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	<title>Vou vivendo... &#187; serendipidade</title>
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	<description>Gestão do conhecimento dá samba...</description>
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		<title>Identidade, memória e significado – it´s blowing in the wind</title>
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		<pubDate>Fri, 08 May 2009 18:49:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Storch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colaboração]]></category>
		<category><![CDATA[Gestão do Conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[identidade]]></category>
		<category><![CDATA[sensemaking]]></category>
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		<description><![CDATA[Não conversávamos há 43 anos. Dois ou três papos curtos em saguões de aeroportos. Mas nunca tínhamos tido a oportunidade de um aquecimento, daqueles que fazem uma conversa ser mais do que trivial. Surgiu a oportunidade. Um negócio que apareceu para mim, mas que a pessoa certa é ele. - Legal, vamos conversar. - Tá [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">Não conversávamos há 43 anos. Dois ou três papos curtos em saguões de aeroportos. Mas nunca tínhamos tido a oportunidade de um aquecimento, daqueles que fazem uma conversa ser mais do que trivial.</p>
<p class="MsoNormal">Surgiu a oportunidade. Um negócio que apareceu para mim, mas que a pessoa certa é ele.</p>
<p class="MsoNormal">- Legal, vamos conversar.</p>
<p class="MsoNormal">- Tá sem carro? A gente se encontra no meio do caminho.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span id="more-87"></span>Mas ele não pôde vir ontem ao encontro.</p>
<p class="MsoNormal">- Dor de coluna. Tenho fisioterapia às 18:30.</p>
<p class="MsoNormal">- Peraí, para onde você tem que ir?</p>
<p class="MsoNormal">- A fisioterapia é na Rua Lisboa.</p>
<p class="MsoNormal">- Eu vou aí e te levo.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">O pessoal de cultura organizacional chama isso de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Serendipidade">serendipidade</a>. É quando deixamos acontecer no fluxo, sem estar planejado. Paramos num café. Trocamos alegrias e falamos de familiares e amigos, AIDS, suicídio. Tio Luiz, Teodoro, Moishe, Bila, Hadassa, Ana, Dina. Pessoas que habitaram intersecções de nossas vidas, ou que brotaram da conversa, da continuidade de um para preencher descontinuidades de outro.  Até um governador de Estado, que eu não sabia que tinha sido do mesmo grupo sionista antes de eu ingressar. Muitos links.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Signos, valores, memórias, pessoas. Desejos, utopias, sonhos ainda.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">E rimos muito.</p>
<p class="MsoNormal">- Você era um nerd!</p>
<p class="MsoNormal">- Eu? Eu era um babacão!</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Reconstituímos a trama e as guinadas de cada um em 43 anos de vida. Desde a memória vívida da esquina, do cheiro, da cor do céu, da cara com que ele gozador, 43 anos atrás, soltou palavras que foram a gota d´água que faltava depois de ter encontrado Marx e Freud no livro de Erich Fromm.  Que me levaram à primeira ruptura: tornei-me ateu. Música maestro:  “Um velho ateu, um bêbado cantor, poeta, na madrugada, cantava essa canção, seresta. Se eu fosse Deus, a vida até que melhorava, se eu fosse Deus, daria aos que não tem nada”.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Chico, meu menino vadio, minhas discussões com Deus&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Tínhamos sonhado juntos, aos 16 anos, o socialismo sionista e a utopia de um <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Kibbutz">kibbutz </a>urbano em Israel. Descobri 15 anos depois que esse kibbutz existe, na auto-gestão em Mondragon que foi tema de minha dissertação de mestrado. O maior e mais bem sucedido arranjo produtivo local do mundo. E hoje <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Arranjo_produtivo_local">arranjos produtivos locais </a>são meu assunto constante. A dissertação não foi acaso, e ontem descobri a semente.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Memória, sinapses, significado, identidade.</p>
<p class="MsoNormal">Nos refletimos um no outro. Eu gestão do conhecimento. Ele gestão de processos. E não precisamos falar do negócio que tinha nos trazido ali. “Vamos nos encontrar, pra falar da gente. Negócios a gente resolve por email”.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">E saí me perguntando: serão essa liberdade e esse fluxo possíveis na verticalidade de nossas organizações e instituições? Nos diálogos com hora e tempo marcados? Ou esse compartilhamento, em cima do qual qualquer negócio passa azeitado, requer a horizontalidade das redes e a  disposição para dançar nas memórias e desejos? Teria rolado se tivéssemos nos encontrado no lugar e hora planejados, e não na base do “eu vou até aí?” Será que os timesheets, frameworks, modelos, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pmbok">PMBOKs </a>etc., não matam um pouquinho do que nos motiva a trocar e construir juntos?</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">A pergunta que sempre ouço nas organizações:  o que fazer aqui para que as pessoas compartilhem o conhecimento? Diria Bob Dylan: “The answer is blowing in the wind”.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Disse Milton naqueles anos, e ouvimos de novo nas diretas-já: coração de estudante. Outros dão o nome de capital social, o link que falta entre as teorias de redes sociais e as abordagens tradicionais de  gestão do conhecimento.</p>
<p class="MsoNormal">É isso aí, como disse o Henfil: a gente ainda nem começou&#8230;</p>
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