos engenharia. Nós somos insuspeitos para vendermos paz e democracia, enquanto os outros vendem armas. A marca Brasil tem esse diferencial. Mas temos que ser rápidos, pois na política não existe vácuo.</p>
<p>A minissérie tem 5 partes, uma a cada dia. Fique ligado. Divulgue. Veja <strong>qual é a parte que te cabe neste latifúndio. </strong>Aja. Se não puder fazer nada, <strong>jogue também a sua garrafa ao mar.</strong></p>
<ol>
<li>&#8220;Uma nova diplomacia, para e com a Sociedade em Rede&#8221;</li>
<li><a title="Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades" href="http://sergiostorch.com/empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-2/" target="_blank">“Oriente Médio, um contexto de novas possibilidades”</a></li>
<li><a title="Um diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender" href="http://sergiostorch.com/empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-3/" target="_blank">“Diálogo sobre o capital intelectual que temos para dar e vender”</a></li>
<li><a href="http://sergiostorch.com/empreendedorismo-capital-intelectual-oriente-medio-4/" target="_blank">“Empreendedorismo e sua ancestralidade no Oriente Médio”</a></li>
<li><a href="http://sergiostorch.com/a-oportunidade-a-nossa-frente-adotar-israel-e-palestina/">&#8220;A oportunidade à nossa frente: adotar Israel e Palestina&#8221;</a></li>
<li>“Jogue também sua garrafa ao mar”  (ainda matutando)</li>
</ol>
<p>Finalizo com uma pequena célula  do nosso DNA de economia criativa com que podemos chegar ao Egito e a todo o Oriente Médio, comendo pelas beiradas.  A poesia de Chico explica o que os serviços de inteligência não foram capazes de prever:</p>
<p>“A gente quer ter voz ativa<br />
No nosso destino mandar<br />
Mas eis que chega a roda viva<br />
E carrega o destino pra lá<br />
Roda mundo, roda gigante<br />
Roda moinho, roda peão<br />
O tempo rodou num instante<br />
Nas voltas do meu coração”</p>
<p>Amanhã tem mais.</p>
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		<title>Gaza: sensemaking e inteligência coletiva</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jan 2009 21:15:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Inteligência Coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência societal]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça e paz]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Web e ferramentas sociais]]></category>
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		<category><![CDATA[sensemaking]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Nenhum problema pode ser resolvido a partir do mesmo nível de consciência que o criou&#8221; &#8211; Albert Einstein Para “unir os pontos” entre meus temas profissionais (especialmente a gestão do conhecimento e a inteligência em rede) e o meu cotidiano, preciso me referir a um tema que volta a ocupar boa parte de minha mente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>&#8220;Nenhum problema pode ser resolvido a partir do mesmo nível de consciência que o criou&#8221; &#8211; Albert Einstein</em></p></blockquote>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Para “unir os pontos”<span> </span>entre meus temas profissionais (especialmente a gestão do conhecimento e a inteligência em rede) e o meu cotidiano, preciso me referir a um tema que volta a ocupar boa parte de minha mente depois de anos de relativo distanciamento: a questão da paz entre israelenses e palestinos. E não posso deixar de usar as lentes que desenvolvi nesses 7 anos (um ciclo, segundo a antroposofia). É como se eu estivesse voltando ao ponto de partida, mas com alguns outros olhares.</p>
<p class="MsoNormal">O instrumental teórico da Gestão do Conhecimento deixa marcas indeléveis. Vamos falar de <a title="sensemaking" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sensemaking" target="_blank">sensemaking</a>.</p>
<p class="MsoNormal"><span id="more-30"></span>“Sensemaking” = construção do sentido. Acho esse conceito indispensável para entender o que a historiadora Barbara Tuchman chamou de marcha da insensatez (em livro com o mesmo nome), ou seja, a marcha para o precipício a que tantos líderes na história conduziram os seus povos (há casos discutidos também no mundo animal, como o <a title="lemmings" href="http://www.google.com/search?ie=UTF-8&amp;oe=UTF-8&amp;sourceid=navclient&amp;gfns=1&amp;q=lemmings+suicide" target="_blank">suicídio coletivo dos lemingues</a>).</p>
<p class="MsoNormal">O conceito de “sensemaking” vem ganhando espaço desde que o professor Choo, da Universidade de Toronto, produziu o livro que considero o mais importante na área nos últimos 10 anos: <a title="&quot;The Knowing Organization&quot;, de Chun Wei Choo, 1998, trad. Ed. Senac, 2003" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=1&amp;ProdId=217448&amp;ST=SR&amp;franq=247263"></a><a title="choo artepaubrasil" href="http://www.paubrasil.com.br/descricao.asp?cod_livro=AA7927" target="_blank">&#8220;The Knowing Organization</a> (no Brasil editado pelo Senac). Choo faz a crítica de abordagens mais tradicionais da gestão do conhecimento que são centradas nas preocupações com o compartilhamento genérico do conhecimento.  Preocupando-se com a inteligência organizacional e não com o compartilhamento como fim em si, ele propõe enxergar o ciclo do conhecimento em três etapas: o sensemaking, a criação de conhecimento, e a tomada de decisão.</p>
<p class="MsoNormal">A primeira é o momento de elaboração coletiva do sentido (sensemaking), em que olhares plurais se juntam para extrair sentido de informações que para alguns, individualmente, não querem dizer muita coisa, mas que em conjunto contribuem para a montagem de um quebra-cabeças de onde emergem significados. Para Choo, são inócuas as iniciativas de gestão do conhecimento que não considerem primeiramente a criação do significado.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Pois bem . Vamos a Gaza, passando por uma parábola contada por Peter Senge  em &#8220;A Quinta Disciplina&#8221;: se jogarmos um sapo na panela de água fervente, ele se estica e pula imediatamente. Seu sistema nervoso é preparado para isso. Mas se o pusermos na água e começarmos com um foguinho lento, ele vai relaxando devagarinho, e vai ficando&#8230; até terminar cozido.</p>
<p class="MsoNormal">A mídia exerce seu papel de nos chamar a atenção para a água escaldante. . Mas poucos se dão conta da água esquentando devagarinho,  quando mais uma família israelense se instala num assentamento na Cisjordânia e mais uma classe de alunos nas escolas do Hamas recebe cartilhas ensinando a Jihad. A água vai esquentando e de repente, bum! O mundo acorda com o som dos bombardeios.</p>
<p class="MsoNormal">Israel precisa defender dos foguetes o 1 milhão de israelenses que estão no raio de seu alcance, mas bombardear Gaza é como enxugar gelo.  No jogo do sapo, morrem palestinos, morrem israelenses, e a força moral da sociedade israelense se corrompe e se destrói ao violar direitos humanos, como havia sido profetizado por sábios como <a title="The Nation - Yeshayahu Leibowitz" href="http://www.thenation.com/doc/20020225/gordon" target="_blank">Yeshayahu Leibowitz </a>ainda em 1967.</p>
<p>Essa história tem um link com minha guinada profissional. Comecei na Web quando, em 2000, fui ativo participante de grupos que militaram pela paz justa entre israelenses e palestinos.  Usei num artigo a metáfora da teoria do cáos, <a title="borboleta que bate asas" href="http://www.asa.org.br/boletim/71/71_comunidades2.htm" target="_blank">da borboleta que bate asas&#8230; </a>Não fosse o aprendizado com os primeiros e-groups que criei naquela época, eu não estaria hoje fazendo projetos de portais 2.0 com comunidades de prática e redes sociais. Foi no calor das batalhas virtuais e campais do movimento pacifista que eu tive as primeiras lições sobre as possibilidades e armadilhas dessa mídia (e também aprendi na carne o quanto  as novas mídias requerem novas habilidades para o diálogo, que muitas vezes sucumbe mesmo entre pacifistas, que nem sempre primam pela humildade e serenidade verbal).</p>
<p>A pressão profissional fez que eu me distanciasse. Bem, estou voltando&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">A roda viva do tempo deu uma volta, e estamos na Web 2.0. Agora habemus blogs, o que facilita bastante as coisas. Não mais longas reuniões para aprovar uma ação: podemos fazer isso no Ning, e cada um pode escrever o que pensa em seu blog, e os demais podem ir linkando através de blogrolls e trackbacks. Nesses 8 anos as redes sociais já cutucaram a OMC em Seattle, derrubaram um governo filipino, e permitem que nós brasileiros, campeões do Orkut, possamos vir a desempenhar um papel na paz global, fazendo a ponte entre israelenses e palestinos através do samba e do futebol, sem esperar pelas lideranças oficiais das comunidades étnicas, que têm rabo preso na lealdade a velhos dogmas e crenças paralisantes.</p>
<p class="MsoNormal">Ao ver de novo o filme das atitudes maniqueístas dos partidários de um e outro lado,  penso sempre no sapo&#8230;</p>
<p class="MsoNormal"><img class="aligncenter size-medium wp-image-31" title="boiling-frog" src="http://sergiostorch.com/wp-content/arquivos/boiling-frog-300x264.jpg" alt="boiling-frog" width="300" height="264" /></p>
<p class="MsoNormal">Acredito que o Hamas cresce porque os palestinos cercados num gueto tendem a se deixar seduzir pelas vertentes mais reacionárias de um islamismo que, apesar do que parece (de novo a mídia), tem suas vertentes modernas e democráticas. A derrota dos extremistas só poderá se dar com o fim da ocupação e a criação de um Estado Palestino democrático, que só será possível se Israel for forçado de fora para estancar os assentamentos. De fora para dentro,  porque na lógica da democracia israelense a minoria judaica fundamentalista sempre terá poder desproporcional a seu tamanho (assim se explicam as marchas da insensatez em que maiorias ficam reféns de minorias).  De fora para dentro pois, segundo Einstein, <em>&#8220;Nenhum problema pode ser resolvido a partir do mesmo nível de consciência que o criou&#8221;.</em></p>
<p class="MsoNormal">
<p>Não é possível ser diferente? <a href="http://www.youtube.com/embed/iWI-Zr8qRtc">Veja e ouça </a>estes músicos israelenses e palestinos.</p>
<p>Mais um pouquinho de gestão do conhecimento: cognição coletiva. A tragédia de palestinos e israelenses leva o leitor de jornal ou telespectador a questionar sobre como tudo isso veio a acontecer. A dificuldade em suportar o estado de perplexidade conduz a uma saída fácil: apontar um lado culpado. Faz parte da visão reducionista que prevalece na cultura ocidental. Ao julgar, depositamos a culpa em alguém, o que nos alivia bastante pois o mal está no outro e não em nós.</p>
<p class="MsoNormal">Mas ao pensar dessa forma esquecemos um antigo questionamento filosófico: quem veio antes, o ovo ou a galinha? Os que vão às ruas “em defesa de Israel” talvez saibam a resposta: foi o ovo. E os que protestam unilateralmente contra o massacre de palestinos talvez estejam seguros de que a galinha veio antes.</p>
<p class="MsoNormal">Sobre o enigma ovo-e-galinha de Gaza-Palestina-Oriente Médio, eu apenas sei que é um ciclo que começou há muito tempo e que continuará por muitos anos. E não sei, mas acredito, que seja possível construir opções de convivência e felicidade para os destinos desses dois povos.</p>
<p class="MsoNormal">Se tenho alguma crença forte, é a de que situações ovo-e-galinha que não apontam saída só podem ser superadas quando indivíduos (especialmente lideranças) se dêem conta do quanto as pequenas complacências do dia-a-dia com o pensamento grupal são atos que reforçam o impasse em vez de ajudar as saídas, que só existem a partir da coragem individual para superar a comodidade do maria-vai-com-as-outras . O <a href="http://contardocalligaris.blogspot.com/2009/01/um-ano-novo-feliz-e-desconfiado.html" target="_blank">Contardo Calligaris aponta isso nos comentários que fez sobre o filme &#8220;Um Homem Bom&#8221;. </a>Não deixe de ver o filme e ler o artigo.</p>
<p class="MsoNormal">Vejam este <a title="Blog Gaza-Sderot" href="http://gaza-sderot.blogspot.com/" target="_blank">blog de um palestino de Gaza e um israelense de Sderot. </a>Inimigos?</p>
<p class="MsoNormal">Modelo mental:  a aparente oposição entre israelenses e palestinos pode ser vista de outra forma. Há uma oposição que existe em ambos os lados, entre aqueles que acreditam e lutam por uma solução de paz e dignidade, e aqueles que só acreditam e lutam por soluções de força. Entre aqueles que pensam numa escala de tempo mais longa no passado e no futuro, e os outros cuja perspectiva temporal é mais curta.</p>
<p class="MsoNormal">Estes últimos fariam bem em ter em mente os dois mapas abaixo, nos quais as posições de Davi e Golias se invertem. Não medi, mas me parece que Gaza está para Israel assim como Israel está para o Oriente Médio inclusive o Irã.</p>
<p class="MsoNormal">Quem é Davi e quem é Golias?</p>
<p class="MsoNormal"><img class="alignnone size-full wp-image-38" title="israel-e-faixa-de-gaza1" src="http://sergiostorch.com/wp-content/arquivos/israel-e-faixa-de-gaza1.gif" alt="israel-e-faixa-de-gaza1" width="512" height="300" /></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Então veja agora este mapa. Quem é Davi e quem é Golias agora?</p>
<p class="MsoNormal"><img class="aligncenter size-medium wp-image-39" title="israel-e-oriente-medio1" src="http://sergiostorch.com/wp-content/arquivos/israel-e-oriente-medio1-300x260.gif" alt="israel-e-oriente-medio1" width="300" height="260" /></p>
<p class="MsoNormal">Agora vamos ver na perspectiva temporal.</p>
<p class="MsoNormal">O ovo ou a galinha? Se olharmos para o início do bombardeio, a culpa é dos israelenses. Sataniza-se Israel, como fez o comunicado oficial do PT de Valter Pomar e Ricardo Berzoini  equiparando Israel e nazismo (foram <a title="carta dos militantes do PT" href="http://www.pazagora.org/detailartigo.cfm?IdArtigo=1287" target="_blank">contestados por 36 intelectuais do PT</a>, mas o estrago já foi feito, embora vamos convir que é o menor dos estragos nesta história de horror). Mas se olharmos para os mísseis Qassam disparados contra Sderot, foram os palestinos que começaram. Sim, mas e o bloqueio econômico? Ah, então foram os israelenses. Ah, mas peraí, e o cerco a Israel na guerra dos 6 dias? E assim vamos retrocedendo no tempo até o massacre cometido contra judeus em Hebron em 1927, por uma turba de palestinos liderada pelo mufti de Jerusalem que anos depois desfilou em parada em Berlim ao lado de quem? Hitler. Ou retrocedemos mais ainda até Sansão e Dalila (foi em Gaza&#8230;).</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Diante desse relativismo de perspectiva temporal, o posicionamento através da culpabilização de qualquer um dos lados e de palavras de ordem simplistas é um desserviço à cidadania global. Mas vamos reconhecer que faz parte de nosso modelo mental o paradigma da culpa e castigo, associado ao moralismo ocidental e à idéia implícita de que há alguém no topo de alguma hierarquia (seja a ONU, seja Deus) que de alguma forma fará justiça. Ou seja, culpabilização tem algo a ver com o pensamento hierárquico: ao culpabilizar estamos invocando inconscientemente um poder maior que aplique a punição. Daí a apoiar o oportunismo-populismo de Hugo Chavez é um passo&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">Um amigo, Leandro Cianconi, estudioso de Governo 2.0, também lança luz sobre esse conflito do ponto de vista da <a href="http://cianconi.com/leandro/governo/a-guerra-da-descentralizacao/" target="_blank">superioridade das organizações em rede. </a> Vale a pena ler.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Isso tudo já é bastante complicado, e estamos olhando somente pelo espelho retrovisor. Vamos então olhar “de volta ao futuro”.</p>
<p class="MsoNormal">França e Alemanha se reconciliaram depois de séculos de conflitos. Idem católicos e protestantes na Irlanda do Norte.</p>
<p class="MsoNormal">A grande parcela de palestinos e israelenses que deu base social para as negociações de <a title="Acordos de TABA" href="http://www.palestinefacts.org/pf_1991to_now_alaqsa_taba.php  " target="_blank">TABA</a> e a <a title="Iniciativa de Genebra" href="http://www.espacoacademico.com.br/045/45ip_storch.htm" target="_blank">Iniciativa de Genebra</a> precisam de um empurrãozinho de fora para dentro.</p>
<p class="MsoNormal">Faço a seguinte reflexão, que espero modestamente que chegue ao ministro Celso Amorim e a lideranças de nossas empresas e de nossa sociedade civil.</p>
<p class="MsoNormal">
<ul>
<li>A guerra de comunicação entre os dois lados é desperdício de energia.</li>
<li>há um futuro pela frente.  O que cada uma das partes pode oferecer como presente para seus filhos e netos?</li>
<li>é preciso desviar a atenção que a mídia atrai para a destruição, e focalizar as possibilidades da reconstrução.</li>
<li>O Brasil tem um papel nisso, por ser uma marca querida tanto por palestinos quanto israelenses. Não só pela tradição de harmonia (que afinal não é tudo isso, que o digam os nossos afrobrasileiros, que têm alguns séculos de escravatura a nos lembrar), mas pela imagética ligada à alegria, como a música, o futebol etc.</li>
<li>As empresas brasileiras certamente terão interesse também num projeto de reconstrução. Pensando com a frieza de investidores de mercado, a Palestina é um ativo barato para se conquistar os mercados do Oriente Médio, e não deverão faltar recursos para montar uma Casa do Brasil em Gaza, e outras em Tel Aviv, Ramallah, Jerusalém, Belém etc.</li>
<li>os experts brasileiros em Web 2.0 (que temos muitos) terão enorme satisfação em criar ambientes de redes sociais que tirem os palestinos do gueto no qual o fundamentalismo islâmico é a influência dominante. Que os jovens palestinos e israelenses se conectem a nós em redes sociais de futebol, samba, de Doutores da Alegria, de Médicos sem Fronteiras, e de estudo da História em que convivam as narrativas israelense e palestina do conflito. Temos também pedagogos e psicólogos competentes para lidar com traumas de guerra.</li>
</ul>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">O Brasil não estará sozinho nisso, mas pode estar na linha de frente da  iniciativa, à qual se seguirá a França de Sarkozy, os Estados Unidos de  Obama etc. Não precisamos esperar termos o nosso assento no Conselho de  Segurança. No mundo deshierarquizado pela tecnologia, podemos construir o  nosso assento de forma bottom-up, a partir de nossos empresários,  jovens e profissionais liberais.</p>
<p class="MsoNormal">Espero que lideranças das comunidades brasileiras de judeus e palestinos  saibam olhar além da fumaça, e passem a defender seus respectivos povos  de forma construtiva e não mais defensiva. Vamos fazer coro a <a title="Barenboim" href="http://www.pazagora.org/detailartigo.cfm?IdArtigo=1270" target="_blank">Daniel Barenboim </a>e  (z´l) Edward Said, pais da Sinfônica Jovem de israelenses e palestinos,  e aos blogueiros de Gaza-Sderot, em vez de sermos auto-complacentes com  o discurso da culpa do outro.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Vamos nós no Brasil unir os pontinhos e construir o significado dessas oportunidades, que nos abrem as portas para a aprendizagem societal em nível global.</p>
<p class="MsoNormal">Comecei com Einstein, e concluo com John Lennon:</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">You may say I´m a dreamer&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">But I´m not the only one…</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">I hope some day you join us…</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">And the world will be as one…</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">(caso vc queira se manter bem informado com a visão do campo da paz de ambos os lados palestino e israelense, assine </span><span lang="EN-US">os boletins dos <a href="http://www.pazagora.org" target="_blank">Amigos Brasileiros do Paz Agora)</a>, ).</span></p>
<p class="MsoNormal">
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